PCP Barreiro“Não foi o país que ganhou em estabilidade mas sim a política de direita”

Por Jornal Rostos
“As eleições Presidenciais do passado dia 22 de Janeiro ficam marcadas por dois elementos: a eleição de Cavaco Silva e uma grande votação obtida pela candidatura de Jerónimo de Sousa, o que constitui um estímulo para a afirmação do projecto que a norteou e uma garantia de que prosseguirá com confiança e determinação o combate por um Portugal com futuro” – sublinha a Comissão Concelhia do Barreiro do PCP.
Eleição de Cavaco Silva marca negativamente o resultado
Segundo refere a Comissão Concelhia do PCP - “A eleição de Cavaco Silva à primeira volta marca negativamente o resultado da presente eleição para a Presidência da República. Há entretanto que notar o facto de este resultado se ter verificado por uma pequena margem de votos bem distante das coroações antecipadas que alguns lhe vaticinavam. Um resultado que revela pela escassa margem verificada, ter estado ao alcance dos que a ele se opunham e impor-lhe a derrota que o seu projecto exigia, se tivesse existido em outras forças políticas, o empenhamento com que o PCP travou esta batalha.
Suportada numa campanha ao serviço da qual se concentraram os mais poderosos meios económicos, beneficiando de apoios e simpatias indisfarçáveis dos principais grupos de comunicação social e projectada para branquear o passado do candidato e esconder os seus projectos e ambições para o futuro, a direita logrou, trinta anos volvidos sobre o 25 de Abril, apoderar-se deste órgão de soberania.
Num quadro em que sem hesitações e com determinação sempre alertámos para os riscos e consequências da vitória do candidato da direita e, com clareza, erguemos o objectivo de o impedir, não é possível deixar de chamar a atenção para o conjunto de factores que favoreceram a eleição de Cavaco Silva.”´
Rendição antecipada que o PS protagonizou
“Na verdade Cavaco Silva beneficiou (para além dos poderosos meios e facilidades) das hesitações, atitudes e posicionamentos do PS, e do seu Governo, que desde a primeira hora contribuíram para ampliar as possibilidades eleitorais de Cavaco Silva. As hesitações e ambiguidades que marcaram desde sempre a posição do PS, a notória falta de empenhamento posta na campanha associada ao baixar de braços e à resignação patenteada pela direcção do PS perante as exigências deste combate político jogaram a favor do desfecho final destas eleições.
A isto se associou ainda, e não com menor peso, o aumento do descontentamento social que o prosseguimento da política de direita do Governo de Sócrates e a multiplicação de decisões anti-populares (algumas das quais tomadas durante o período eleitoral) legitimamente gerou e do qual Cavaco Silva soube, hipocritamente, reverter a seu favor.
Ao contrário do que alguns, para iludir as suas responsabilidades, sustentam, uma das vantagens de que Cavaco beneficiou residiu, não na existência de mais do que um candidato à sua esquerda, mas sim, nas divisões, desmobilização e rendição antecipada que o PS protagonizou, bem patente na simples leitura dos resultados eleitorais.” – acrescenta o comunicado da organização concelhia do PCP.
A eleição de Cavaco Silva introduz factores negativos
“Com a vitória de Cavaco Silva não foi o país que ganhou em estabilidade mas sim a política de direita e as condições para ser prosseguida. Com a vitória de Cavaco Silva é, não Abril e a Constituição que saem defendidos e reforçados, mas sim, a aspiração à liquidação de direitos e ao apagamento de importantes conquistas de Abril que os sectores mais reaccionários do capital nacional há muito formulam.
Como repetidamente prevenimos a eleição de Cavaco Silva introduz factores negativos no actual quadro político e social e não deixará de animar os sectores mais reaccionários e revanchistas da direita e do grande capital e o seu desejo de voragem dos recursos e da riqueza nacional, o que torna mais exigente e complexa a luta por uma ruptura democrática e de esquerda com a política de direita.” – refere o comunicado do PCP.
Resultado de Jerónimo Sousa no representa um avanço
“O resultado obtido por Jerónimo Sousa no concelho do Barreiro, acima dos 30 %, muito acima das últimas eleições presidenciais, representa um avanço se comparado com o resultado obtido pela CDU nas Legislativas de 2005 e traduzindo-se na vitória em 5 das 8 freguesias. Este resultado constitui, apesar e sem prejuízo do desfecho negativo que a eleição de Cavaco traduz, um importante sucesso eleitoral e um factor de ânimo para os que não se conformam com a política de direita e acreditam que não só é necessário como é possível uma alternativa e uma política de esquerda que reponha a esperança num Portugal melhor e com futuro.
Este resultado, confirmando a corrente de apoio que acompanhou a candidatura de Jerónimo Sousa, é sobretudo um sinal de confiança de muitos milhares de eleitores do nosso concelho que não se resignando perante as injustiças e as desigualdades acreditam que é possível um novo rumo para o país. A todos eles, aos trabalhadores e ao povo do concelho do Barreiro, a Comissão Concelhia do Barreiro do PCP reafirma a inabalável determinação de honrar o apoio recebido e de prosseguir o trabalho e a luta em defesa dos direitos e conquistas sociais, pela melhoria das condições de vida, por uma viragem democrática e de esquerda na vida política nacional” – salienta a Comissão Concelhia do PCP.
Uma clara opção pelo lado dos trabalhadores
A finalizar a Comissão Concelhia do Barreiro do PCP “saúda todo quantos com a sua acção, o seu apoio, a sua palavra de simpatia ou incentivo deram força a esta candidatura e aos valores de Abril que comporta; todos quantos reconheceram nesta candidatura uma clara opção pelo lado dos trabalhadores, dos pequenos e médios empresários, dos reformados, dos mais injustiçados; todos quantos com o seu apoio e o seu voto elevaram mais alto a exigência de uma ruptura democrática e de esquerda com as políticas de direita que tantas dificuldades têm lançado sobre o povo e o país.
A todos eles, aos trabalhadores e ao povo do concelho do Barreiro reafirmamos que o seu apoio e os seus votos encontrarão no projecto colectivo pelo qual lutamos – hoje, amanhã e sempre – uma presença activa na defesa dos seus direitos e das suas aspirações a uma vida melhor.”













