Telenovela – Um lugar na históriaCapítulo IV
As teorias da história
Por Jornal Rostos
Chegou pelo correio uma Carta Anónima. Ele pegou na carta e começou a ler. Um sorriso descia pela sua face.
“Quero dizer-lhe que isto não é uma ameaça. Eu sei que meto medo, sei que nós metemos medo, mas não estou a ameaçar, como sou seu amigo, estou a avisar. Percebe ! Um abraço”
Era assim com estas palavras que a “Carta Anónima” fechava o longo discurso de quarenta e duas páginas.
Este é o primeiro passo para que se desenvolvam as “ teorias da perseguição”.
“Diga-me lá quem este aqui?” – perguntava a Raquel ao Belchior. O Belchior sorriu e continuou o seu caminho comentando : “Isto é ficção. Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência.”
Ela abriu a gaveta e mostrou a fotocópia, religiosamente guardada no fundo da gaveta. Aquele documento era uma relíquia. Era importante descobrir as personagens.
Voltou a fechar a gaveta e com ela a folha “documento” essencial, onde talvez estivesse a “ponta do iceberg”.
“Não é ninguém” – disse Belchior.
Ela sentou-se e começou a pensar nas palavras do Belchior. Colocou perguntas directas, procurando identificar as personagens.
É assim que se desenvolvem as “teorias da conspiração”...
“Olá estás cá hoje ?” – disse a Bibi, sorrindo, sem qualquer intenção. Ele olhou enfurecido : “ Não tenho que prestar contas a ninguém. Só vêem quando eu cá não estou” – comentou o Bilros.
A Bibi ficou estupefacta. Emudeceu. Encostou-se para trás na cadeira e jurou, para si mesma, nunca mais mandar “bocas”.
Foi para casa a pensar sobre este acontecimento. No dia seguinte, à hora do almoço, no Tavares, comentou o facto.
Chegou ao trabalho, ela, a Bibi, sentou-se e de imediato ligou-se ao computador. Ficou silenciosa e a jurar que nunca mais ia mandar bocas.
Entrou o Necas. Ela voltou-se para ele e disse-lhe : “Como podes ver estou a trabalhar! Podes colocar isso no Relatório ”. O Necas gritou, barafustou : “Pensas que sou algum fiscal ?!”
Os gritos escutavam-se na distância. Veio meio mundo ver o que estava a acontecer.
A Bibi sentou-se para trás na cadeira e voltou a jurar nunca mais tecer comentários, mandar bocas.
Mas estas coisas estão no sangue e a vida é mesmo assim...que começam as “teorias do silêncio”.
Preferiram ficar os dois sozinhos numa Mesa. Conversando. Olhando. Comentando. Do outro lado, por cima dos olhos, olhavam para eles sorrindo. Eles sentiam que eram observados. Sentiam a pressão dos olhares. Sorriam e divertiam-se. Eles sabem que estas coisas fazem parte do jogo, das relações de corredor.
Antes de sair cumprimentam-se. Todos sorriem mutuamente. Uma relação de tomar o pulso, medir tensões.
É assim que se desenvolvem as ...”teorias do politicamente correcto”.
Continua













