JS Barreiro“O que são políticas de juventude?”

Por Jornal Rostos
A moção de estratégia – “Construir o Presente. Antecipar o Futuro.”, cujo primeiro subscritor é Carlos de Azevedo e Silva, expressa as linhas orientadoras da sua candidatura à liderança da Juventude Socialista do Barreiro.
“Edificar os caminhos do futuro constitui-se para nós mais do que um imperativo de circunstância, um compromisso de consciência. Com efeito, disponibilizamos lhe a nossa moção de estratégia – “Construir o Presente. Antecipar o Futuro.”, através da qual substanciamos os intentos do nosso projecto para que, através da JS Barreiro, possamos ser uma voz activa na vida da nossa cidade.” – refere a candidatura em nota enviada para a nossa redacção.
Para que a referida Moção Estratégica seja conhecida dos nossos leitores interessados divulgamos o seu conteúdo integral :
Juventude Socialista - Barreiro
Moção de Estratégia
“Construir o Presente. Antecipar o Futuro.”
A – Introdução
Desde a sua constituição, a Juventude Socialista marcou a sociedade portuguesa não só pela capacidade de inovação, mas também pela sua responsabilidade e dinâmica.
Durante trinta e dois anos, muitos foram os jovens que abraçaram os ideais da JS e que, abnegadamente, lutaram pela constituição de uma sociedade mais justa, fraterna e solidária.Com o passar do tempo, alcançámos um património político do qual todos os militantes se podem orgulhar.
Através da afirmação de uma identidade própria, foi possível construir uma estrutura onde a fibra da juventude, associada aos ideais de uma esquerda sempre vanguardista, travou e conquistou batalhas importantíssimas na história contemporânea do país.
A forma determinada como a JS contribuiu para a consolidação da democracia
portuguesa encontra-se bem espelhada na afirmação dos direitos dos estudantes e jovens trabalhadores, na luta pela despenalização da interrupção voluntária da gravidez, no incentivo ao arrendamento jovem e no contributo decisivo para a implementação do modelo europeísta, bem como na afirmação de Portugal no contexto internacional.
A nossa estrutura local viveu, ao longo do seu percurso histórico, momentos de
grande fulgor e vitalidade. Percorremos um árduo percurso para nos distanciarmos da imagem redutora que nos catalogava como um mero conjunto de jovens instrumentalizáveis em períodos eleitorais. Gradualmente, conseguimos impor um novo modelo de actividade política, bem expressa na forma como temos contribuído para a melhoria das condições de vida dos barreirenses.
Neste momento, pretendemos reforçar o trabalho desenvolvido anteriormente, imprimindo uma nova dinâmica a uma organização debilitada pelo desaire eleitoral de 2005. Não podemos continuar a adiar a renovação de protagonistas, nem negligenciar a importância da reforma do modelo de organização até agora vigente.
B – Análise da Situação política
Os elementos que animam esta moção são o evidente reflexo do inconformismo, por parte da Juventude Socialista do Barreiro, no que diz respeito à estagnação de projectos, iniciativas e medidas, consequência directa de três décadas de gestão comunista. Os jovens da nossa cidade não podem continuar a ser vítimas de políticas estéreis, com resultados meramente cosméticos. Esta candidatura apresenta-se como um garante de mais e melhor empenho no interior da JS, para que no exterior seja notória uma maior proximidade dos jovens em relação à vida pública do concelho.
As características inerentes à sociedade contemporânea não se coadunam com a existência de estruturas estanques, nem com processos decisórios distantes e avessos à renovação dos seus dirigentes. Neste momento, é evidente que os índices de participação são manifestamente insuficientes. Com a nossa intervenção temos inelutavelmente de criar mais actores e menos espectadores, não deixando os jovens resignados e sem voz.
Os 28 anos de gestão comunista têm-se pautado por um evidente défice de participação democrática, em sentido inverso ao que se tenta publicitar. Mesmo as tão propaladas Opções encenadas traduzem um mero instrumento de propaganda política, que apenas serve para alienar o direito de intervenção da sociedade civil, em prol de uma identidade monolítica e ortodoxa que preconiza os valores do autismo e da subserviência partidária.
Nas eleições de 2001, o PS conseguiu romper com este reino de puro marasmo, introduzindo alguns factores inovadores que contribuíram para a inversão da progressiva secundarização do Barreiro.
