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Bastidores

Partido Socialista – Barreiro (I)Debate entre os candidatos à liderança
Abre o PS caminhos para um novo futuro?

Segundo Amílcar Romano, Luís Ferreira tem uma “postura elitista” e faz “propostas intelectuais”.
Luís Ferreira sublinhou que defende “princípios de coesão” e considerou que “mais que uma luta entre tribos, o importante é unir o PS”.

11 min de leitura
Partido Socialista – Barreiro (I) Debate entre os candidatos à liderança Abre o PS caminhos para um novo futuro?

Por Jornal Rostos

Um frente a frente entre Amílcar Romano e Luís Ferreira abriu, para a opinião pública a discussão da liderança do Partido Socialista, no concelho do Barreiro.
O debate começou e findou com declarações de Luís Ferreira, de acordo com um sorteio.
Foi um debate vivo e animado. Uma experiência dinâmica da vida democrática no seio de um partido politico.
Sendo um debate aberto a todos os interessados, as presenças foram essencialmente de militantes ou simpatizantes do Partido Socialista.

Debate jornal “Rostos”

O jornal “Rostos” não participou no painel de jornalistas convidados, como foi dito às duas candidaturas, porque vai promover um debate de iniciativa própria para o qual já tinha, atempadamente, antes deste debate ser anunciado convidado as duas candidaturas.
Assim, desde a primeira hora, mesmo antes de este debate surgir que, como foi referido, foi “proposto pelo PS” de acordo com os jornalistas, e não foi uma proposta dos jornais, já estava formulado o nosso convite de realização de um debate aberto à comunidade.
Mantemos a realização desse debate, para o próximo dia 22 de Março, pelas 21,30 horas, no Auditório 6 de Janeiro, na SFAL, no Lavradio.
Luís Ferreira já confirmou presença. A candidatura de Amílcar Romano, manifestou abertura para participar mas ainda não confirmou a presença.
Da nossa parte iremos promover o debate sobre as eleições no Partido Socialista.
Um debate aberto á comunidade.

Um debate animado

No Auditório da Biblioteca Municipal do Barreiro realizou-se um debate que colocou “frente a frente” os dois candidatos à liderança da Comissão Política Concelhia do Partido Socialista – Luís Ferreira e Amílcar Romano.
Foi um debate animado que permitiu conhecer as perspectivas de acção política dos dois protagonistas nesta fase de “arrumação” da vida interna dos socialistas no Barreiro.
O debate foi moderado por Carla Cerqueira, do Diário do Barreiro; Luís Zuzarte, da Voz do Barreiro e Luís Geirinhas, do Notícias do Barreiro.

A política não é uma mercearia de almas

A primeira pergunta do debate visou dar a conhecer o percurso de cada um dos candidatos à liderança.
Luís Ferreira referiu que tem 32 anos, é militante do Partido Socialista há 13 anos e que viveu a sua vida politica nas sedes do Partido Socialista, referiu a sua actividade de dirigente académico na Faculdade de Letras de Lisboa, sendo a sua formação na área da Filosofia.
Na sua intervenção criticou aqueles que procuram “promover o ódio tribal” no seio do Partido Socialista, e sublinhou que não se pode assistir de forma passiva à “progressiva descaracterização ideológica do PS”, que, salientou “não pode funcionar como “um albergue espanhol”.
Luís Ferreira sublinhou que defende a valorização da “vertente da democracia” na vida interna do Partido Socialista, acrescentando que “nunca encarei a política como uma mercearia de almas”, ou com base no princípio que “todos os homens terão o seu preço”.
Na sua intervenção referiu que é importante no PS Barreiro “reequacionar a democracia”, e assumir “compromissos de renovação e coesão”.
A finalizar sublinhou que não vê sente o “Partido Socialista como uma máquina de assalto ao poder”.

