Desbastes intensivos na Mata Nacional dos Medos - AlmadaBloco de Esquerda questiona Governo

Por Jornal Rostos
Estas intervenções têm como objetivo melhorar as condições de visitação, acessibilidade e mobilidade dentro da reserva, explica o Instituto. O Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda questiona as práticas decorrentes deste projeto, tomando preocupação com o estado da fauna, flora e solos da reserva.
O Plano de Gestão Florestal – documento de ordenamento florestal e regulamentação das intervenções na Mata dos Medos – prevê a realização de desbastes e desramações, reduzidas ao mínimo essencial. Contudo, as intervenções em curso assemelham-se mais a operações de exploração florestal, com a remoção abusiva de arvoredo e utilização de maquinaria pesada em dunas antigas e sensíveis. Esta perda intensiva de coberto arbóreo associa-se a um crescente risco de propagação de incêndios, à desestabilização dos solos, perda de ensombramento e risco de proliferação de espécies invasoras, como a acácia. Compromete-se ainda um conjunto de espécies florísticas e da fauna dominante, especialmente composta por espécies “em perigo” de extinção.
A instalação de uma rede de passadiços sobrelevados e novos equipamentos nos parques de merendas pretendem melhorar a “visitação e educação ambiental” da população e proteção dos cobertos vegetais. No entanto, não são conhecidos estudos sobre os impactes da facilitação da deslocação dentro da Mata, que, com a consequente crescente perturbação da reserva natural, pode implicar mais danos do que os que os promotores se propõem a combater. Já se verifica perda de coberto vegetal e invasão do terreno por espécies exóticas nas novas clareiras abertas ao longo do percurso dos passadiços.
Estas intervenções que pretendem valorizar a Mata dos Medos podem na verdade depreciar severamente a área protegida. O Bloco de Esquerda, partilhando da preocupação da população perante a delapidação da Mata Nacional dos Medos, colocou ao Governo as seguintes questões:
1. Considera o governo que a intervenção em larga escala na Mata Nacional dos Medos, com destruição significativa de vegetação autóctone arbórea, arbustiva e herbácea, compactação de solos e perturbação da fauna, alguma dela ameaçada de extinção, se justifica no âmbito da execução do “projecto de conservação de habitats naturais e de valorização da PPAFCC”?
1.1. Se sim, porquê?
2. De que forma está a ser acompanhada a execução das operações de abate, toragem, extração e trituração dos pinheiros mansos na Mata?
3. Quantos pinheiros mansos foram abatidos?
3.1 Qual o destino dos materiais obtidos nestas extrações?
4. Está prevista a plantação de novos pinheiros mansos nas zonas intervencionadas?
4.1 Se sim, quando?
5. Estão a ser implementadas medidas para mitigar os efeitos da maquinaria nos solos, na fauna e na vegetação da Mata?
5.1. Se sim, quais?
6. Que meios serão acondicionados para responder ao impacto na flora e fauna desta área protegida?
7. Estão previstas ações de monitorização e controlo de espécies invasoras?
7.1. Se sim, que ações serão aplicadas e quando?
8. Foi realizado algum estudo sobre o impacto e a compatibilidade da instalação de passadiços com a preservação da biodiversidade da Mata?
8.1. Se sim, pode o governo remeter o estudo a este grupo parlamentar?
8.2. Se não, como justifica o governo a inexistência de avaliação de impactes decorrentes da instalação de infraestruturas numa área sensível como a Mata Nacional dos Medos?
Fonte - Bloco de Esquerda / Distrital Setúbal