No decurso das últimas décadas, milhares de Barreirenses viram-se forçados a abandonar o concelho, numa resposta clara à incompetência e autocracia do PCP. Num curto espaço de tempo, o executivo socialista conseguiu captar a atenção de importantes investidores, assim como relançou a discussão em torno do projecto de reconversão da Quimiparque e iniciou o processo de revisão do actual PDM, privilegiando, em todas as circunstâncias, a vontade popular em detrimento da irresponsabilidade demagógica que imperava anteriormente.
O resultado das autárquicas de Outubro de 2005 representou um revés significativo no trabalho que se encontrava a ser desenvolvido. Neste momento, é visível a existência de uma total ausência de projecto para a cidade, patente na maneira desastrosa como as finanças da autarquia têm sido geridas, e na apatia perante os gravíssimos problemas sociais do município.
Por outro lado, esta derrota acarretou um compreensível desânimo nos militantes da JS e, consequentemente, reduziu a acção política a parcas e espaçadas intervenções. No limite, estes condicionalismos levaram a que a estrutura se fechasse sobre si mesma, levando a uma actividade política pouco mais que nula.
Não é nossa intenção responsabilizar os protagonistas do passado nem apurar
culpados. No entanto, recai sobre nós o dever de diagnosticar os erros cometidos, de modo a invertermos a tendência verificada no último mandato, através dos compromissos patentes neste documento e da colaboração entre todos os militantes, aproveitando e maximizando as suas capacidades.
É, pois, uma Juventude Socialista aberta aos jovens que defendemos. Queremos uma JS caracterizada pelo inconformismo, espírito crítico e dinamismo, para que dessa forma possamos desempenhar um papel de denúncia relativamente a um estilo de fazer política que compromete de forma séria e danosa o futuro dos jovens barreirenses.
C – Reorganização da estrutura orgânica da Juventude Socialista
Princípios orientadores
A moção “Construir o Presente. Antecipar o futuro” pauta-se pela assumpção da eficácia enquanto conceito indissociável da acção política. A identificação adequada dos recursos e a optimização da sua utilização é, na nossa óptica, a única opção viável tendo em vista a maximização de resultados.
A sustentabilidade deste projecto deve passar, em primeira instância, pela potenciação dos parcos recursos inerentes à própria estrutura. Neste sentido, assumimos como primeiro objectivo a reorganização da Juventude Socialista do Barreiro.
A implementação deste conjunto de medidas - conceptualmente assentes em critérios bem definidos -, tem como propósito último melhorar a eficiência organizacional da JS Barreiro. Para o efeito, passamos a enumerar os principais critérios orientadores desta reestruturação:
– Simplificação de processos
As práticas de downsizing tornaram-se uma das mais fortes marcas dos modelos organizacionais contemporâneos. Dado o seu profundo impacto, esta metodologia deve ser encarada e aplicada com as maiores cautelas, sem que nunca se descurem as especificidades e os objectivos em questão, bem como os estatutos da Juventude Socialista.
A simplificação de processos pode ser definida como um conjunto de medidas assentes na supressão, aglutinação, clarificação e recriação de processos comunicacionais e hierárquicos.
ß – Incremento da participação como forma de auto aprendizagem
Por incremento da participação como forma de auto aprendizagem (learning organization) entende-se a procura de uma estrutura dinâmica, permeável à reflexão sobre si mesma e à mudança. Dessa forma, pretendemos que a JS Barreiro seja capaz de dar resposta às diferentes problemáticas através da auscultação generalizada das vozes, da análise de todas as possibilidades e, após a devida reflexão, da convergência dos esforços individuais num objectivo comum.
A aplicação deste modelo, onde a confluência de vontades tem um lugar preponderante, consubstancia a matriz fundamental do nosso projecto – a aposta na formação e informação política dos jovens.
Na prática, este método reflectir-se-á na constituição de núcleos temáticos, construídos em torno de áreas específicas, cuja criação e funcionamento se regem por princípios de abertura democrática, cooperação entre membros, eficiência e autoaprendizagem.
- Maximização do recurso às novas tecnologias.
Na contemporaneidade, descurar as Tecnologias de Informação enquanto poderosa ferramenta de trabalho pode revelar-se um enorme erro estratégico. Assim, na lógica de uma instituição organicista em constante evolução, a JS Barreiro não poderá no futuro próximo continuar a ignorar a revolução tecnológica, e tomará medidas para que esta se processe também no seu âmago.
