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Bastidores

Novo IP8 encurtará bastante o tempo de viagem entre Sines e BejaNovas infra-estruturas melhoram ligações entre o litoral e o interior do Alentejo

O Primeiro-Ministro, José Sócrates, o Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Mário Lino, e o Secretário de Estado Adjunto, das Obras Públicas e das Comunicações, Paulo Campos, presidiram no sábado passado, em Ferreira do Alentejo, Beja, à cerimónia de assinatura do Contrato de Concessão do Baixo Alentejo.

A Concessão tem como objectivo assegurar a coesão territorial, através de uma ligação de qualidade (o IP8, com perfil de auto-estrada) entre o Litoral e o Interior do Alentejo, bem como melhorar os acessos a duas infra-estruturas cruciais para o desenvolvimento da capacidade logística comercial e económica daquela Região: o Porto de Sines e o futuro Aeroporto Internacional de Beja. O novo IP8 encurtará bastante o tempo de viagem entre Sines e Beja.

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Novo IP8 encurtará bastante o tempo de viagem entre Sines e Beja Novas infra-estruturas melhoram ligações entre o litoral e o interior do Alentejo

Por Jornal Rostos

Esta Concessão, associada à do Baixo Tejo, contratada há uma semana, permitirá aumentar consideravelmente as taxas de execução do Plano Rodoviário Nacional (PRN), nomeadamente no Distrito de Setúbal, com um incremento de 16%, atingindo os 86% (em 2005 a taxa era de 70%).

A entidade adjudicatária é o Grupo Estradas da Planície, constituído pela Iridium Concessiones de Infraestructuras, SA, Desarollo de Concessiones Viárias Uno, SL, Dragados, SA, Edifer Construções Pires Coelho & Fernandes, SA, Edifer Investimentos – Sociedade Gestora de Participações Sociais, SA, Tecnovia, Sociedade de Empreitadas, SA, Tecnovia Madeira – Sociedade de Empreitadas, SA, Conduril, Construtora Duriense, SA, e Conduril – Gestão de Concessões de Infraestruturas, SA.

O Primeiro-Ministro, José Sócrates, classificou a Concessão do Baixo Alentejo como uma “obra vital e essencial para o Alentejo” e assegurou que a contratualização desta infra-estrutura é, desde logo, “uma razão de justiça com o Alentejo, com o Interior e com a economia do Alentejo”.
“Por alguma razão esta obra era uma das mais aspiradas e desejadas para o Alentejo. Desde logo porque liga o Litoral ao Interior do Alentejo e isso reforça a coesão e a identidade de uma região, mas a obra, também, é essencial porque liga duas das principais infra-estruturas do Alentejo, o Porto de Sines e o Aeroporto de Beja. E, de certa forma, esta obra vai concluir o triângulo estratégico, no qual se baseia o desenvolvimento do Alentejo, que é o triângulo constituído pelo Alqueva, pelo Aeroporto de Beja e pelo Porto de Sines”, disse.
“Vamos finalmente fazer o IP8, desde logo, pela justiça com o Alentejo em nome do reforço das condições da economia do Alentejo, mas também em nome do interesse nacional”, afiançou lembrando que o País precisa, neste momento, de mais investimento público “dirigido para melhorar as condições de competitividade da nossa economia, mais investimento público para melhorar a qualidade de vida dos portugueses, mas também mais investimento público que garanta maior dinamismo económico e mais oportunidades de emprego para os portugueses”.

Concessão assegura acessos ao Porto de Sines
A Concessão do Baixo Alentejo abrangerá os Concelhos de Grândola, Sines, Santiago do Cacém, Ferreira do Alentejo, Beja, Évora, Portel, Vidigueira, Ourique, Castro Verde, Palmela, Cuba e Alcácer do Sal, beneficiando directamente 280 mil pessoas.
O empreendimento tem uma extensão total de 344km, dos quais 124 correspondem a lanços a construir. A Concessão Baixo Alentejo integra os seguintes itinerários novos:
- Lanço entre Évora (IP7) e S. Manços no IP2; - Lanço entre Sines e Beja no IP8;
-Lanço entre Sines e Santo André na Estrada Regional (ER) 261-5.
Os restantes 220km referem-se a lanços já em serviço, que a entidade adjudicatária passará a explorar, designadamente:
- Ligação entre S. Manços e Beja no IP2;
- Ligação entre a Marateca (IP1) e o IP8;
- Ligação entre Santiago do Cacém e Grândola no IC33;
-Ligação entre Beja e Castro Verde (A2/IP1) no IP2, que incluirá ainda beneficiação e desnivelamento de nós.

