PCP Barreiro defendeTravessia do Tejo Barreiro- Chelas rodoviária e ferroviária

Por Jornal Rostos
“É sabido que o transporte ferroviário deve ter como elemento intrínseco a função eminentemente social, com características de transporte de grandes massas de passageiros e de mercadorias e com uma importância determinante para o ordenamento equilibrado do território e para o desenvolvimento harmonioso e sustentado da economia local e regional, podendo ajudar a ultrapassar as assimetrias regionais e a eliminar a marginalização do interior de Portugal.
Os últimos governos desenvolveram um processo e uma política ao arrepio desta perspectiva, direccionando os seus objectivos para a desvalorização e a destruição do caminho de ferro.
No entanto, foi com o governo do PS de António Guterres que o desmembramento assumiu maiores proporções, traduzindo-se no “partir” da CP, retirando-lhe uma área vital para o seu funcionamento como sistema de transportes – a infra-estrutura – e criando a REFER.
Também a criação e a acção do Instituto Nacional do Transporte Ferroviário se traduziu fundamentalmente na preparação e formalização do contrato leonino com a Fertagus (em favor desta), sem o pagamento de qualquer taxa de utilização da infra-estrutura e na imposição arbitrária à CP do pagamento de uma elevadíssima taxa.” – sublinha-se num documento aprovado no Encontro Concelhio do PCP.
Situação preocupante na Península
“Só de 1996 até final de 2003 houve uma redução de 27 % dos trabalhadores da CP e da REFER que são neste momento cerca de 10.000 trabalhadores e cujo peso na estrutura de custos representa apenas 30 %. O transporte de passageiros em 2003 foi de 133 milhões, quando em 1996 tinha sido de 177 milhões, isto é, menos 25 %.
Este panorama é ainda acompanhado pelos elevados aumentos dos défices de exploração anuais que na CP atingiu em 2003 cerca de 50 milhões de contos (247 milhões de euros) e na REFER cerca de 75 milhões de contos (370 milhões de euros).
Os governos do PS e do PSD/CDS – PP e as administrações das empresas são os únicos responsáveis por este descalabro!
A situação que se vive na Península de Setúbal é também preocupante. Recentemente os trabalhadores da Linha do Sado, foram confrontados com nova ameaça. Esta situação tem por base um documento interno da CP/Lisboa que a dado passo diz “que por via da redefinição a exploração neste eixo, a partir de 01 de Julho de 2005, é efectuado o Serviço Comercial apenas entre as Estações de Barreiro e Pinhal Novo, (sendo efectuado transbordo de passageiros para a Fertagus), e para o qual são necessárias apenas 3 das actuais 7 UTD (Unidade Tripla Diesel)” – fim de citação.
Tal situação, a verificar-se, é uma efectiva redução da oferta do Serviço Público aos Utentes desta Linha em favorecimento do Sector Privado (Fertagus), com o prejuízo das populações da Margem Sul e consequente diminuição dos postos de trabalho, quer na CP, quer na REFER. Tal situação põe em risco também os postos de trabalho nas Oficinas da EMEF no Barreiro. – salienta o PCP.
Tal situação teria reflexos muito negativos na Linha do Sado, pois limitaria a CP à zona Barreiro/Pinhal Novo (obrigando ao constante transbordo nesta última estação) à diminuição de comboios e ao aumento dos preços.” – salienta o PCP.
Neste contexto refere-se que o “PCP desde sempre apresentou soluções e exigências no sentido da valorização do caminho de ferro como um elemento estruturante de um verdadeiro sistema de transportes ao serviço do nosso Povo. Assim, perante a gravidade da situação, o Encontro Concelhio de Empresas e Sectores considera como questões fundamentais e essenciais para a defesa do sector ferroviário:
1.Parar com a redução dos postos de trabalho nas empresas do sector e revogar o Código do Trabalho;
2.Manter e modernizar as oficinas da EMEF no Barreiro, promovendo a reconversão dos trabalhadores, criando assim condições para que as reparações e manutenções possam ser feitas, quer de material diesel quer de material eléctrico;
3.Modernização rápida das infra – estruturas, nomeadamente electrificando na totalidade a Linha do Sado (Barreiro/Praias Sado), melhorando as velocidades e os níveis de segurança, aumentando o conforto comodidade, qualidade e quantidade dos serviços e assegurando a gratuitidade nos parques de estacionamento;
4.Exigir que as cidades do Barreiro e de Setúbal voltem a ser servidas pelos comboios de médio e longo curso – Inter Cidades, Inter Regionais e Regionais;
5.Exigir que a 3ª travessia do Tejo entre Barreiro e Chelas contemple os modos de transporte rodoviário e ferroviário, por forma a melhorar a ligação entre as duas margens da Área Metropolitana de Lisboa;
6.Assegurar uma perfeita complementaridade com os restantes modos de transportes, com adequados interfaces e terminais multi–modais, no contexto de um verdadeiro sistema de transportes, integrado no ordenamento do território e no desenvolvimento harmonioso e sustentado das regiões.
Por estas razões salienta-se que : “O PCP, como sempre, exige soluções que tenham como fio condutor a valorização do caminho de ferro como um elemento fundamental de um verdadeiro sistema de transportes ao serviço do País, dos trabalhadores e dos utentes. Um caminho de ferro ao serviço do progresso, do desenvolvimento e do interesse e soberania nacionais.”