C1 – Criação de grupos temáticos.
A concretização destes grupos temáticos resulta directamente da lógica de reestruturação que nos propomos introduzir na JS. A definição das respectivas áreas temáticas subordina-se aos vectores de acção política que constituem a orientação geral deste movimento:
. JUVENTUDE, DESPORTO E CULTURA
. AMBIENTE, PLANEAMENTO URBANÍSTICO E ORDENAMENTO DO TERRITÓRIO
. EDUCAÇÃO, EMPREGO E FORMAÇÃO PROFISSIONAL
. SOLIDARIEDADE E ACÇÃO SOCIAL
Tradicionalmente, a maioria das estruturas políticas adoptam, relativamente às questões temáticas, um modelo em que os vários temas são delegados em pequenos conjuntos de militantes. As manifestas limitações a nível de recursos humanos da JS Barreiro torna impraticável este procedimento. Por conseguinte, é nosso entendimento ser mais proveitosa a adopção de um modelo congregador de todas as sinergias, em que se verifique uma dedicação exclusiva a cada problemática durante períodos predefinidos de tempo.
A actividade de cada grupo inicia-se após nomeação de um coordenador temático por parte do secretariado. A reflexão à volta de um tema funcionará durante um período de 6 meses, ao fim dos quais a estrutura da JS Barreiro promoverá um workshop ou sessão de esclarecimento, na qual serão apresentadas as conclusões do trabalho desenvolvido.
C2 – Criação de uma rede de Gabinetes.
A militância não se esgota nos momentos eleitorais, devendo antes ser uma actividade constante.
Propomo-nos criar uma rede de gabinetes, para a qual serão convidados todos os militantes que se mostrem disponíveis para colaborar, e em que se fará a distribuição das competências que, embora não estando consagrados nos estatutos, darão resposta a uma parte significativa das tarefas quotidianas da JS. Cada um destes gabinetes funcionará de forma integrada, numa lógica de complementaridade entre si, o que decorre aliás da sua própria elencagem.
Gabinete de comunicação e imagem
A criação deste gabinete pressupõe a formação de uma equipa direccionada para a definição e execução da estratégia de comunicação. Mais especificamente, este grupo de trabalho terá como objectivo a divulgação, promoção e valorização das actividades da JS no concelho, que visem não só a interacção entre militantes, mas também a captação da atenção dos cidadãos não envolvidos na vida político-partidária.
Para o cumprimento destes objectivos, delegaremos neste gabinete as seguintes funções:
1. Definição da estratégia de comunicação a adoptar pela estrutura.
2. Promoção das acções e eventos levados a cabo pela JS Barreiro.
3. Elaboração e divulgação de comunicados e/ou notas de imprensa.
4. Criação da página oficial da Juventude Socialista e gestão dos conteúdos da
mesma.
5. Elaboração e divulgação de uma newsletter semestral.
Actualmente, é imprescindível compreender que a mediatização da acção política é um factor determinante para a efectividade da mesma. A afirmação plena do nosso projecto não depende exclusivamente dos conteúdos que temos vindo a enunciar, mas também da capacidade que demonstremos em difundir a informação pelo maior número de jovens possível.
Criação do gabinete de dinamização cultural e democracia participativa.
A afirmação da Juventude Socialista na sociedade civil Barreirense, enquanto entidade impulsionadora de actividades de âmbito cultural, constitui-se como uma aposta firme do nosso projecto.
Neste sentido, pretendemos que, dentro das capacidades da nossa estrutura, este gabinete se constitua em áreas e grupos sociais relativamente às quais consideremos que o nosso contributo possa ser profícuo. Uma organização como a Juventude Socialista não pode descurar os seus objectivos próprios, sem no entanto os confundir com as reais necessidades dos jovens.
Por outro lado, a constatação de que o projecto municipal de participação da CDU se tem vindo a revelar uma enorme decepção leva-nos a considerar a necessidade de serem criados verdadeiros mecanismos de envolvência dos jovens Barreirenses:
-Organização de fóruns com a presença de autarcas.
-Defesa de um projecto de orçamento participativo.
Criação do gabinete para a Organização e Logística
A existência do gabinete para a organização e logística resulta do deficit estatutário decorrente da ausência de uma estrutura que providencie o apoio adequado às diversas actividades desencadeadas a nível concelhio.
