Fórum Social Português em AlmadaDesfile une mil vozes, uma convicção

Por Jornal Rostos
Era precisamente esta a palavra de ordem inscrita no pano que seguia na frente do desfile, e atrás do qual seguiam elementos das diversas organizações e movimentos, bem como os voluntários que garantiram, durante os três dias, o sucesso desta grande iniciativa. Logo atrás seguiam as organizações e movimentos, com as suas causas e bandeiras próprias.
A terminar, foi lida a Declaração de Coimbra e o Apelo de Almada (ver www.forumsocialportuguês.org ) , cartas de princípios do Fórum Social Português. Foram ainda prestados os agradecimentos às associações e colectividades do concelho de Almada que «participaram das mais variadas formas na edificação do FSP 2006», à Câmara Municipal de Almada «pelo seu inexcedível apoio», bem como às escolas que acolheram as iniciativas do Fórum. Deixou-se ainda uma palavra especial aos trabalhadores do município que, «muito para além das suas obrigações profissionais contribuíram com o seu entusiasmo, disponibilidade pessoal e alegria, para a criação de um ambiente próprio do espírito do Fórum Social Português.
O Fórum Social Português 2006 e o desfile mostraram que, como se afirma no apelo, Almada «foi mais uma vez palco da ideia central de que lutar vale a pena».
APELO DE ALMADA
A 13 de Maio de 2006, as pessoas, activistas e militantes, as organizações e os movimentos da sociedade portuguesa, reunidos em Plenário em Lisboa, decidem convocar o Fórum Social Português 2006 para 13, 14 e 15 de Outubro.
À semelhança da edição de 2003 e de acordo com os princípios enunciados na Declaração de Coimbra aprovada em Setembro de 2002, o Fórum Social Português e o seu processo de preparação afirma-se como um movimento de movimentos e organizações sociais e políticas que se reconhecem no espírito do Fórum Social Mundial e dos Encontros Continentais que, por todo o planeta, proclamam que um outro Mundo - mais Pacífico, mais Justo, Solidário, Ecológico e Sustentável – é não apenas necessário, mas possível.
O Fórum Social Português representa em Portugal um processo de encontro, convergência e participação da cidadania organizada e das pessoas, independentemente da sua nacionalidade, que se revêem na Carta de Princípios do Fórum Social Mundial e a subscrevem.
Este espaço não pretende representar o conjunto da sociedade portuguesa, mas amplificar a voz d@s muit@s que condenam as políticas económicas, sociais, ambientais e culturais do neoliberalismo, a guerra, o sexismo, o racismo, a homofobia, a xenofobia, a pobreza, a exclusão social, a injustiça, os ataques ao ambiente, à liberdade de expressão, aos serviços públicos e às funções sociais do Estado.
Ao Fórum Social Português podem aderir todas as pessoas, organizações e movimentos existentes no país que se reconheçam naquela declaração e adiram a este apelo. Tod@s são bem vind@s e tod@s participam em igualdade, quer sejam uma pessoa, quer representem um milhão. No Fórum Social Português trocam-se experiências, criam-se alternativas e discutem-se e põem-se em prática ideias de tod@s. Mas ninguém está mandatad@ para falar em nome do Fórum Social Português.
No Fórum Social Português confluem muitos e diversos caminhos e dele sairão muitos mais. Nele se produzirão ideias e se definirão acções, que - apesar de apenas obrigarem @s que nelas se queiram envolver - contribuem para construir um Portugal melhor, num Mundo diferente. A afirmação desta diversidade não cabe num documento final.
A regra principal desta construção democrática efectiva e plural é clara: todos os níveis da sua organização estão abertos à participação de tod@s. Somos intransigentemente pela transparência e pela participação democrática. O que formos capazes de realizar em conjunto será sempre o resultado do empenho de tod@s.
A nossa legitimidade, bem como da iniciativa que anunciamos, é a que decorre da vontade de, em conjunto, procurarmos imaginar e agir por um país que contribua para a ideia de que um outro Mundo, mais justo, solidário, sustentável e pacífico é possível. ´E esta a força que - de Seattle às grandes jornadas mundiais pela paz e de Porto Alegre a Caracas, Bamako e Karachi – tem mobilizado vontades em todo o planeta.
Agora em 2006 é esta a razão que partilhamos e faremos crescer cientes da responsabilidade de prosseguir em Portugal as lutas diárias que dão corpo à ideia que nos une de construir um outro mundo possível. Escolhemos este local de tradições de luta dos trabalhadores e do nosso povo, para realizar a segunda edição do Fórum Social Português, certos que, com a participação de tod@s, Almada será mais uma vez palco da ideia central de que vale a pena lutar.
Lisboa, 13 de Maio de 2006













