No Encerramento da Festa do AvanteJerónimo de Sousa oposição à ditadura do défice

Por Jornal Rostos
No seu discurso de encerramento da Festa do Avante, Jerónimo Sousa, Secretário Geral do PCP, recordou que “estamos no limiar do ano 30 da Festa do «Avante!». Num tempo fustigado por ventos hostis ao progresso social, à solidariedade, à acção colectiva, em que abundam os apelos ao conformismo e em que prevalecem os valores do individualismo, do egoísmo e do “salve-se quem puder”, sentimo-nos emocionados e orgulhosos por ver e viver esta obra fascinante resultado da militância comunista e do esforço humano onde todos e cada um se sente protagonista desta Festa política, popular, artística e cultural, que comporta uma dimensão de liberdade, democracia e futuro.”
Recordar Álvaro Cunhal
O líder do PCP recordou Vasco Gonçalves e Álvaro Cunhal´, referindo este – “como exemplo o seu carácter, a sua coragem física, política, ideológica e moral, a sua acção e obra revolucionárias, a sua luta patriótica e internacionalista como elementos intrínsecos e património do seu Partido”.
Jerónimo Sousa sublinhou que a Festa realizou-se no ano em que se comemora o 60º aniversário da Vitória sobre o nazi-fascismo e o fim da 2ª Guerra Mundial.
Na sua opinião “um acontecimento histórico” que “Ninguém sabe melhor que os comunistas os sacrifícios que foi necessário suportar para resistir e derrotar o fascismo. Ninguém, em Portugal e no mundo, se bateu mais que os comunistas, primeiro contra o desencadeamento da guerra, e depois para vencer as hordas nazis e por fim à guerra.”
Não reescrever a história
O líder do PCP salientou que – “É preciso não permitir que a história seja rescrita para branquear o fascismo, obscurecer e mesmo caluniar o papel dos comunistas e a superioridade dos seus ideais, absolver o grande capital dos seus crimes, justificar na actualidade a ofensiva exploradora e agressiva do imperialismo.”
Neste contexto sublinhou que – “No nosso país, em matéria de política externa e de defesa nacional o governo do PS segue na mesma senda dos governos anteriores. A lamentável figura de Freitas do Amaral diante de uma Condoleeza Rice sobranceira e de um insolente George Bush é indigna do Portugal democrático.”
Ditadura do défice
Referindo-se à vida politica nacional Jerónimo Sousa recordou que – “seis meses passados de governo do PS, os portugueses que acreditaram e alimentaram a esperança que com a derrota da direita, Portugal seguiria um novo rumo, o prometido novo rumo para debelar a crise e resolver os problemas nacionais, sentem-se hoje defraudados e com razão.
Aqueles que acreditavam na mudança, viam em cada medida do novo governo esfumar-se essa esperança. Tal como viam dissipar-se o cumprimento das promessas eleitorais.”
Referiu o líder do PCP – “Dissemos que o aumento dos impostos, dos combustíveis, o corte no investimento, a política de restrição orçamental e de ataque aos direitos de quem trabalha não eram apenas medidas injustas que mais uma vez se dirigiam aos mesmos de sempre – aos trabalhadores, aos reformados, aos pequenos e médios empresários – mas eram também meio caminho andado para a recessão, medidas que apenas aprofundariam a crise.
Para o Governo, em vez de se privilegiar o crescimento económico e o fortalecimento do aparelho produtivo como meio de combater o défice, o combate ao défice passou a comandar toda a política económica, entravando o crescimento, numa concepção redutora, orçamentista e monetarista. Os resultados estão aí.”
Acrescentou que – “Da nossa parte queremos desde já anunciar a nossa oposição à ditadura do défice e que não abdicaremos de, no âmbito do próximo Orçamento, propor designadamente:
— a valorização das prestações sociais, seja das pensões mínimas, seja das restantes prestações sociais;
— o aumento dos salários dos trabalhadores da Função Pública;
— o fim do regime de isenção de off-shore da Madeira e dos benefícios fiscais às privatizações, à especulação bolsista e imobiliária.
A maioria PS e seu Governo anunciaram-se os portadores da confiança mas o que todos os dias alimentam é o pessimismo, com as suas medidas restritivas e recessivas, enredando o país no ciclo vicioso da estagnação e da recessão e condenando-o o ao marasmo por muitos anos, correndo-se o real o risco de chegar ao fim deste ciclo político – tal como aconteceu com Durão e Santana em que também foram pedidos sacrifícios para salvar o país – numa situação ainda mais frágil do que a que temos hoje.”
Autárquicas reforçar CDU
Sobre as eleições autárquicas, Jerónimo Sousa referiu que – “constituem uma importante batalha política. Nas próximas quatro semanas muita da energia e disponibilidade de milhares de militantes do PCP e activistas da CDU estará concentrada nesta importante batalha política para que a possamos travar com êxito e confirmar a CDU como uma grande força autárquica nacional.”
Os objectivos que apontou foram – “reforçar a presença da CDU nas autarquias no próximo dia 9 de Outubro é também assegurar uma presença indispensável ao funcionamento democrático das autarquias, garantir uma intervenção construtiva e fiscalizadora da actividade do poder local, assegurar uma voz insubstituível de representação e defesa dos interesses populares.”
Presidenciais até ao fim
“Sendo a batalha das autárquicas a nossa prioridade mais próxima e na qual nos devemos empenhar decididamente, vão seguir-se as eleições para a Presidência da República.
São eleições de grande significado no actual contexto político,
em primeiro lugar, porque os problemas do país em consequência dos danos da política de direita são muito graves e é necessário afirmar um caminho alternativo;
em segundo lugar, porque nunca a direita se conformou pelas derrotas sucessivas que sofreu em todas as eleições presidenciais;
em terceiro lugar, porque se multiplicam as vozes e os sinais dos que, receando estar esgotado o modelo da alternância, receando que o povo português precise e identifique as políticas de direita exigindo a ruptura e a mudança, vão insinuando que a culpa está no sistema democrático e avançando com soluções autocráticas. Para uma melhor compreensão política do que está em causa é preciso revisitar as propostas de alteração e demolição da Constituição defendidas pelo PSD e CDS” – salientou Jerónimo Sousa.
Na sua opinião – “De forma hábil, jogando nas contradições e hesitações existentes no campo democrático foi sendo construída a candidatura de Cavaco Silva, podendo hoje dizer-se que tal candidatura não é “gato escondido com rabo de fora”. É mais “gato de fora com o rabo escondido” (salvo seja!). Tanto nos apoios como nos objectivos.
Num quadro de agravamento da situação política e social em que o Governo PS assume particulares e principais responsabilidades, e no quadro das nossas decisões congressuais, decidimos avançar com uma candidatura própria com o significado que tem de ser o próprio Secretário-geral a assumi-la, por decisão do Comité Central.
Uma candidatura que, afirmando o nosso projecto, causas e valores, única na afirmação da necessidade de ruptura com esta política de direita e que propõe uma política alternativa, determinada na defesa da soberania nacional, insubstituível na contribuição para derrotar o candidato de direita, dará voz e esperança a muitas portuguesas e portugueses, pronta para ir ao combate até ao voto.”