O objectivo subjacente à criação deste gabinete é dotar a JS do Barreiro de um núcleo com capacidade para executar os diversos eventos e actividades que irão ser desenvolvidos no âmbito das nossas competências. Serão responsabilidades deste gabinete:
• A coordenação logística dos eventos da Juventude Socialista, a saber: convívios, colóquios, debates, saídas de rua, workshops e sessões de esclarecimento.
• A actualização dos dados dos militantes, isto é, números de telemóvel, endereços electrónicos, disponibilidade e áreas de interesse para colaboração futura.
D – Os nossos compromissos com a Juventude Barreirense.
Actualmente, a grande maioria dos programas eleitorais nada mais é do que o cumprimento pró-forma do protocolo propagandístico de uma candidatura. Em prol da coerência, é necessário um maior esforço e empenho para que se consiga levar à prática os projectos que se propõe neste documento.
Pretendemos estabelecer um código de acção política assente em pressupostos cristalinos, que sejam exequíveis e que possam ser escrutinados pelos militantes da estrutura e pelos Barreirenses. Assim sendo, assumimos os seguintes compromissos:
Proximidade – Compreender e enquadrar as necessidades e ambições dos jovens da nossa cidade, entendendo, através dum esforço colectivo, quais são os seus verdadeiros desígnios e projectos.
Representação – Trabalhar no sentido de a nossa representação se aproximar dos reais interesses e direitos dos jovens Barreirenses, promovendo em simultâneo a concretização dos seus anseios, incrementando assim a sua vontade de participação na vida pública.
Participação – Sensibilizar a juventude com vista a aumentar a sua participação na vida política da cidade. Através da ruptura com o paradigma vigente, procuraremos fomentar um maior índice de envolvimento na vida política, bem como incrementar uma real cooperação com a sociedade civil e as demais forças partidárias, dando-se especial ênfase ao bem-estar e interesse geral.
Inconformismo e Responsabilidade – Seguir uma actuação política irreverente e descomplexada, capaz de romper e inovar onde é necessário, mas que saiba igualmente dar continuidade àquilo que uma visão crítica e profunda considere indispensável, aliando a estes factores uma prática de responsabilidade cívica.
Solidariedade – Ser de esquerda é sinónimo de ser solidário. Muitas vezes negligenciamos os fenómenos ligados à exclusão social, o que fundamenta a inexistência ou ineficácia de uma luta que tem de ser de todos. Assumimos por isso o compromisso de sensibilizar a juventude Barreirense para os problemas sociais do concelho, bem como para a necessidade imperiosa de os tentarmos erradicar.
E – Vectores prioritários da acção política
A juventude quer constituir-se como a vanguarda do progresso social, económico e político. Através do seu contributo e poder de mobilização, os jovens produzem sinergias inovadoras que devem ser estimuladas e apoiadas. Como tal, no contexto das sociedades contemporâneas, as políticas de juventude têm assumir um papel central.
Porém, as estruturas que tratam directamente com os jovens deparam-se recorrentemente com a dificuldade de definição do conceito políticas de juventude.
É nossa convicção que é impossível agir sobre uma realidade sem antes definir os parâmetros sobre os quais actuaremos. De forma a conseguir dar uma resposta à questão – “O que são políticas de juventude?” –, o projecto “Construir o Presente, Antecipar o Futuro” propõe-se estabelecer um conjunto de linhas directrizes que respondam directamente às problemáticas e anseios da juventude. Através da escolha de temas, sustentada na análise integral do meio envolvente – o concelho do Barreiro –, e em critérios de afinidade sócio-cultural de cada temática em relação aos seus destinatários – os jovens Barreirenses – delimitaremos o nosso âmbito de acção.
Da interligação destes dois factores (meio e destinatários), emana a escolha dos vectores prioritários da nossa acção política, ou seja, a saber, desporto e cultura, ambiente e ordenamento do território, solidariedade e acção social, e educação, emprego e formação profissional.
Defendemos um trabalho temático assente numa lógica de diagnóstico, de reflexão e de apresentação de propostas, tendo em vista a transformação da realidade existente. Para o efeito, potenciaremos a utilização dos conteúdos resultantes do trabalho realizado pelos núcleos que nos propomos criar. Apresentaremos documentos devidamente fundamentados do ponto de vista técnico e que se constituam como propostas estruturantes nas diferentes áreas seleccionadas.
