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Bastidores

Bloco de Esquerda Barreiro - MoitaColóquio - “A CUF, o grupo Mello e o Portugal do pós-guerra”

O 2º colóquio que o Bloco de Esquerda organizou, a propósito do centenário da CUF, trouxe, às 100 pessoas que se deslocaram ao auditório da colectividade “A Velhinha”, em Alhos Vedros, no passado dia 21 de Setembro, uma contextualização geográfica, histórica e económica sobre o Portugal do pós-guerra e o papel da CUF e do Grupo Mello à época.

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Bloco de Esquerda Barreiro - Moita Colóquio - “A CUF, o grupo Mello e o Portugal do pós-guerra”

Por Jornal Rostos

Na mesa estiveram presentes Alfreda Cruz, investigadora; Fernando Rosas, historiador; e Brandão de Brito, economista.

Alfreda Cruz traçou um panorama geográfico sobre o que era a Margem Sul no Portugal após a II Guerra Mundial. Zona de perfil costeiro, a esta margem esquerda do estuário do Tejo, começou a chegar, através do caminho-de-ferro, quantidades volumosas de matéria-prima e capitais provenientes do estrangeiro. Destaque para a cortiça, cuja indústria teve um papel muito importante para o desenvolvimento e identidade regional. O Distrito de Setúbal, por ser uma rota de comércio, é o local escolhido para a instalação de indústrias pesadas, como a CUF, a Siderurgia e a Lisnave, empresas que se afirmam como pilares na sustentação económica do país. Ainda segundo a investigadora, os trabalhadores da CUF, eram maioritariamente originários da Beira, do Algarve e do Alentejo.

Fernando Rosas apontou cinco grandes desafios como critérios para o Estado Novo ter conseguido modernizar o país: o desafio do desenvolvimento sustentado, a descolonização, a integração europeia, a democratização política e a democratização social. Desafios estes fracassados pela postura anti-democrata de Salazar que via o povo português como "infatilóide", carecendo de "um pai austero". Por sua vez, as colónias eram objecto de grandes interesses económicos, dos quais demorou 13 anos a abdicar com uma guerra cujo esforço de combatentes foi maior que o dos Estados Unidos no Vietname. A Banca, os seguros e o comércio fazem de tudo para se agarrar ao Império e a CUF tem um papel preponderante, com negócios solidamente implantados em África.

Para o historiador, Portugal foi protagonista de uma espécie de tragédia. Quando inicia a integração na Europa, já os efeitos da globalização se começavam a sentir e o país estava mal preparado. É o MFA que, 30 anos depois da guerra, vai retomar como programa o que o Estado Novo não conseguiu cumprir no pós-guerra, ou seja, "democratizar, descolonizar e desenvolver".

Brandão de Brito destacou o papel da CUF durante os três primeiros quartéis do século, caracterizando-a como uma das principais forças que mudaram o modelo económico do Portugal do pós-guerra e como o grupo económico que maiores taxas de expansão registou e com maior número de actividades.

Falou de Alfredo da Silva e da forma como este, graças à fortuna que herdou aos 17 anos, conseguiu criar o grupo económico que a CUF se veio a tornar. Com uma personalidade de instinto killer, Alfredo da Silva "esmagou os preços até ao último concorrente falido, ficou sozinho no mercado e passou a ter o monopólio do sabão", explicou o economista.

Brandão de Brito referiu que, com a II Guerra Mundial, o capitalismo ganhou novo fôlego e Portugal sentiu a necessidade de deixar de ser um país sobretudo agrícola e de se industrializar. Neste contexto, a CUF vai começar a apostar na Europa com a concretização da EFTA, da qual Portugal é membro fundador. Conta, ainda, que o Grupo Mello compra o Banco Totta com o objectivo de se financiar a si próprio.

Texto e foto enviados pelo Bloco de Esquerda

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