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Bastidores

Saudação ao 25 de Abril e ao 1º de Maio apresentada pela CDUReprovada em reunião da Câmara Municipal do Barreiro

Os Vereadores eleitos pela da CDU, hoje, apresentaram na reunião da Câmara Municipal do Barreiro uma Saudação ao 25 de Abril e ao 1º de Maio, o documento foi reprovado, tendo os votos contra dos eleitos pelo Partido Socialista e os votos favoráveis dos eleitos CDU.

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Saudação ao 25 de Abril e ao 1º de Maio apresentada pela CDU Reprovada em reunião da Câmara Municipal do Barreiro

Por Jornal Rostos

Divulgamos o texto integral da Saudação dos eleitos da CDU, que recebemos na nossa redacção:

SAUDAÇÃO

49 Anos da Revolução 25 de ABRIL
Cumprir ABRIL, Reivindicar MAIO

A Revolução de Abril trouxe-nos importantes conquistas e direitos que são fundamentais para uma vida digna e livre. Trouxe-nos a esperança, a liberdade, a democracia, o fim da guerra colonial, o progresso, o desenvolvimento e o fim do regime ditatorial fascista. É essencial recordar os muitos homens e mulheres que dedicaram a sua vida a lutar contra o regime fascista que, durante mais de quatro décadas, negou direitos fundamentais, empobreceu, oprimiu, perseguiu, torturou, matou, condenou jovens à guerra e negou o acesso livre e igualitário ao conhecimento.

A Constituição da República inaugurou, na República Portuguesa, um novo regime assente num sistema político-constitucional. Foi com Abril que, pela primeira vez na história do País, foram reconhecidos ao povo português o direito universal à saúde gratuita, tornado possível pela criação do Serviço Nacional de Saúde. Foi também criado o Sistema Público de Segurança Social que, para além de apoiar os cidadãos no desemprego, na velhice e na invalidez, procura assegurar a igualdade de oportunidades, o bem-estar e a coesão social a todos os portugueses e estrangeiros residentes. Foi igualmente consagrado o direito à educação para todos, independentemente das suas origens e condições socioeconómicas. A revolução do 25 de Abril garantiu ainda o direito à fruição e criação cultural, social, desportiva e associativa, consagrou o direito ao trabalho digno, instituiu o direito à igualdade entre mulheres e homens, ao salário mínimo nacional, a férias pagas, entre tantos outros. Permitiu o acesso à justiça, ao poder local democrático e ao ambiente; consagrou o direito de expressão e de manifestação, o direito de greve e de actividade sindical com direcções sindicais livremente eleitas pelos trabalhadores. Com tudo isto, a revolução de Abril constituiu a base para o considerável desenvolvimento e melhoria de vida que se verificou posteriormente em Portugal.

Contudo, apesar das sucessivas políticas públicas e de todo o investimento executado por via do Orçamento de Estado e de Fundos Europeus Estruturais e de Investimento, temos assistido, em variados momentos da nossa história, ao longo de 49 anos de democracia, a uma degradação de alguns destes direitos conquistados com a Revolução de Abril e inscritos na Constituição da República. Por exemplo, ao longo de quase 50 anos de democracia, apesar de muitos avanços e conquistas – contrariamente ao espírito progressista que fundou os princípios da universalidade, solidariedade e igualdade – ainda não foi possível evitar que mais de dois milhões de portugueses vivam no limiar da pobreza, sem acesso a uma vida digna. Não se conseguiu evitar situações de ineficiência do Serviço Nacional de Saúde nem garantir a sustentabilidade do Sistema Público de Segurança Social. Não se conseguiu evitar a instabilidade do Sis-tema de Educação, com dezenas de milhares de alunos sem aulas por falta de professores, com uma crescente elitização do ensino, uma clara insatisfação por parte dos estudantes, professo-res e trabalhadores não docentes; uma classe docente envelhecida, desmotivada e desvalori-zada ao longo de várias décadas. Não se con-seguiu ainda superar situações de baixos salá-rios, horários de trabalho desregulados, falta de valorização das carreiras e precaridade laboral, que não permitem uma vida pessoal e familiar mais estável. Apesar dos evidentes progressos, não se conseguiu ainda, ao longo de quase meio século, combater mais eficazmente a discrimi-nação e a exclusão social, nem impedir o des-mantelamento de sectores produtivos estratégi-cos e centrais para a autonomia e afirmação na-cionais.

Por tudo isto, mais do que saudar e assinalar a Revolução de Abril, é importante assumir-se o compromisso de cumprir Abril, defendendo todos os dias os seus princípios e valores, pugnando pelo direito dos povos à autodeterminação, à paz, à justiça, à fraternidade e a todos os direitos e princípios inscritos na lei fundamental do país.

A Revolução de Abril permitiu ainda aos Trabalhadores reivindicar, pela primeira vez, o feriado nacional do 1º de Maio e celebrá-lo em liberdade. Reivindicar Maio é estar ao lado dos trabalhadores e dos seus representantes, continuando a apoiar as lutas pelo direitos que lhes são devidos, defendendo os direitos já alcançados e os que se afiguram ameaçados. Portanto, celebrar esta data é, não só, recordar o significado da luta pioneira dos operários de Chicago, mas também celebrar a luta passada e presente de todos os trabalhadores no mundo e, especialmente, dos trabalhadores portugueses e barreirenses que continuam a pugnar por um trabalho não precário e digno; por melhores condições de vida, por pensões e salários justos, pela valorização e qualificação do trabalho e pela possibilidade de conciliação do mesmo com a sua vida privada e familiar.

Assim, a Câmara Municipal do Barreiro, em reunião ordinária pública de 19 de Abril 2023, delibera:

- Saudar o 49º Aniversário da Revolução de Abril;

- Saudar o 1º de Maio – Aniversário do Dia do Trabalhador, bem como os trabalhadores e suas organizações representativas, manifestando solidariedade nas lutas por melhores condições de trabalho e de vida e pela defe-sa dos direitos consagrados na Constituição da República Portuguesa;

- Saudar a população do Barreiro e apelar à sua participação nas Comemorações do 25 de Abril e do 1º de Maio

- Manifestar oposição às práticas e políticas públicas que contrariem os princípios da universalidade, da solidariedade e da igualdade

Os Vereadores da CDU

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