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Bastidores

O PS, O DISTRITO DE SETÚBAL E O FUTUROPor Vítor Ramalho

“O eleitorado dá-nos confiança para governarmos o país, mas não no-la dá, para a governação autárquica no distrito.” – sublinha Vítor Ramalho, líder distrital do Partido Socialista, em artigo publicado no jornal “Acção Socialista”.

“Porque são as ideias que em política tudo comandam, é um erro procurarmos as causas dos desaires nas autárquicas nos perfis dos candidatos” – salienta Vítor Ramalho.

“A CDU está, de forma crescente, a descredibilizar-se, mas é necessário que seja o PS a promover essa exploração assumindo-se como partido de esquerda democrática que é, e opondo o projecto da CDU ao nosso, sem cedências à direita que nos descaracterizam.” – refere o Presidente da Federação Socialista

“Não nos podemos esquecer que as próximas eleições legislativas serão muito chegadas às autárquicas senão mesmo realizadas em simultâneo.” – recorda Vítor Ramalho.

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O PS, O DISTRITO DE SETÚBAL E O FUTURO Por Vítor Ramalho

Por Jornal Rostos

Divulgamos o texto integral editado no jornal “Acção Socialista”

O PS, O DISTRITO DE SETÚBAL E O FUTURO
Por Vítor Ramalho

O DISTRITO de Setúbal é um dos mais populosos do país, com uma grande extensão territorial que vai de Sines a Alcochete.
E, por outro lado, um distrito onde, como costumo dizer, o coração dos eleitores bate à esquerda.
A regra, nas eleições legislativas, é a do P5 vencer de forma muitíssimo clara, em todos os seus 13 concelhos, sem excepção. Assim, também sucedeu nas últimas eleições. No recente referendo sobre a IVG, o distrito teve o melhor resultado nacional, se conjugarmos os votos no “sim’ (82 por cento) com a abstenção (51 por cento). Isso não foi indiferente à acção do PS e dos seus militantes.

Sucede porém que os resultados nas legislativas não têm sido transponíveis para as eleições autárquicas. Nas últimas autárquicas, o PS perdeu três Câmaras — Alcochete, Barreiro e Sesimbra e por ter ganho só mais uma — Alcácer do Sal — o resultado traduziu-se num forte reforço da CDU, que passou a ter dez câmaras municipais e o PS apenas três — Alcácer, Grândola e Montijo. O BE alcançou cerca de 10 por cento nestas eleições!..., tendo conseguido nas legislativas fazer eleger dois deputados. Sucedeu porém que mesmo nos concelhos em que ganhámos, que foram apenas três, a regra foi a de urna quebra de votos em relação às penúltimas autárquicas. Em Setúbal, capital do distrito, passámos mesmo a terceira força, atrás cio PSD, para quem perdemos votos. Nos outros concelhos essa perda foi para o BE.

Daqui resulta urna óbvia consequência — o eleitorado dá-nos confiança para governarmos o país, mas não no-la dá, para a governação autárquica no distrito.
É necessário aprofundarmos a análise que levou a este estado de coisas. E é necessário porque só através de uma análise correcta se poderá inverter a situação, reforçando no distrito o poder autárquico para o PS. Esse reforço é muito importante para o PS, para os cidadãos eleitos e para o país sobretudo para o futuro. E isso está nas nossas mãos. Os riscos serão múltiplos se não concentrarmos esforços para esse objectivo. Não nos podemos esquecer que as próximas eleições legislativas serão muito chegadas às autárquicas senão mesmo realizadas em simultâneo.

Porque são as ideias que em política tudo comandam, é um erro procurarmos as causas dos desaires nas autárquicas nos perfis dos candidatos que temos apresentado. Analisarmos desta forma a realidade só serve para fulanizarmos a concepção da política, confundirmos a árvore com a floresta, e contribuirmos para a nossa própria divisão. Não consta que o PS apresente candidatos para perder. Devemos partir do princípio que os candidatos socialistas foram sempre os que, em cada conjuntura e como regra, se apresentaram como os melhores.
Se esta é a realidade — e é — todos, a começar pelos mais responsáveis, devemos fazer um sério esforço, de humildade, para abordarmos a estratégia do futuro para as próximas autárquicas de forma completamente diferente.

Em primeiro lugar, acreditando em nós, com uma estratégia global, que seja compreendida pelos eleitores e que se oponha à da CDU. A CDU está, de forma crescente, a descredibilizar-se, mas é necessário que seja o PS a promover essa exploração assumindo-se como partido de esquerda democrática que é, e opondo o projecto da CDU ao nosso, sem cedências à direita que nos descaracterizam.
E importante que denunciemos reiteradamete o desrespeito que a CDU manifestou perante os eleitores de Setúbal, impondo a renúncia ao ex-presidente da Câmara Carlos Sousa e ao vereador Aranha Figueiredo, renúncias essas que se fundamentaram, de facto, no descalabro financeiro da gestão autárquica. Para se ter a noção desse descalabro é útil que se diga que o endividamento da Câmara é o dobro do que foi deixado por Mata Cáceres, apesar da CDU ter efectuado há três anos um acordo de reequilíbrio financeiro com o Governo do PSD. Nada, absolutamente nada de estruturante foi feito na Câmara de Setúbal pela CDU. A situação financeira das Câmaras do Seixal e de Sines nada ficam, por outro lado, a dever à de Setúbal, com a agravante do Seixal ter hoje mais população que Almada, num crescimento que é suportado por forte desordenamento do território, de extrema gravidade. Visitar Santa Marta de Corroios servirá de exemplo ao que afirmo.

Acresce que a Câmara da Moita se prepara para rever o PDM, com o intuito de duplicar a população do concelho, num quadro de flagrantes atropelos à lei como os residentes da Várzea da Moita têm feito eco. Este quadro não teve até ao presente qualquer projecto enquadrador dos chamados concelhos do arco ribeirinho, em particular dos projectos que articulem os terrenos e os objectivos da Siderurgia Nacional (Seixal) com os da Margueira (Almada) e da Quimiparque (Barreiro).
A qualidade de vida e a sustentabilidade não são nem têm sido conceitos que entram na visão da CDU.
A esta ausência de perspectiva há que contrapor - o projecto do PS e em concreto nos concelhos onde somos poder, como Grândola, Alcácer do Sal e Montijo. Nos próximos dez anos Grândola e a sua península de Tróia terão o maior desenvolvimento turístico de sempre. Os investimentos em causa, privados, deveriam ser articulados com os da cidade de Setúbal, mas neste nada existe de concreto. O próprio programa Pólis está parado.

E é necessário que se diga que o distrito de Setúbal vai ser o primeiro do país a receber avultados investimentos públicos, alguns deles a promover em parceria com investimentos privados — a plataforma logística do Poceirão, em Palmela, a nova máquina para a Portucel em Setúbal, o avanço do metro ao sul do Tejo, os equipamentos da Galp em Sines, para só falar em alguns.
O PS não pode nem deve agora desfalecer nem cruzar os braços. O futuro, a ser construído com um projecto claro e sustentado com um ideário, que atenda aos mais desfavorecidos, e ao mundo do trabalho — o que para o distrito nunca é de mais sublinhar — depende exclusivamente de nós, ou seja, da unidade que soubemos forjar e construir, da atracção dos mais capazes e de uma mais íntima e consequente relação com a sociedade envolvente.
Não duvido que seremos capazes! Porque disso depende o futuro.

Vítor Ramalho
Deputado do Partido Socialista
Presidente da Federação Distrital de Setúbal do Partido Socialista

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