O Governo e as Obras PúblicasOTA um erro gravíssimo para o futuro
“Para quando uma solução para o Metro da Margem Sul?” – é uma das interrogações colocadas pelo deputado social democrata, Luís Rodrigues, eleito pelo Distrito de Setúbal, na sessão de perguntas ao governo.

Por Jornal Rostos
Na SESSÃO DE PERGUNTAS AO GOVERNO NO ÂMBITO DAS OBRAS PÚBLICAS, TRANSPORTES E COMUNICAÇÕES, realizada no dia 13 de Janeiro, o DEPUTADO LUIS RODRIGUES, eleito PSD, pelo Distrito de Setúbal, efectuou a intervenção, que remeteu para a nossa redacção.
Aqui fica o registo integral da intervenção do Deputado Social Democrata.
Sr. Presidente da Assembleia da República
Sr. Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações
Sr.ªs e Sr.s Deputados
O Sr. Ministro das Finanças veio esta semana afirmar que num prazo de 10 anos o sistema de segurança social público vai ter graves problemas de financiamento.
Este facto, infelizmente, não é um caso isolado do estado em que estão as finanças públicas portuguesas.
Esta situação aliada ao aumento previsto pelo governo para o desemprego, não augura nada de bom para os próximos tempos.
Numa altura de “apertar o cinto” com os salários a crescerem menos do que a inflação esperada, com as taxas de juro a subirem, como é que é possível este Governo não dar ouvidos a quem o alerta para o erro que é estar a avançar para obras faraónicas cujo retorno é duvidoso e no caso da OTA considero ser um erro gravíssimo para o futuro. É um erro que não se apagará com qualquer esponja num quadro tão negro como é aquele em que o Partido Socialista quer meter os portugueses.
Quem vier a seguir que pague a factura.
Estes e outros negócios, que implicam aumento exponencial do endividamento do Estado, fazem-me sentir que Portugal está a ser vendido e retalhado aos poucos.
A arrogância da maioria absoluta leva o Sr. Ministro a afirmar, a propósito de um direito cívico que diversos cidadãos do Norte exerceram entregando uma carta aberta solicitando a realização de um referendo nacional sobre a OTA e o TGV, que quem ganha manda, por outras palavras, quem ganha decide as obras que quer fazer, independentemente de serem erros estratégicos no modelo e no tempo.
Esta postura arrogante de quem tudo sabe da maioria absoluta do Partido Socialista é a imagem de marca do Sr. Primeiro Ministro que tem em V. Ex.ª um bom aluno.
As acções de propaganda política e de marketing que foram as apresentações das duas intenções de projectos, tentando acabar com a contestação a estes (mas que felizmente não o conseguiram), não passaram disso mesmo.
No caso do TGV o projecto nem sequer está todo definido, nem poderia estar Sr. Ministro, nomeadamente nas suas entradas nas duas principais cidades portuguesas, Lisboa e Porto.
V. Ex.ª sabe porquê.
Devido à obstinação impensada V. Ex.ª cometeu um erro de palmatória.
Como é que é possível estudar estes dois projectos em separado?
Condicionando a rede de alta velocidade à localização do aeroporto na OTA este Governo criou um atoleiro de onde não consegue sair.
Maior que este atoleiro só o que V. Ex.ª pode encontrar nos terrenos que escolheu para a construção do novo aeroporto na OTA.
Um novo aeroporto em Lisboa e a rede de alta velocidade ferroviária, que a seu tempo será construída, servem em parte os mesmos utilizadores. Não é possível sem um estudo estratégico integrado destes dois modos de transporte, englobando a rede aeroportuária nacional e a rede ferroviária convencional e de alta velocidade, decidir em consciência soluções para infraestruturas que sirvam o País por largas dezenas de anos.
Na apresentação do novo aeroporto o
Sr. Ministro disse que essa infraestrutura não custaria nada aos portugueses, mas, posteriormente, também afirmou que ainda não tinha executado o estudo de viabilidade económico-financeira do projecto.
Se não havia estudo como é que o Sr. Ministro pode afirmar taxativamente que o novo aeroporto não iria custar nada aos bolsos dos portugueses?
Com tantos mil milhões de investimento o Governo tenta criar ilusões na cabeça dos cidadãos.
Quando depois descemos à realidade o que é que se vê?
Entidades como a Prevenção Rodoviária Portuguesa, que tem desenvolvido actividades do maior interesse para todos os cidadãos, principalmente os mais jovens, não tem dinheiro para continuar a prestar os bons serviços à comunidade nacional por via de decisões governamentais recentes. Tantos milhões a voar e muitos a faltar no terreno.
Sr. Ministro como é que vai contribuir para resolver este problema que é da PRP, mas é também de todos nós?
Tantos milhões anunciados, tantas ilusões criadas para o futuro e os problemas por resolver com que o Governo está confrontado hoje.
Sr. Ministro
O Metro do Porto até para comprar agrafes tem de vir ao Terreiro do Paço.
Para quando a definição do modelo de gestão?
Para quando a definição dos projectos futuros do Metro do Porto?
Para quando o avanço do Metro do Mondego?
Para quando uma solução para o Metro da Margem Sul?
Quem vai pagar pelo atraso de mais de um ano neste projecto?
A esta pergunta Sr. Ministro respondo eu.
Vão pagar os portugueses do seu bolso pela inacção do seu Governo.
Por último não me esqueço.
Sr. Ministro
Onde está a listagem dos 200 projectos no valor de 25 mil milhões de euros que integram o Plano de Investimentos em Infraestruturas Prioritárias?