Defensor de causas e projectos

Amílcar Romano, referiu que “precisaria muito tempo” para falar do seu percurso político, recordou que aos 11 anos participou na “primeira manifestação”, reconhecendo esse momento como a sua primeira “atitude critica”.
Sublinhou que no período após o 25 de Abril integrou “um partido de extrema-esquerda”, tempo que considerou de muitas vivências politicas.
Referiu que, no plano associativo foi fundador da APEF, tendo em vista a “afirmação da Educação Física no sistema Educativo”.
Recordou que foi Presidente do Conselho Directivo da Escola Mendonça Furtado, onde deu um contributo para a construção das novas instalações, lutando contra “o braço de ferro que o PCP criou”.
Salientou que foi Presidente da Mesa da Assembleia-geral da Santa Casa da Misericórdia do Barreiro, em tempos difíceis.
Em 1996, a convite de Carlos Pires, referiu “sem compromissos ou negócio” porque “nunca pedi nada”, porque foi sempre um “defensor de causas e projectos”.
Sublinhou que iniciou a sua relação com o Partido Socialista, “através de Aires de Carvalho”, que lhe dizia sendo ele “independente tinha uma militância mais activa que muitos militantes”.
Salientou que em 1997 integrou a equipa para a Câmara Municipal do Barreiro, então liderada por Leal da Silva, sendo dinamizado um “trabalho de equipa”, entre 1997 e 2001.
Recordou que em 2001, entrou na equipa de Emídio Xavier que classificou como um mandato de “trabalho e grande persistência”.
Na sua opinião com a derrota do Partido Socialista, nas últimas autárquicas, “perdemos todo e perdeu o partido”.
E, a finalizar, considerou que está a “lutar pela liderança do PS” porque o “PS está fragilizado” e “precisa de trabalho”.

Xavier não teve o apoio da estrutura partidária

A segunda pergunta visou saber dos dois candidatos a visão que têm da gestão socialista na Câmara Municipal do Barreiro.
Amílcar Romano salientou que o Barreiro foi sempre uma “terra de oposição, uma terra de esquerda, gerida pelo PCP, num quadro de grande ortodoxia”.
Referiu que quando o PS chegou à Câmara Municipal do Barreiro “a máquina estava montada à imagem do PCP”.
Sublinhou que o PS “assumiu a resolução dos problemas do Barreiro” e que Emídio Xavier contribuiu para implementar uma nova “relação com as empresas e com os Governos” e “estruturou projectos para o Barreiro”.
Na sua opinião “não teve o apoio da estrutura partidária”, nem na vida do partido, “nem apoio à actividade da CMB”.
Na sua opinião, “com outro tipo de apoios os resultados seriam diferentes”.

PS trouxe uma visão estratégica para a cidade

Luís Ferreira, salientou que “o PS trouxe uma visão estratégica para a cidade” que não “houve durante anos”.
Sublinhou que com a gestão socialista “houve condições de captar investimentos” que marcou o contraste coma gestão CDU, deu como exemplo o projecto Fórum Barreiro. Na sua opinião Emídio Xavier foi o catalisador deste projecto, referindo, igualmente, o projecto “Cidade do Cinema” como um investimento que pode vir a “requalificar o tecido social do concelho”.
Luís Ferreira referiu que o concelho do Barreiro foi aquele que na Península de Setúbal e na AML perdeu mais habitantes, “cerca de 20 mil habitantes”, e, na sua opinião, o “PS estancou essa sangria”.
Salientou que o PS no Poder Local dialogou com o governo e concretizou projectos, como o POLIS e a Passagem desnivelada da Recosta.
Na sua opinião, na gestão socialista registou-se “uma diminuição do clima de crispação politica” e, hoje, “não vale a pena acenar com o papão do comunismo”, porque “a mudança da CDU resulta da descompressão da gestão do PS”.
Recordou a discussão do Plano Municipal do Ambiente que “motivou as pessoas participar na discussão da cidade”.
Mas, na sua opinião, na gestão socialista “claudicámos na estrutura da Câmara” e “fracassamos na gestão do quotidiano”, nomeadamente, “nas áreas sociais não introduzimos mecanismos de ruptura com a gestão da CDU”.
Na sua intervenção não concordou que o PS “não tenha sido solidário” com a gestão, sublinha é que “o PS fechou-se” e que “o PS deixou de ser ouvido”.
Na sua opinião, “dialogou-se com os cidadãos” mas no seio do PS “cultivámos a intolerância critica”.

Modelo de participação e militância

A terceira pergunta procurou conhecer as medidas que os candidatos apresentam nas suas candidaturas.
Luís Ferreira, referiu que as propostas que apresenta de “reorganização do Partido Socialista” visam estimular a “cultura de partido” e considerou que os “partidos têm que sofrer mutações”.
Na sua opinião o PS tem que ser contraponto à CDU, “ao ser poder alternativo”.
Salientou que o modelo de PS que defende é um modelo de “participação, de militância, não tem a ver com elites politicas”, criticando aqueles que por serem poder “acham que têm que ter distanciamento”.
“Não é um projecto para substituir dirigentes, é preciso fazer um ponte com a história” – sublinhou Luís Ferreira.