Reconhecemos que a JS Barreiro se debate com uma notória dificuldade em influenciar os decisores políticos da nossa cidade, fruto do indiscutível distanciamento entre estes e a faixa etária que representamos. Contudo, este contexto não nos desmotiva do desígnio de inverter estas condicionantes, em particular através da coordenação da intervenção da direcção política da estrutura da JS com a dos nossos representantes nos órgãos autárquicos, tendo em vista a apresentação das propostas resultantes deste trabalho temático.
. JUVENTUDE, DESPORTO E CULTURA
A história da humanidade atesta que as grandes fracturas socio-culturais e políticas são invariavelmente desencadeadas pelos jovens. Se sempre assim foi, é-o hoje mais do que nunca.
Em virtude da massificação das novas tecnologias de informação, os jovens dispõem precocemente de um vasto manancial de informação. Esta especificidade apetrecha a nossa geração com uma inquestionável influência sobre si própria. Os constrangimentos outrora inerentes à tutela familiar, às pressões sociais e uma panóplia de tabus civilizacionais alteraram-se vertiginosamente. Todo este processo conduziu-nos à emancipação desta faixa etária.
Nesta lógica é fundamental que as entidades políticas, em geral, e as associações partidárias juvenis, em particular, estejam aptas a dar resposta de forma tão célere quanto necessário. Vivemos neste momento uma encruzilhada que requer a nossa maior atenção: ainda que salvaguardando o carácter transversal de políticas de juventude, compreendemos a necessidade de propiciar e garantir a uma maior aptidão da JS para o combate político, nomeadamente padronizando e incentivando as características pessoais
de cada elemento.
A cultura é um dos pilares do estado democrático. O Barreiro constitui-se neste
campo como uma terra de enorme potencial cultural, sustentado no forte legado de décadas de intenso movimento associativo e de outras formas de expressão cultural. Não nos podemos alhear desta realidade, trabalhando para renovar o ímpeto cultural da cidade.
O desporto constitui-se como uma vertente fulcral da época em que vivemos, uma vez que encerra em si um enorme poder de promoção de convívio entre os jovens. É clara a sua importância na manutenção de um estilo de vida saudável, na prossecução activa da premissa “Mente sã em corpo são”, essencial no combate que urge travar contra o sedentarismo característico da “Geração click”.
As instituições desportivas do concelho do Barreiro, das quais se constituem como bons exemplos as escolas de formação do F.C. Barreirense e da E.S.S.A., entre muitas outras, já deram mostras da sua capacidade de criar desportistas de renome, que representam um enorme impulso na afirmação do nome da nossa cidade.
No entanto adivinha-se preocupante o futuro nesta área, pelo que é fundamental agir desde já, promovendo políticas que impeçam o definhar deste imponente património desportivo. A JS deverá levar a cabo, dentro das suas competências, não só a prática regular de actividades desportivas, mas também medidas que impeçam a letargia emergente neste sector.
A juventude, na sua idiossincrática natureza inconformada, não se poderá alienar dos pressupostos inerentes às áreas da cultura e do desporto.
. AMBIENTE, PLANEAMENTO URBANÍSTICO E ORDENAMENTO DO TERRITÓRIO
A nossa geração recebeu uma pesada herança ambiental – fruto de anos de intensa actividade industrial –, que prejudica de forma inexorável a qualidade de vida dos jovens Barreirenses, bem como das gerações vindouras. O ambiente constitui um domínio estratégico de intervenção, com implicação directa no bem-estar das populações. Assim, não deve ser negligenciada qualquer espécie de intervenção que se constitua como uma inequívoca mais-valia no âmbito desta temática. É nossa vontade contribuir de forma activa para a melhoria da qualidade ambiental do nosso concelho. Esta candidatura compromete-se, para o efeito, a empregar todos os seus esforços no sentido de incutir, junto dos mais jovens, uma preocupação de sustentabilidade ambiental, nomeadamente através da promoção de campanhas de sensibilização.
Centremos então a nossa atenção em alguns exemplos flagrantes, em que a
inoperância do executivo CDU é por demais evidente, lesando indubitavelmente a qualidade de vida dos cidadãos Barreirenses. É sobre estes que, evidentemente, debruçaremos parte significativa da nossa atenção, mobilizando um conjunto de interesses e sensibilidades para que estes temas constituam foco de discussão, marcando assim a agenda política concelhia.
