Telenovela– Um lugar na história
Capítulo VI
O medo e o futuro
Por Jornal Rostos
Ouviu-se um grito. A multidão meteu-se em casa. Fecharam as portas e janelas. Os filhos agarraram-se às saias das mães. Os pais encostaram os ouvidos, à escuta. O medo desceu sobre a cidade. Todos sabiam que quando ele chegava não vinha sozinho. Até os cães tremiam de medo. Todos tinham medo dele e deles. Um medo aterrador. Talvez pela sua forma de estar organizados, sempre muito unidos. Agiam em bloco, ou, talvez, até, porque eles tinham um comando centralizado.
Era o terror que estava instalado. O medo invadia a cidade. Sempre que eles eram noticia a cidade tremia.
Eles são mesmo uma verdadeira ameaça. Atacam pela calada da noite, quando a cidade dorme. Pintam paredes. Lançam folhetos anónimos. Lançam boatos dirigidos, com alvos seleccionados.
Eles sabem que metem medo a muita gente. Estão unidos, prontos para o combate.
Consta mesmo que vai realizar-se uma Conferência Internacional para analisar esta matéria : “A razão ou medo – que legítima o poder?!”
Há mesmo quem diga que esta conferência será decisiva para decidir o futuro. Porque eles não colocam em causa o actual poder, nem ameaçam o actual poder, apenas alertam que terão que haver alterações.
Contam-se as armas. Unem-se os aliados. O combate está prestes a começar...
O homem chegou à porta do Quintal. Olhou à sua volta e viu uma sombra. Chamou o cão e soltou. O cão correu para a mata. Ladrava, ladrava. O homem viu que o cão era um bom cão. Todos os cães são bons quando se tornam obedientes. E os melhores cães do mundo são aqueles que lambem as mãos do dono. A esses o dono dá-lhe os melhores ossos com carne.
Não há coisa mais bela do que ver um cãozinho a abanar o rabinho ao seu dono. O dono faz-lhe festas. Ele rebola-se pelo chão. Um bom dono é aquele que sabe estimar os seus cãezinhos.
Também há quem diga que um bom cão é aquele que mete medo. Que sabe rosnar. O dono nem precisa erguer a voz, bate o pé e o seu cão salta para a frente e faz tremer toda gente.
Um dia o homem mandou o seu mensageiro. O mensageiro chegou e disse-lhe – “Olha que ele já mudou muito. Ele já não está com quem estava. Ele agora até está contigo. Prefere-te a ti ao outro”.
Ele ficou a pensar. Se ele está comigo...ficou a pensar naquelas palavras. Chegou mesmo a acreditar que as coisas podiam ser diferentes.
Ele esqueceu-se de uma coisa : o homem não muda. Não muda porque, primeiro está ele, depois está ele, depois estão aqueles que lhe obedecem.
Agora começou a sentir sinais que o homem está, talvez, outra vez, a fazer-lhe um manguito. Das duas uma ou é um recuo, recuado, ou é um recuo para contra atacar. É que homem nunca está quieto, está no sangue dele a inveja – a mãe de todas as criticas. Ele funciona por ódios e invejas. Tem mesmo os reflexos condicionados. Mas é um santo...
O homem chamou-o e disse-lhe : corta, ouviste corta. É preciso irritá-lo. É preciso que ele sinta que somos nós que decidimos. Não importa o trabalho, ele que se lixe. Ao outro dá tudo, ao gajo corta. Ele há-de perceber quem manda. Ele há-de vir cá pedir. Ele tem a mania que é bom, mas ele há-de ver como vai pagar tudo e bem pago.
O homem esqueceu-se que o outro já conhece essa história, é uma história repetida e quando a história se repete já nem dá o mesmo gozo.
O homem esquece que não se afirma o valor da autoridade com a força poder, afirma-se a força do poder com o valor da autoridade. Há uma grande diferença. O poder é transitório. A autoridade é reconhecida.
O poder ganha-se e perde-se. A autoridade, mesmo na prisão, não deixa de ter esse valor.
Pode ser poesia, mas dá menos angústia. Dá para pensar e esquecer. E quando é uma história vista em reposição, com novos personagens, então dá mesmo para... sorrir !
Continua













