Perante risco de encerramento da urgência de obstetrícia do BarreiroBloco de Esquerda Setúbal manifesta enorme preocupação e surpresa

Por Jornal Rostos
A península de Setúbal é o lar escolhido para cerca de 810 mil habitantes. É cronicamente alvo de diminuto interesse político e de investimento em infraestrutura, não apenas de saúde, mas também em educação ou transportes públicos. O debate deveria estar orientado para como melhorar a qualidade de vida dos cidadãos da península, como aumentar o acesso a cuidados de saúde de qualidade. Infelizmente, é precisamente o oposto a que estamos a assistir.
A crise que assola o SNS no geral e os serviços de urgência em particular não se iniciou hoje. As reformas liberais implementadas na saúde, desde a desvalorização das carreiras e profissões, à ausência de investimento nos serviços, conjugada com a opção, mais cara e ineficiente, de externalizar, conduziu-nos a esta difícil situação.
A opção da reforma da oferta de serviços de urgência, não pode significar apenas a privação do acesso aos cuidados por parte das mulheres grávidas. Não pode significar o aumento da ansiedade e insegurança. Não podem ser as mulheres a pagar as sucessivas más escolhas dos governos.
Além de programas de investimento plurianuais, da autonomia das instituições, da revisão de carreiras, salários e incentivos à fixação dos profissionais de saúde, o Bloco de Esquerda também tem defendido outro tipo de soluções corajosas, que vão ao encontro das necessidades do SNS e dos utentes. Destacamos o facto de nunca ser equacionado a mobilidade dos profissionais, o que demonstra que o foco “centrar os cuidados no cidadão” é apenas teórico, na prática, cabe ao cidadão realizar quilómetros na incerteza e aflição.
Portugal continua a estar isolado, no que diz respeito às competências dos vários profissionais de saúde. Modelos que permitem a existência de centros de parto, com enfermeiros especialistas em saúde materna, garantem melhores resultados em saúde, tal como demonstram várias experiências europeias. As mulheres teriam acesso a cuidados de proximidade, seguros, eficientes e holísticos, o acesso à saúde é garantido a todas e todos os cidadãos, conseguindo o SNS alocar melhor os recursos que tem disponíveis.
Infelizmente, o governo optou pelo mais fácil. Encerrar é mais fácil que reformar. Destruir é mais fácil que inovar. Esta decisão torna-se mais grave, pois torna claro qual a verdadeira utilidade da nova comissão executiva do SNS: servir para desresponsabilizar o ministro das opções de políticas públicas. O governo e o ministério da saúde são os verdadeiros responsáveis pelas opções tomadas, não se podem escudar em qualquer decisão tecnocrata. Para a comissão executiva poder ter qualquer tipo de impacto positivo, não pode servir para arcar com as culpas da má gestão ministerial.
O Bloco de Esquerda continuará a lutar por cuidados de saúde de proximidade públicos, seguros e de qualidade para todas as mulheres.
Bloco de Esquerda / Distrital Setúbal