A ETAR (Estação de Tratamento de Águas Residuais) constituiu desde sempre um vector prioritário de intervenção ambiental pelo qual se pautou a anterior gestão socialista. Mais do que impulsionar um projecto de inquestionável pertinência, importa realçar a forma como o PS se envolveu em todo este processo, resultando desta equação de esforços e vontades um projecto pragmático e com iminentes resoluções.
O conjunto Mata da Machada / Sapal de Coina assume-se como um território fulcral para a promoção ambiental no Concelho do Barreiro. Apesar de representar um expoente incontornável da nossa localidade este conjunto, sempre sofreu flagrante falhas no sentido de rentabilizar o enorme potencial detêm. Na sequência do trabalho desenvolvido no anterior mandato autárquico, do PS, surge hoje implementado neste espaço privilegiado o Centro de Educação Ambiental.
No que concerne ao Sistema de Abastecimento de Água importa, invariavelmente, sublinhar a posição inadequada do executivo CDU que, recusando-se a reconhecer a necessidade de actualizar a tarifa da água, inviabilizou deste modo investimentos fulcrais à restruturação da rede de abastecimento. Ironicamente os mesmos protagonistas acabaram agora por se render à evidência do realismo político, concordando com a actualização de tarifárias há muito indispensáveis, inconsistentemente contrariando os argumentos que, anteriormente tão intransigentemente advogaram.
No capítulo da Higiene Urbana o PS empreendeu durante o seu mandato as
diligências que se justificavam, para que hoje a cidade conseguisse transparecer uma imagem de harmonia e asseio, às quais infelizmente a actual edilidade não deu continuidade.
Da aplicação de um sistema ambiental equilibrado, na óptica da racionalização de recursos, e com a profícua reestruturação das valências ambientais pode e deve surgir um novo conceito de urbanismo e ordenamento do território. Torna-se redutor interpretar a temática do ambiente sem presumir uma integração plena ao nível das políticas de urbanismo e ordenamento do território.
Constatamos nesta área que se verifica um enorme atraso no que concerne ao
Planeamento Urbanístico e Ordenamento do Território neste concelho.
Consequentemente, é importante promover o diálogo entre os cidadãos, as associações e os agentes de desenvolvimento, bem como ser vigilantes em relação aos atropelos legais que ocorram na nossa cidade, e que possam comprometer, de forma irremediável, o potencial de desenvolvimento do Barreiro.
O que é de todos, por todos deve ser decidido. Nesse sentido, é intuito deste projecto consciencializar a nossa faixa etária do seu papel fundamental neste campo. As experiências relacionadas com a revisão do PDM e do Plano Municipal do Ambiente, abertas à participação da população e levadas a cabo no mandato do PS, constituíram-se como uma excelente janela de oportunidade no sentido de dar aos jovens uma voz activa no que diz respeito à definição de soluções marcantes para o seu futuro.
Todavia, a importância dos jovens neste processo não se resume à emissão da sua opinião, sendo igualmente essencial a sua participação e esclarecimento em redor dos grandes projectos estruturantes do concelho, nomeadamente o Polis e a requalificação das AUGI (Áreas Urbanas de Génese Ilegal).
O planeamento e ordenamento revelam-se indissociáveis duma lógica de aplicação de políticas de juventude, uma vez que é através das primeiras que se projecta e condiciona muito do futuro de uma cidade, e, consequentemente, da qualidade de vida das gerações vindouras. Exige-se à nossa geração que assuma uma postura responsável, capaz de adoptar uma visão abrangente das políticas que a afectarão a médio e longo prazo.
Estamos conscientes de que influenciar as definições relativas ao Planeamento e Ordenamento do Território é construir um futuro mais próspero. É nossa responsabilidade facilitar a participação juvenil nestas áreas, através da aproximação da mesma às entidades decisórias.
. EDUCAÇÃO, EMPREGO E FORMAÇÃO PROFISSIONAL
O desemprego constitui um dos maiores flagelos das sociedades contemporâneas, resultando de factores díspares. Especificamente, no Barreiro, tal fenómeno advém da incapacidade de adaptação a um novo paradigma económico, mais vocacionado para os serviços e desenvolvimento tecnológico, em detrimento das actividades dos sectores primário e secundário – que caracterizaram o panorama económico do concelho ao longo do último século – fenómeno ao qual não é alheia a incapacidade do poder político em proceder aos ajustes que se exigiam.
A oferta de trabalho no concelho caracteriza-se pela precariedade e falta de qualificação, o que acarreta uma enorme dificuldade em fixar quadros técnicos no nosso território.