A CMB não perdeu, quem perdeu foi o partido

Amílcar Romano começou por criticar Luís Ferreira por na última Convenção do PS ter feito “criticas tão despropositadas”, criticando a Câmara e Emídio Xavier, “fundamentando-se em opiniões do PCP e do PSD”, e, na sua opinião, se assim é, “alguma coisa está errada”.
Referiu que Luís Ferreira “não conhece o concelho e a sua história” e, por essa razão “não consegue perspectivar uma estratégia política”.
Segundo Amílcar Romano, Luís Ferreira tem uma “postura elitista” e faz “propostas intelectuais”.
“O PS tem que fundamentar a sua estratégia em conhecimento” – sublinhou Amílcar Romano.
Recordou que Luís Ferreira não “esteva na campanha eleitoral”, nem em 1997, nem em 2001 – “apareceu em 2004, a fazer criticas esfarrapadas e descontextualizadas”.
Na sua intervenção Amílcar Romano, referiu Não compreender “posturas politicas de critica fácil ao Executivo” e considerou que a retaguarda do PS não funcionou.
“A CMB não perdeu, quem perdeu foi o partido. O partido não é Emídio Xavier” – salientou Amílcar Romano.
Recordou, igualmente, que as pessoas que estavam na Comissão Técnica Eleitoral – “essas não estão comigo e eu compreendo”.

Quem dividiu o PS foi o Amílcar Romano

Luís Ferreira, salientou que no dia 9 de Outubro, participou na elaboração de um comunicado lançando um apelo aos militantes e um abraço solidário a Emídio Xavier, enquanto em jornais locais, apareceram artigos a exigir a demissão de Emídio Xavier.
“Não reconheço que Emídio Xavier seja uma pessoa com apego ao Poder” – salientou.
Amílcar Romano, interrogou : “Fui eu que escrevi o artigo?”
Luís Ferreira respondeu : “O Amílcar não escreve, ninguém conhece um artigo seu”.
Luís Ferreira recordou, ainda, que foi á Assembleia Municipal do Barreiro, intervir para defender o PS.
Na sua intervenção, salientou que “Amílcar Romano tem arregimentado mercenários do ódio” e afirmou – “Quem dividiu o PS foi o Amílcar Romano. Quem preparou um exército para tomar conta do PS no Barreiro, foi o Amílcar Romano”.
Luís Ferreira sublinhou que defende “princípios de coesão” e considerou que “mais que uma luta entre tribos, o importante é unir o PS”.
“Quem quer uma cultura de ódio é o Amílcar Romano “ – sublinhou Luís Ferreira.
E a encerrar, lançou um apelo a Amílcar Romano para estar disponível para trabalhar, com ele como Presidente da Comissão Politica Concelhia, a partir do dia 26 de Março.

Um candidato que começou

Amílcar Romano, criticou a linguagem de Luís Ferreira que fala em “arregimentar um exército de mercenários” e considerou que Luís Ferreira é “um candidato que começou”, sublinhando que “as pessoas não votam em si, votam nos seus apoiantes” e considerou que a candidatura de Luís Ferreira “é tudo menos unir o Partido”.

Campanhas de difamação e calúnia

Luís Ferreira, dirigindo-se a Amílcar Romano sublinhou “não comece já a recuar como é o seu costume” e a propósito de linguagem recordou a “blogosfera, onde anónimos combatia uns e outros e uns aos outros”.
Por outro lado, recordou que ainda hoje, nos blogs, que apoiam Amílcar Romano, se fazem “campanhas de difamação e calúnia” rotulando aqueles que me apoiam de “piratas” e a mim de “bobo da festa”.
Luís Ferreira sublinhou que apresenta um projecto pela positiva, enquanto o “projecto de Amílcar Romano é um bom modelo para uma Repartição de Finanças, não tem alma. Eu quero um PS com alma”.
Referiu, igualmente, que defende um “processo de primárias” na escolha de candidatos e criticou o facto de a Comissão Politica ter feito, nas últimas autárquicas, a avocação das listas das freguesias.

Apresentou dez princípios de retórica

Amílcar Romano, considerou que Luís Ferreira na apresentação da sua candidatura “apresentou dez princípios de retórica, sem conteúdo programático” e salientou que posteriormente o João Pintassilgo “deu-lhe algumas luzes”.
Segundo Amílcar Romano no projecto político de Luis Ferreira as “opções de futuro não estão enquadradas no partido” e têm uma “lógica desfasada no tempo, que é de quem não conhece o partido”.
Amílcar Romano defendeu que considera necessário “maior responsabilidade dos órgãos, como Comissão Politica, Secretariado e Secções”.
Referiu que é “preciso criar uma equipa de trabalho”, assim como “debater as questões por freguesias, por bairros” e, salientou que “o modelo de organização de finanças é outro”.

O debate prosseguiu, abordando outros aspectos, nomeadamente, as perspectivas para as eleições de 2009, a vida social do concelho, a vida interna do PS e as declarações finais.
Reservamos essas matérias para um outro apontamento de reportagem.

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