PCP Setúbal acusa“Situação no Centro Hospitalar de Setúbal é um exemplo de desrespeito pelo direito à Saúde”
A Comissão Concelhia de Setúbal do Partido Comunista Português, em conferência de imprensa alertou para as condições do serviço prestado aos utentes no Centro Hospitalar de Setúbal, EPE., e que, sublinha “se enquadram num quadro mais geral de desresponsabilização do Estado em relação às funções sociais que constitucionalmente lhe estão atribuídas, e de desmantelamento do Serviço Nacional de Saúde.”

Por Jornal Rostos
“O Centro Hospitalar de Setúbal está a desenvolver o processo de acreditação de qualidade. No entanto, perguntamos se esse processo terá, efectivamente, como objectivo a melhoria da qualidade dos serviços prestados aos utentes, considerando um conjunto de situações preocupantes que se registam em diferentes serviços, e de investimentos que parecem tardar em ser realizados.” - salienta a Comissão Concelhia do PCP de Setúbal.
A carga de trabalho é excessiva resultando na deterioração da qualidade dos cuidados prestados
“No caso do Serviço de Urgência, após encerramento do SADU, em Junho do ano passado, registou-se aumento de afluência àquele serviço de mais cerca de 50 utentes por dia, sem que se tenha registado qualquer aumento do pessoal afecto a este serviço; esta situação resulta em maiores atrasos no atendimento e maiores condicionamentos ao trabalho dos profissionais, que são os primeiros a sentir a reacção negativa dos utentes e a serem obrigados a gerir conflitos” – refere a organização de Setúbal do PCP, acrescentando que – “regista-se a contratação de médicos através de empresas de trabalho temporário, quando a sua função é de carácter permanente (também na Maternidade)”.
Segundo o PCP – “tanto para médicos como para enfermeiros e auxiliares de acção médica a carga de trabalho é excessiva, resultando na deterioração da qualidade dos cuidados prestados” – sublinhando que – “a situação de falta de pessoal, designadamente de enfermeiros, configura uma contradição, considerando a situação de mais de 2 500 profissionais de enfermagem actualmente no desemprego.”
No Serviço de Observação os utentes permanecem mais que as primeiras 24h recomendáveis
“Ainda no que respeita aos enfermeiros, registam-se atrasos enormes no pagamento de subsídios de ferias e também de turnos extraordinários, inúmeras situações de enfermeiros a desempenhar funções iguais com contratos e remunerações diferentes e a classificação das horas de cuidado (tempo necessário a observação de cada doente) não está a ser efectuada.
No Serviço de Observação os utentes permanecem mais que as primeiras 24h recomendáveis. Nalguns casos chegam a estar neste serviço 3 a 4 dias, em macas, nos corredores, sem que as famílias os possam visitar nas mesmas condições que os doentes em enfermaria, sem espaço para os seus bens pessoais, sem privacidade. Esta situação acontece pela falta de capacidade das enfermarias.
O Serviço de Infecciologia e Pneumologia funciona sem condições adequadas, nomeadamente no que respeita ao tratamento do ar/controlo da qualidade do ar, processo indispensável para um espaço com esta utilização. Há cerca de um ano, esta situação terá tido consequências para uma enfermeira que teve problemas de saúde.” – salienta a concelhia do PCP de Setúbal.
Um número superior a 38 mil utentes sem médico de família
“É preocupante a falta de higiene em instalações sanitárias dos doentes. São deficientes e inadequadas as condições do equipamento e mobiliário (por exemplo, camas).
Estas situações ocorrem num concelho que regista um número superior a 38 mil utentes sem médico de família. Num concelho alvo das consequências das decisões do Governo e do Ministério da Saúde que efectivou o encerramento do Serviço de Atendimento a Doentes de Urgência em Junho de 2007, um serviço essencial para a prestação de cuidados básicos de saúde e que atendia mais de 240 utentes/dia.” – sublinha a finalizar a concelhia do PCP.