Ligação Litoral/Interior do Alentejo reduz sinistralidade e tempos de percurso
A construção desta Concessão permitirá aumentar significativamente o número de habitantes que acedem a Beja em menos de uma hora: de 189.370 para 234.750 (mais 24%). Com o novo IP8 o tempo de viagem entre Sines e Beja fica encurtado para menos de uma hora de distância. Saliente-se ainda que as cidades mais distantes de Beja, como Lisboa ou Setúbal, ficam a menos tempo de viagem, devendo o percurso encurtar-se 26 minutos com a nova auto-estrada Sines/Beja.

No que respeita à área de influência de Sines, o número de habitantes que com esta via fica a menos de uma hora de distância da cidade sofre um aumento ainda maior: de 85.837 para 137.006 (ganho de 60%). Os tempos de percurso entre Beja e demais localidades próximas e distantes apresentam uma redução drástica, como abaixo se demonstra:
- Beja – Sines: a viagem será encurtada de 89 para 55 minutos
(38%);
- Beja – Santiago do Cacém: de 80 para 50 minutos (37%);
- Beja – Ferreira do Alentejo: de 24 para 13 minutos (46%);
- Beja – Setúbal: de 98 para 72 minutos (27%);
- Beja – Lisboa: de 110 para 84 minutos (24%);
- Beja – Grândola: de 55 para 32 minutos (42%);
- Beja – Portalegre: de 150 para 120 minutos (20%);
- Beja – A6/Évora: de 80 para 50 minutos (38%);
- Beja – Estremoz: de 100 para 70 minutos (30%).

A redução da sinistralidade decorrente da construção destas vias é outro dado crucial que concorre para a melhoria das condições de vida das populações abrangidas. Estima-se que a Concessão Baixo Alentejo proporcione uma redução da sinistralidade grave de 13%, permitindo diminuir o número de mortos em cerca de 15%. No período de 30 anos que dura esta Concessão é previsível que haja uma baixa de sete mortos anuais. A qualidade das novas vias contribuirá igualmente para a redução de feridos graves: estima-se que haja uma quebra de 17% neste tipo de sinistrados, o que no período de 30 anos da Concessão poderá representar menos 21 feridos graves por ano. Também a sinistralidade ligeira baixará: é esperada uma redução de 8% do número de feridos ligeiros. Durante o período concessionado haverá menos 57 feridos ligeiros por ano. As principais reduções das ocorrências de sinistralidade serão especialmente sentidas no novo corredor do IP8 (A26) e na zona de Évora devido à construção do novo lanço do IP2, que se assumirá como uma alternativa de qualidade ao tráfego que atravessa a cidade.

Empreendimento com saldo positivo
O investimento inicial por parte do Grupo Estradas da Planície (entidade adjudicatária) está estimado em 315M€. O investimento total ascenderá aos 690M€, custo inferior em 11% ao previsto no Estudo de Viabilidade da Concessão elaborado pela KPMG, que apontava para 778M€. Também o esforço financeiro da EP – Estradas de Portugal, SA, ficará abaixo das estimativas: 287M€, inferior em mais de 30% ao calculado no Estudo de Viabilidade atrás referido, que previa um valor superior a 400M€. O financiamento da Concessão Baixo Alentejo vai ser assegurado pela Caixa BI, Société Générale, BPI, Santander Totta e Caja Madrid. O Banco Europeu de Investimento (BEI) contribui com cerca de 200M€.

De acordo com o Ministro das Obras Públicas esta concessão foi individualmente sujeita a uma relação de custo benefícios, que “mostra que ela é vantajosa para o país”. Saliente-se que os benefícios gerados pela construção do Baixo Alentejo superam em 50% os custos que lhe estão associados: 734M€ de benefícios económicos e sociais contra 507M€ de custos, gerando um saldo positivo de 227M€. Entre os benefícios apontados nos estudos figura o aumento da produtividade das empresas e trabalhadores e aumento do PIB. É expectável que a Concessão crie ainda 8.000 postos de trabalho.
Ainda segundo Mário Lino, o início das obras da Concessão está marcado para daqui a três meses e a conclusão para dentro de 36 meses.

Para a Governadora Civil do Distrito de Setúbal, Eurídice Pereira, estas vias constituem uma importante mola impulsionadora para reforçar a posição do Distrito nos desígnios do desenvolvimento económico nacional.

“A subconcessão do Baixo Alentejo aposta em infra-estruturas fundamentais para um vasto território. Permito-me, dos diversos investimentos, destacar o IP8. O Itinerário Principal que vai ligar Sines a Beja, particularmente o Porto de Sines, na lógica do desenvolvimento económico, ao Aeroporto de Beja. Este IP8 é uma via rodoviária estruturante e que há muito é aguardada, e agora está ao alcance. Estes importantes investimentos referentes à subconcessão do Baixo Alentejo são fundamentais para reforçar o posicionamento do Distrito de Setúbal mas, em particular, o Litoral Alentejano nos desígnios do desenvolvimento económico do nosso país. O Porto de Sines vai ter agora mais um forte incentivo a juntar aos muitos que entretanto vem ganhando para que possa navegar de vento em popa”.

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