A educação é um dos pilares fulcrais da civilização, não podendo por isso de forma alguma ser descurada, quer na sua vertente teórica, quer na sua vertente técnica.
A falta de qualificação profissional e educacional é um dos flagelos que assola Portugal, sendo que no Barreiro estes valores atingem patamares mais elevados do que a média nacional.
As escolas básicas do Barreiro sofrem de um elevado grau de degradação, condenando as crianças a desenvolverem o seu percurso académico em condições manifestamente desadequadas e desenquadradas de um ensino de qualidade.
Sintomaticamente, as escolas do ensino secundário do concelho ocupam, nos rankings nacionais, lugares sucessivamente desoladores.
No que respeita à formação profissional, o Barreiro, que outrora se constituía como um pólo de referência, tem vindo a degradar-se. Como um exemplo último de degradação do estado das coisas, atente-se à Escola Bento de Jesus Caraça, sobre a qual recai permanentemente a possibilidade de fechar portas.
Não negligenciamos a necessidade de desenvolver estratégias de combate ao
abandono escolar, onde se tem vindo a verificar uma preocupante escalada.
Uma das nossas maiores preocupações será o empreendimento de esforços no sentido de promover a abertura da escola às instituições políticas, catalizando dessa forma a criação de uma comunidade escolar mais dinâmica, politizada e civicamente activa.
Salientamos como uma das maiores carências da comunidade estudantil a criação de locais de estudo realmente eficientes, relembrando que o espaço J foi concebido apenas como uma solução transitória e que, apesar de ser uma opção para os jovens, encontra-se longe de dar a devida cobertura àqueles que necessitam deste tipo de espaços.
. SOLIDARIEDADE E ACÇÃO SOCIAL
Uma associação com um legado de intervenção social, como a JS, não pode descurar a sua natureza solidária. Quem pugna por valores de solidariedade não pode, por uma questão de coerência, esquecer as suas responsabilidades perante a sociedade civil no que se refere ao papel de acção social.
Uma das formas de actuação, será o constante apelo às empresas sedeadas no concelho, para que adoptem uma cultura de responsabilidade social.
Pelo papel que as IPSs (Instituições Públicas de Solidariedade) desempenham no combate à exclusão social, é fundamente que as associações partidárias compreendam a necessidade de lhes prestar um apoio e acompanhamento constantes, ao invés de meros actos circunstanciais que assumem muitas das vezes contornos meramente publicitários.
No que respeita às questões da habitação social, o concelho do Barreiro acumula simultaneamente enormes carências aliadas a uma prática de intervenção real nula. É disso exemplo, o Plano Especial de Realojamento (PER) que, apesar de tantas páginas preencher na imprensa local e de tanto animar discussões inócuas nos diversos fóruns autárquicos, continua a apresentar uma taxa de execução vexatória para todos nós.
A exclusão social no Barreiro, sob as mais diversas formas, deve-nos preocupar sobremaneira. A realidade apresenta enormes discrepâncias em relação à informação que é veiculada para os nossos concidadãos. A escassez de informação tem que ser combatida através da denúncia de qualquer tipo de marginalização social, sob pena de estas situações continuaram a passar incólumes à consciência de quem detém o poder decisor.
Em matéria de acção social urge passar das palavras aos actos. Lamentavelmente, ser solidário sem o praticar tornou-se um lugar comum. O incremento do voluntariado é apenas um dos exemplos das formas como uma associação do cariz da JS, pode combater este flagelo. É para nós prioritário travar este desafio.
F. Relações institucionais.
A JS, enquanto organização seriamente empenhada na concertação de um Barreiro e de um Portugal melhores, não pode escamotear a necessidade de um verdadeiro estreitamento de laços, não só com os cidadãos, mas igualmente com as suas organizações e formas associativas. Assim, empenhar-nos-emos em aprofundar e clarificar meios de diálogo com as estrutura políticas envolventes - JS e PS -, e sobretudo com a sociedade civil, pilar fundamental de uma comunidade aberta e democrática.
F1 - Relações internas.
JS Barreiro/PS Barreiro
O carácter de autonomia da Juventude Socialista é, para nós, um princípio inalienável. A subserviência não é, sob forma alguma, uma manifestação salutar de apoio, mas sim uma deturpação da declaração de princípios do PS e da JS. Acreditamos convictamente que a afirmação plena da Juventude Socialista a nível concelhio se consubstancia na real valorização dos seus princípios identitários. Ambicionamos construir com o Partido Socialista uma relação biunívoca assente em valores como o respeito mútuo, a confiança e a cooperação.
