Apelo à consciência dos povos“Não permitiremos, com o nosso silêncio, que a história se repita”

Por Jornal Rostos
“Por diversas vezes, na história, intelectuais têm assumido o dever, entendido simultaneamente como direito, de lançar um grito de alerta.
O momento actual clama por um veemente apelo à consciência dos povos. Estamos perante um crescendo de irracionalidade brutal, cuja principal origem não reside, como afirma a ideologia dominante, na violência inata de grupos humanos atrasados e fanatizados, mas sim no sistema globalizado de exploração, domínio e opressão que espalha à escala planetária violência, agressão, atraso e miséria” – refere-se num “Apelo à consciência dos Povos”, subscrito por diversos intelectuais portugueses, entre os quais José Saramago, Prémio Nobel da Literatura.
Pretendem perseguir e reprimir a liberdade
“Foi num ambiente semelhante que, há menos de um século, germinaram as ideologias e os regimes fascistas e nazi-fascistas protagonistas das maiores tragédias que a humanidade viveu até hoje. É nesse ambiente que renascem e ganham fôlego novas expressões do mesmo flagelo.
Hoje, como então, avançam sob a capa do anticomunismo. Clamam pela criminalização, a perseguição, a proibição da existência e da acção dos comunistas. Mas o que pretendem de facto criminalizar, perseguir e reprimir é a liberdade, a democracia, o direito dos trabalhadores, dos cidadãos, dos povos à resistência e à luta por direitos humanos, pelo simples direito a sonhar, sequer, que outra sociedade é possível” – salientam os subscritores do Apelo.
Conselho da Europa aprova resolução anticomunista
“Não usam, hoje, camisas negras ou castanhas os porta vozes deste sombrio programa. Vestem fato e gravata e têm assento em importantes organismos internacionais.
Quiseram aprovar no Conselho da Europa uma resolução anticomunista que, se aplicada, teria como consequência uma implacável escalada persecutória, de repressão e de violência, não apenas contra os comunistas mas contra todos os que resistem e lutam contra o intolerável estado de coisas hoje dominante. Há muito que não era ouvida com tanta clareza, numa instituição europeia, a voz secular da opressão, do ódio à duríssima marcha da emancipação humana” – referem os subscritores do “Apelo à Consci~encia dos Povos”.
Não deixaremos que se repitam tragédias que marcaram a horror
“Conhecemos, por dolorosa memória histórica, o significado destes sinais.
Este é, por isso, o momento para exercermos o dever e o direito de lançar um vigoroso e urgente grito de alerta.
Independentemente de diferentes apreciações individuais sobre várias das matérias em causa, não deixaremos que, com o nosso silêncio, se repitam actos e tragédias que marcaram a horror e a fogo a face dos povos.
Não permitiremos, com o nosso silêncio, que a história se repita” – referem a finalizar os intelectuais portugueses que subscrevem o manifesto que recebemos na nossa redacção.
Os primeiros subscritores do “Apelo à consciência dos Povos” são os seguintes intelectuais:
. Álvaro Magalhães – Escritor
. Álvaro Siza Vieira - arquitecto
. Domingos Tavares – Professor Universitário
. Eduardo Souto Moura – Arquitecto
. Filipe Diniz – Arquitecto
. Frederico Carvalho – Investigador
. Hélder Costa – Autor, Encenador
. Isabel Allegro de Magalhães – Professora Universitária
. João Arsénio Nunes - Historiador
. João Ferreira – Bolseiro de Investigação
. José António Gomes – Escritor
. José Barata Moura – Reitor da Universidade de Lisboa
. José Luís Borges Coelho – Músico
. José Rodrigues – Artista Plástico
. José Saramago - Escritor, Prémio Nobel da Literatura
. Manuel Gusmão – Jornalista, Escritor
. Miguel Urbano Rodrigues – Escritor
. Óscar Lopes – Escritor
. Rogério Ribeiro – Artista Plástico
. Rui Namorado Rosa – Professor Universitário
. Urbano Tavares Rodrigues – Escritor













