No Seixal – Jerónimo de Sousa afirma“O desemprego atingiu, com o governo PS, mais de 500.000 trabalhadores”

Por Jornal Rostos
No comício de encerramento da 30ª edição da Festa do ”Avante!” Jerónimo de Sousa, Secretário Geral do Partido Comunista Português abordou os principais temas da actualidade política nacional e internacional e também as questões relativas ao reforço e intervenção do PCP.
Uma inversão na política externa portuguesa
O Secretário-Geral do PCP, depois de exigir «uma inversão na política externa portuguesa. Uma inversão que termine com a vergonhosa subserviência aos ditames das grandes potências, bem patente na autorização dos aviões da CIA e dos voos israelitas que usaram o território nacional e o nosso espaço aéreo para alimentar a máquina de guerra israelita. Uma política externa que desligue Portugal de uma sequência de episódios que o atrelam a alguns dos mais negros capítulos da História recente da Humanidade».
“Reafirmamos hoje aqui que a única posição consentânea com uma real defesa da paz e da resolução pacífica dos conflitos no Médio Oriente é a oposição à participação de Portugal numa força multinacional no Líbano que pode ser tudo, menos de manutenção de Paz” – salientou Jerónimo de Sousa.
Governo do PS coincidência com políticas dos últimos governo do PSD/CDS
Jerónimo de Sousa, falou da política nacional sublinhando que «ano e meio de governo do PS confirma a coincidência, no essencial, dos objectivos e políticas dos últimos governo do PSD/CDS-PP e os preocupantes propósitos de intensificar e ampliar essa ofensiva de regressão social e política».
“Pela mão do governo do PS de José Sócrates o que está em marcha não é apenas a continuação de uma política visando restringir ou eliminar direitos e conquistas sociais, mas uma ofensiva que assume cada vez mais o carácter de ofensiva global com a adulteração, pela prática governativa, do projecto e de características fundamentais do regime de Abril” – afirmou o Secretário Geral do PCP.
Claro propósito de reconfigurar a estrutura e o papel do Estado
Jerónimo Sousa sublinhou que a “ofensiva global que tem o claro propósito de reconfigurar a estrutura e o papel do Estado, moldando-o aos interesses do grande capital monopolista com a alienação e redução das suas funções económicas, sociais, culturais, politicas e com a imposição de novas limitações à pluralidade da acção e intervenção políticas.”
“O desemprego atingiu, com o governo PS, mais de 500.000 trabalhadores, os mais elevados índices dos últimos anos, criando graves problemas humanos, novas vagas de emigração e desaproveitamento de capacidades para o desenvolvimento do país.” – salientou o líder do PCP.
Reduzir os recursos financeiros postos à disposição das autarquias
“A revisão da Lei de Finanças Locais, já aprovada em Conselho de Ministros, tem em vista reduzir os recursos financeiros postos à disposição das autarquias com consequências directas na sua capacidade de investimento e com repercussões quer para as populações quer para as economias locais, avolumando as assimetrias e o empobrecimento dos municípios do interior do país.” – sublinhou o secretário geral do PCP.
Graves violações dos direitos dos trabalhadores
“A realidade do nosso país é marcada por graves violações dos direitos dos trabalhadores, com recurso a processos, descriminações, uso das forças de segurança como milícias patronais na mais flagrante ilegalidade, contando o patronato com a impunidade que resulta duma Inspecção Geral de Trabalho que não é eficaz e do bloqueio do acesso aos tribunais pelos elevados valores das custas judiciais e o nível irrisório do apoio judiciário.” – sublinhou Jerónimo de Sousa
Um projecto-lei de valorização do Salário Mínimo Nacional
O Secretário Geral do PCP, reafirmou as propostas «de aumento dos salários e das pensões como factor de justiça social, estímulo ao desenvolvimento do País e de combate ao encarecimento dos bens e serviços» e anunciou que o PCP vai tomar a iniciativa de apresentar «um projecto-lei de valorização do Salário Mínimo Nacional visando o restabelecimento da sua capacidade aquisitiva
e a aproximação do seu valor ao do Salário Médio Nacional».
Aos militantes do PS se não os incomoda tanto elogio da direita
“Dizem que quanto mais o governo do PS se inclinar para o centro, isto é, quanto mais se inclinarem para a direita, quanto mais mal fizerem ao nosso povo, mais segura estará a sua reeleição.
Talvez seja a altura de perguntar aos militantes do PS se não os incomoda tanto elogio da direita e dos grandes interesses ao governo do seu partido e se não estranham tanta dedicação da direita e do círculo dos poderosos na garantia da sua reeleição?” – salientou Jerónimo de Sousa.
Participação massiva dos trabalhadores no dia 12 de Outubro
“Daqui apelo a uma participação massiva dos trabalhadores e do povo e a cada um de vós para que se empenhe, para a mais ampla adesão, para que, no dia 12 de Outubro, partindo do maior número de empresas e localidades do nosso país rumem a Lisboa, milhares e milhares de pessoas para a grande concentração nacional fazendo um poderoso aviso ao Governo, afirmando uma forte exigência de mudança para um país mais desenvolvido e mais justo.” – apelou o secretário geral do PCP.
Sustentados de forma criativa na teoria revolucionária do marxismo-leninismo
“Sim, é no tempo em que vivemos, sustentados de forma criativa na teoria revolucionária do marxismo-leninismo, que recolhemos nova inspiração, força e determinação para afirmar que o capitalismo com a sua realidade brutal de exploração, miséria, fome, injustiça, guerra, agressão,
destruição e morte não serve e não é reformável, tendo em conta a sua própria natureza exploradora e agressiva.
Sim, é no tempo em que vivemos que recolhemos nova inspiração, força e determinação para afirmar que é necessário substituir o capitalismo por uma forma mais avançada de organização social.” – sublinhou Jerónimo de Sousa no final da sua intervenção.