A Juventude Socialista percorreu um longo trajecto desde os tempos em que era vista como um aglomerado de jovens que abanavam bandeirinhas e engrossavam o caudal de multidões em períodos eleitorais. Hoje, afirma-se como uma estrutura séria, capaz de formar novos quadros políticos, vincar publicamente as suas posições e veicular as suas ideias junto das camadas mais jovens. Com efeito, concebemos esta relação como uma caminhada para um mesmo objectivo - afirmar o Socialismo na cidade do Barreiro.
JS Barreiro/JS FedSet
A Federação de Setúbal enfrentou, num passado recente, um ciclo conturbado.
Nesse sentido, travámos uma árdua mas profícua batalha, com o propósito de recolocar e afirmar o Barreiro no panorama da esfera política distrital.
Simultaneamente, reerguemos uma estrutura que, sendo fundamentalmente catalisadora de trabalho, é essencial na maximização do rendimento concelhio. Com efeito, decidimos adoptar a premissa de aprofundamento de uma relação institucional estreita entre as estruturas. Optarmos por uma visão integrada das diferentes estruturas da JS é mais do que um cliché político; é, sobretudo, o garante da afirmação de um projecto político consequente.
JS Barreiro/JS Nacional
O distanciamento institucional entre as concelhias e as estruturas nacionais é próprio à natureza estrutural da Juventude Socialista. Não obstante, é de extrema importância a afirmação da voz do Barreiro a nível nacional. Para tal, contamos com os camaradas eleitos para os diversos órgãos federativos e nacionais.
O primado da afirmação do todo sobre o mero protagonismo pessoal deve ser
pedra basilar da actuação dos nossos eleitos a nível nacional.
F2 - Relações com a sociedade cívil.
Associações Juvenis
A JS, enquanto associação vocacionada para as áreas da juventude, privilegiará o seu relacionamento com o associativismo juvenil, por via das associações e grupos informais que o compõem, considerando que se trata de uma forma privilegiada de intervenção social e politica dos jovens, interlocutor na definição das políticas de juventude, constituindo uma escola de aprendizagem democrática e de exercício dos direitos de cidadania, garante da participação politica, da criação cultural e de práticas desportivas.
Associações de Solidariedade Social
Por uma tradição histórica e cultural, bem vincada a nível dos princípios fundamentais da Juventude Socialista, a estrita simbiose que se observa entre a estrutura de intervenção política e as instituições de matriz social surge na sequência de um processo natural e recíproco. Por este motivo, a aplicação intransigente de um modelo de proximidade para com as organizações encarregues desta actuação é um dever que, invariavelmente, deve ser preservado.
Porque preconizamos os reais valores de esquerda, perspectivada segunda uma lógica de vanguarda e modernidade, o diagnóstico rigoroso e actualizado da realidade social do Barreiro é um imperativo de actuação fundamental à afirmação de uma JS Barreiro conscientemente actuante.
Associações de Estudantes
O associativismo estudantil é muitas vezes o primeiro contacto dos jovens com a política. É através desta forma de associativismo que a juventude sente pela primeira vez a responsabilidade de liderar um projecto, concretizar ideias, levar á prática acções e eventos.
Invariavelmente, este meio desperta por parte das estruturas partidárias a tentação de manipular os mais jovens, preterindo o incentivo imparcial.
A politização do meio académico juvenil é desejável pois dota os mais jovens de opinião política estruturada, de um sentido crítico mais refinado e consequentemente aumenta a sua capacidade de intervenção cívica.
As escolas deviam constituir-se como espaços privilegiados para fomentar ideias e opiniões políticas e não, como formadores monolíticos de consciências cívicopoliticas amorfas e letárgicas. “ Os jovens de hoje são os lideres de amanhã ”; aliando esta premissa ao estado actual de descrédito que a política atravessa aos olhos dos mais novos, a JS admite a sua responsabilidade e assume também a sua função nevrálgica de levar a sua mensagem aos mais jovens de uma forma menos partidarizada e mecanizada, tendo em vista o incentivo e apoio a quem tem ideias e quer participar activamente em prol da sua comunidade escolar.













