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Bastidores

No BarreiroJoão Soares - Vereador Independente da CM Barreiro
“Demiti-me do Partido Socialista mas não deixo de ser Socialista”

. “A minha demissão é uma resposta clara ao direito que tenho como cidadão, político e militante de pensar, criticar, agir e combater.”

“A luta de um Partido não pode nem deve ser apenas a luta pela conquista e pelo exercício do poder baseada em cálculos eleitorais oportunistas e, muitas vezes, precipitados, apostando em projectos marcados de puro sectarismo ideológico. Há que ter humildade para reconhecer erros e apostar num pacto de unidade na diversidade.” – sublinha João Soares, Vereador Independente na Câmara Municipal do Barreiro, dando desta forma a resposta ao comunicado do Secretariado da Comissão Política Concelhia do Partido Socialista do Barreiro.

4 min de leitura
No Barreiro João Soares - Vereador Independente da CM Barreiro “Demiti-me do Partido Socialista mas não deixo de ser Socialista”

Por Jornal Rostos

Transcrevemos, integralmente, o texto que nos foi enviado pelo Vereador João Soares que, desta forma dá a sua resposta ao comunicado que editámos do Secretariado da Comissão Política do Partido Socialista do Barreiro.

Para repôr a verdade
Viabilizar Orçamentos
Aprovar Alterações Orçamentais
… Foram estes os actos de que fui acusado !

Quando nascemos, talvez até antes, pertencemos já a um primeiro grupo de relações importantes ao nosso desenvolvimento e à nossa sobrevivência, a nossa família de sangue, grupo este que não foi escolhido por nós.
Ao longo da vida, à medida que vamos crescendo e criando maturidade, vamos ampliando o nosso sistema de relações em círculos concêntricos, seguindo uma ordem temporal mas aqui, já fazendo as nossas escolhas.
É verdade que um Partido é uma família e que a alma desse Partido, está naqueles que deram e dão os melhores anos das suas vidas para que este seja uma realidade.
Escolhi fazer parte da família Socialista, aceite por esta, militante activo, considerando-me parte dessa alma.

Em qualquer boa família deverá haver respeito e, no caso de haver opiniões contraditórias deverá existir o bom senso, de forma a resolverem-se as discordâncias através do diálogo mas nunca pela imposição. Tal como os filhos saem de casa dos seus pais por desentendimento, afastando-se fisicamente, não deixam em termos afectivos os laços que os une, nem tão pouco os conceitos de solidariedade que os identifica e suporta enquanto grupo.

A minha demissão é uma resposta clara ao direito que tenho como cidadão, político e militante de pensar, criticar, agir e combater. É igualmente um acto de idealismo, seriedade, consciência e liberdade, valores que, infelizmente, o exercício político tem descurado. O que fiz foi um acto de cidadania e liberdade.
Demiti-me do Partido Socialista mas não deixo de ser Socialista. Sempre fui um homem de ideias muito bem definidas. Gosto de escolher os caminhos a percorrer, os quais ficaram condicionados com a postura da actual direcção partidária, razão pela qual com a minha atitude, a relação com o Partido Socialista vai ser a mais livre possível.
Agora será uma luta pelo bem estar da Cidade e dos Barreirenses em condições de total descomprometimento político para continuar em torno das causas que sempre defendi, defendo e defenderei.

Contrariando a vontade e a estratégia maquiavélica de alguns, não saio pela porta dos fundos de um partido pelo qual tanto me dediquei, sacrificando a minha vida pessoal e a profissional, coisa que a alguns não fará qualquer sentido, porque nunca a tal foram sujeitos nem estiveram disponíveis.
Embora sinta pena, afinal foram largos anos de dedicação na companhia de muitos e bons camaradas, vai ser de livre e espontânea vontade, de cabeça erguida, com vontade e muita força para continuar a defender os ideais socialistas, para continuar a apoiar os camaradas militantes, tal como sei que vou poder contar com o apoio de muitos que, ou por falta de coragem ou pela mesma livre e espontânea vontade lá ficam nas lutas políticas.

A luta de um Partido não pode nem deve ser apenas a luta pela conquista e pelo exercício do poder baseada em cálculos eleitorais oportunistas e, muitas vezes, precipitados, apostando em projectos marcados de puro sectarismo ideológico. Há que ter humildade para reconhecer erros e apostar num pacto de unidade na diversidade. Muito importante será também educar politicamente as massas, organizando bases para divergências a curto, médio e longo prazo, num ciclo onde a realidade será formada por um alternar de vitórias e derrotas.

João Carlos Soares

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