Bloco de Esquerda – BarreiroArranque das comemorações dos 100 anos da CUF
O deputado do Bloco de Esquerda, Fernando Rosas sublinhou, ontem, em conferência de imprensa, “simbolicamente” à porta de um dos portões principais da antiga CUF, que às comemorações oficiais, que vão ser levadas a cabo pela Câmara Municipal do Barreiro, pela família Mello e pela Quimiparque, para assinalar a obra de Alfredo da Silva e da CUF, o BE propõe uma comemoração mais alargada, “que não deixe de parte uma memória essencial de 100 anos de vivência e de luta dos trabalhadores”.

Por Jornal Rostos
Convocar a memória do “outro lado” da CUF e do Barreiro é o mote de partida lançado pelo Bloco de Esquerda para assinalar as comemorações do centenário da CUF. O deputado do Bloco de Esquerda, Fernando Rosas sublinhou, ontem, em conferência de imprensa, “simbolicamente” à porta de um dos portões principais da antiga CUF, que às comemorações oficiais, que vão ser levadas a cabo pela Câmara Municipal do Barreiro, pela família Mello e pela Quimiparque, para assinalar a obra de Alfredo da Silva e da CUF, propõem uma comemoração mais alargada, “que não deixe de parte uma memória essencial de 100 anos de vivência e de luta dos trabalhadores”, refere.
“Barreiro foi um arco-íris de ideias do socialismo”
Fernando Rosas considera que a data que se assinala não pode deixar ocultos “os 100 anos de resistência silenciosa de muitos combates que levaram trabalhadores à cadeia pelo único crime de lutarem a favor da sua dignidade enquanto cidadãos e trabalhadores”. Recordando as lutas operárias da CUF de 1919 e 1920, as greves de Julho de 1943, a perseguição e prisão a que os trabalhadores estiveram sujeitos durante o regime de Salazar e estendendo inclusive às memórias da vivência quotidiana da população com a poluição fabril. Um discurso que não quer que fique no silêncio, mas que venha dar voz também a quem passou por esse tempos ”no sentido de fazer do passado um momento de intervenção do presente e do futuro”. E por considerar que o “Barreiro foi um arco-íris de ideias do socialismo”, invoca que “a memória dos 100 anos de combate não fique oculta à memória de glorificação de Alfredo da Silva.”
“Passar às novas gerações todas as vivências dessa época industrial”.
As comemorações surgem por iniciativa das Comissões Concelhias do Bloco de Esquerda do Barreiro e da Moita, por estarem mais ligados à construção da CUF, mas também apoiadas pelo BE distrital e central, faz questão em sublinhar Mário Durval, membro da Concelhia do Bloco de Esquerda do Barreiro. Mário Durval apelou também à importância de não deixar esquecer “o lado daqueles que sofreram e lutaram e ajudaram a construir essa riqueza económica da cidade”, a CUF, na altura o maior complexo industrial do país. E no pontapé de saída, que constitui o arranque das comemorações do BE, afirma a disponibilidade dos “bloquistas” para que essa memória não seja esquecida. Da concelhia do BE da Moita, Joaquim Raminhos fez menção à necessidade de ficar registado na memória a resistência dos operários “que souberam dar resposta a um movimento de exploração” para “passar às novas gerações todas as vivências dessa época industrial”.
“Comemorações no espírito de total liberdade e liberalismo”
No programa que se prolonga de Junho de 2007 a Maio de 2008, e que apresentam no mês em que passam 100 anos sobre a compra dos terrenos, pelo industrial Alfredo da Silva, onde viria em 1908 a funcionar a CUF, Fernando Rosas fala de “comemorações no espírito de total liberdade e liberalismo” que incluem colóquios, uma exposição, um concerto e teatro de rua. “Contributos para convocar a História e construir o presente e o futuro”.
O primeiro colóquio terá lugar na Biblioteca Municipal do Barreiro a 6 de Julho, pelas 21h30, com o tema “1907-1943: Alfredo da Silva, a CUF e as lutas partidárias”. Para a conversa, Fernando Rosas diz terem sido convidados desde historiadores, a sociólogos e moradores dos antigos bairros operários. Sem ter em conta classes ou cores políticas, mas “de uma forma plural, ampla e livre”, o importante diz ser a homenagem a “todos os Homens cujo suor e lágrimas fizeram a liberdade e a democracia no Barreiro”.
Andreia Lopes Gonçalves













