Saltar para o conteúdo
Bastidores

Paulo Pedroso no BarreiroO envelhecimento da população deve ser encarado como um sucesso da sociedade e não como um estigma

. Hospitais de Retaguarda não são solução referiu Paulo Pedroso

Paulo Pedroso, ex-Ministro do Trabalho e dos Assuntos Sociais, apontou algumas soluções, para os problemas do envelhecimento da população, referindo que é essencial a criação de uma rede eficiente de apoio domiciliário.
Na sua opinião, esta rede pode passar pela participação das autarquias com projectos do tipo da criação de uma linha de apoio ao idoso para prestar pequenos serviços domiciliários, como mudar uma lâmpada ou desentupir um cano.

6 min de leitura
Paulo Pedroso no Barreiro O envelhecimento da população deve ser encarado como um sucesso da sociedade e não como um estigma

Por Jornal Rostos

O Partido Socialista do Barreiro, promoveu o primeiro Painel Debate – Mesas Redondas, subordinado ao tema “Barreiro, População e Envelhecimento”.
Júlio Freire, Provedor da Santa Casa da Misericórdia do Barreiro, referiu que no Barreiro existem “situações dramáticas” ao nível da situação dos idosos, sublinhando que apesar da acção que é desenvolvida pela Misericórdia do Barreiro, ainda são necessárias encontrar novas soluções.

Necessidade de ser criado o Hospital de Retaguarda.

“No Barreiro Velho a população envelhece a um ritmo diferente das outras freguesias” – salientou Júlio Freire.
O Provedor da Santa Casa da Misericórdia do Barreiro, referiu a necessidade de ser criado, no Barreiro, o Hospital de Retaguarda.

Cooperação entre o Governo Central e o Poder Local.

Jorge Carvalho, que foi o Moderador do debate, referiu que esta iniciativa visa criar um espaço de debate de problemas do concelho do Barreiro e procurar soluções.
Salientou o problema das migrações, que na sua opinião “vieram alterar a forma como os direitos humanos são vistos na União Europeia”.
Recordou que a “inclusão social” tem como objectivo que as pessoas possam “alcançar as legitimas expectativas como membros de uma comunidade”.

Temos que passar das opiniões para os modelos

Na sua opinião sobre politicas de idosos “há coisas que não vale a pena (re)inventar” porque há experiências em diversos países Europeus que podem ser importantes analisar.
Jorge Paulo sublinhou que para a implementação de acções de intervenção na área dos idosos é fundamental que exista “cooperação entre o Governo Central e o Poder Local”.
Referiu que em Portugal “temos que passar das opiniões para os modelos”.
Jorge Paulo comentou que nos PDM’s, quando se analisa a área de equipamentos – “os dados dos equipamentos estão incorrectos”, e considerou que é essencial que existam modelos “que permitam fazer um planeamento adequado”.

Cada vez teremos mais idosos

Paulo Pedroso, ex-Ministro do Trabalho e dos Assuntos Sociais, participou no debatee na sua intervenção sublinhou que “o envelhecimento da população deve ser encarado como um dos sucessos da nossa sociedade e não como um estigma.”
Paulo Pedroso salientou que a emigração e a imigração contribuíram para o desenraizamento familiar dos idosos, responsabilizando o estado pela solução dos problemas destes, por outro lado referiu que a demografia ainda vai avançar mais nesta direcção, cada vez teremos mais idosos.
O ex-Ministro do Trabalho e dos Assuntos Sociais, sublinhou que as famílias não têm condições, por diversas razões para assumir essa responsabilidade social.

Uma rede eficiente de apoio domiciliário

Paulo Pedroso, apontou algumas soluções, referindo que é essencial a criação de uma rede eficiente de apoio domiciliário.
Na sua opinião, esta rede pode passar pela participação das autarquias com projectos do tipo da criação de uma linha de apoio ao idoso e a disponibilização de uma pequena equipa, retirada de uma prateleira qualquer, para prestar pequenos serviços domiciliários, como mudar uma lâmpada ou desentupir um cano.

Melhorar a qualidade de vida dos cidadãos de idade avançada

Salientou Paulo Pedroso que o objectivo central será melhorar a qualidade de vida dos cidadãos de idade avançada, permitindo-lhes ter uma vida cada vez melhor nas suas próprias casas, desde que sejam suficientemente autónomos.
Na sua opinião, já temos, em Portugal uma rede satisfatória de Lares como é os das Misericórdias, que naturalmente estão a ampliar.
Referiu que a complexidade da situação actual reside no facto de estarmos habituados a pensar nos tempos livres dos idosos e a criar soluções para isso, e, sublinhou que, o problema da qualidade de vida na 3ª idade não se pode resumir à ocupação de tempos livres ou à solução dos problemas dos acamados, de acordo com Paulo Pedroso, estas situações já se encontram, de alguma forma, coberta.

Hospitais de retaguarda não são solução

Neste contexto considerou que a solução está precisamente na criação de condições para os idosos poderem levar uma vida digna e com autonomia, continuando a habitar nas suas próprias casas.
O ex-Ministro do Trabalho e dos Assuntos Sociais, salientou que os Hospitais de retaguarda não são solução para isto e o custo que pode provocar em termos de cuidados continuados de saúde, provavelmente, esgotará todos os recursos disponíveis antes de haver um serviço de qualidade acessível a todos.
Paulo Pedroso considerou que não deve ser nesse sentido que se deve apontar mas sim, no sentido de criar condições para os idosos viverem cada vez mais tempo com qualidade de vida, apostando na adequação dos serviços de saúde já existentes ao facto de, dentro de duas décadas, 1 em cada 2 dos seus utentes serem pessoas de idade avançada.

Promover a fixação de cada vez mais jovens

Na sua intervenção salientou que, no campo político, urge que as autarquias promovam o desenvolvimento local e as oportunidades de fixação de casais jovens em idade reprodutiva vindos de outros lados do mundo onde as oportunidades são mais escassas.
Paulo Pedroso, sublinhou que a solução do problema causado pelo sucesso que tivemos em levar a vida dos nossos cidadãos cada vez mais longe reside nas políticas de re-equilíbrio da pirâmide etária, promovendo a fixação de cada vez mais jovens ao mesmo tempo que se melhora a qualidade de vida dos mais idosos.
Na sua opinião, cada idoso deve ser tratado como se a sua família estivesse do outro lado do mundo e não pudesse tratar dele.

Aumento de esperança de vida é um sucesso não um problema

A finalizar, Paulo Pedroso reforçou a ideia de que a situação actual deve ser olhada não como um problema mas como um sucesso, o sucesso que tivemos no aumento da esperança de vida da nossa população, e as soluções devem ponderadas com base nesse facto.

Nota – Agradecemos a Pedro Estadão, nosso colunista, o envio de informação sobre a intervenção de Paulo Pedroso.

Publicidade

Notícias relacionadas

Publicidade

Notícias por secção