JSD Setúbal defendeGoverno deve corrigir interligação entre Educação, Emprego e Mercado de Trabalho

Por Jornal Rostos
Sublinha a JSD que promoveu esta actividade politica “com a convicção de que só ouvindo as pessoas e as instituições que actuam diariamente neste Sector, podemos de forma sério, coerente e responsável, diagnosticar a realidade que temos, para não deixarmos de apresentarmos propostas sobre a realidade que queremos.”
150 mil postos de trabalho uma promessa
“A realidade mostra que um punhado de boas vontades, de experiências conjunturais, parciais ou de acções desgarradas neste Sector, não ajudam a criar uma solução estrutural que seja consistente a médio/longo prazo. Aliás, aquilo que constatámos é que na realidade, a conjugação de esforços dos diversos agentes não existe, e que o Governo (a nível Central e Local) não tem procurado que esta se concretize.
Para mais, temos um Governo que teve como uma das principais bandeiras eleitorais a criação de 150 mil postos de trabalho, sem que, até hoje, esta promessa tenha passado de mais do que um dos versículo do Evangelho da Mentira com que enganam os Portugueses.” – salienta a JSD de Setúbal.
Não pode haver equilíbrio no mercado do trabalho sem dinâmica.
“Hoje, é evidente, temos uma situação de falta de ligação entre o lado da oferta e da procura no mercado de trabalho, originando situações de pleno emprego em alguns sectores de actividade e graves situações de desemprego noutras. É que não pode haver equilíbrio no mercado do trabalho quando não existe dinâmica.
Uma realidade que existe há muito tempo, e que é consequência de uma forma demasiado individualista de organizar e viver a sociedade e que leva a que haja falta de interesse em conhecer a realidade na sua totalidade, dando-se apenas destaque e importância ao contexto que imediatamente nos influencia e afecta.” – refere a JSD, acrescentando – “esse é um primeiro erro da Sociedade, e no caso como se aborda o problema do Desemprego em Portugal.”
Desemprego não começa na falta de oportunidades de emprego
Segundo sublinha a JSD de Setúbal o desemprego “não é apenas um problema em si mesmo, sendo sim uma consequência de não radiografarmos, e pensarmos, os problemas as Sociedade na sua globalidade e no “ambiente” em que ocorrem, para que as soluções criadas tenham em conta todos os vectores que influenciam a montante e aqueles que deles dependem a jusante.
O problema do Desemprego não começa na falta de oportunidades de emprego. Começa exactamente no momento em que começamos a formar os nossos jovens, e na forma como desejamos enquadrá-los quanto ao seu futuro papel como profissionais e cidadãos de pleno direito. E nesta área é fundamental que, de uma vez por todas, o Sistema Educativo se organize a pensar nos melhores interesses dos alunos e não apenas no dos seus profissionais, que de tão corporativistas acabam por se colocar no centro de um Sistema, em que definitivamente eles devem ser considerados um meio e nunca, como muitos defendem, como um fim.”
Sistema de Ensino não informa potencialidades de cada área de formação
“É que temos hoje um Sistema de Ensino que não informa correctamente os seus alunos sobre quais as potencialidades de cada área de formação, as suas saídas profissionais, o seu nível de empregabilidade, enfim que consiga não só mostrar qual os objectivos finais do potencial percurso académico, mas mais importante, se existe capacidade de nessa altura ter lugar no mercado de trabalho.
Assim, é impossível dissociar Educação de Emprego, pelo que não podemos pensar apenas em criar condições para que a Procura no Mercado de Trabalho cresça, sem que na Área Educativa se estude quais as áreas de formação que podem potenciar uma mais correcta inserção profissional, e aquelas onde já não há possibilidade de empregar novos profissionais (e durante quanto tempo esta saturação será sentida). Esta interligação é fundamental, ajudando a perceber quais os cursos (licenciaturas ou não) que têm um nível de empregabilidade elevado, sob pena de continuarmos a formar jovens para engrossar o exército do desemprego.” - sublinha a JSD de Setúbal.
Política só faz sentido com responsabilidade e credibilidade
“É por isso que, mais do que continuarmos a encher a boca com promessas vãs ou ideias disparatadas, a JSD vem com esta Semana Temática procurar, de forma responsável, contribuir para alterar este estado de coisas.
É nesse sentido que, depois de visitar mais de 1 dezena de instituições, entre centros de emprego, centros de formação profissionais, escolas profissionais, estabelecimentos de ensino, associação empresarial e empresas, a JSD está em condições de apresentar algumas conclusões e propostas.
Porque acreditamos que a Política só faz sentido com responsabilidade, credibilidade, e apostada em desenvolver propostas que possam encontrar as soluções adequadas para os problemas que existem, e desgraçadamente, subsistem.” – salientou a JSD, em comunicado divulgado aos órgãos de comunicação social.
Reformulação do Observatório Nacional de Emprego e Formação Profissional
A JSD do Distrito de Setúbal, no âmbito da Semana Temática, avaliou os resultados, tirou as suas conclusões e apresentou um conjunto de propostas que divulgamos :
- Reformulação do actual Observatório Nacional de Emprego e Formação Profissional, abandonando o seu actual carácter de órgão consultivo, para passar a ser um organismo tutelado pelo Ministério do Trabalho, e com a responsabilidade de recolher a informação sobre os níveis de empregabilidade por sectores, disponibilizando estes dados, através da divulgação pública junto das escolas a partir do 9º ano de escolaridade;
- Com a criação de uma Matriz Estatística uniformizada, que permita fazer o acompanhamento de todos os formandos (em qualquer nível de ensino) nos 2 anos subsequentes ao término da sua formação, por forma a avaliar se conseguiram colocação na área onde se especializam, ou não; à semelhança do acompanhamento que é, hoje , dado no Programa Aprendizagem ministrado pelo Instituto de Formação Profissional;
- Este Observatório seria acompanhado, pela institucionalização de Observatórios Municipais de Emprego, fomentados pelas Autarquias, que permitissem a interligação entre os vários agentes deste sector, e que pudessem potenciar a definição de linhas estratégicas regionais, ao nível das necessidades do mercado de trabalho e das áreas preferenciais de formação;
- Com a Flexibilização das Áreas de Formação ministradas, em qualquer área de Ensino, abrindo-se vagas consoante as necessidades reais do Mercado; e também Com a criação de Prémios de Integração ao 1º Emprego;
“Só assim o Governo assume, convenientemente, o seu papel de regulamentar, gerir, e eventualmente corrigir, esta interligação entre Educação, Emprego e Mercado de Trabalho, assegurando que todos cumprem o seu papel não deixando de, na sua acção, ter em conta o que se passa na realidade que os rodeia” – refere a finalizar a JSD de Setúbal.













