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Bastidores

D. Gilberto, Bispo de Setúbal«Ao criar-nos à imagem e semelhança de Deus dá a cada pessoa uma dignidade inalienável»

Na sua homilia, D. Gilberto Canavarro, Bispo de Setúbal, na missa que decorreu no Santuário do Cristo Rei, no âmbito das comemorações do cinquentenário do monumento, lançou o repto : “ Vamos trabalhar com novo entusiasmo para que o Santuário seja, mais e mais, lugar de encontro dom Deus, com os outros, consigo mesmo e com a natureza?”

“Que pode Jesus Cristo, representado na grandiosa imagem que encima o Monumento, dar a este mundo que, na busca legítima do progresso, da felicidade e de paz, tantas vezes desanima, entra em crise e cai no caos?” – sublinhou o Bispo de Setúbal.

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D. Gilberto, Bispo de Setúbal «Ao criar-nos à imagem e semelhança de Deus dá a cada pessoa uma dignidade inalienável»

Por Jornal Rostos

Divulgamos o texto integral da homilia de D. Gilberto Canavarro, Bispo de Setúbal:

Saúdo os fiéis aqui presentes e os que nos acompanham pela Televisão. Nesta celebração incluída nas Bodas de Ouro do Monumento a Cristo Rei bendizemos a Deus pelos irmãos que o edificaram em acção de graças pela paz e em testemunho da fé em Deus para o país inteiro. E também damos graças ao Pai que, através da imagem de Cristo Rei, Seu Filho bem amado, nos abraça com ternura dia e noite.

Dar graças não dispensa a pergunta sobre a actualidade do Santuário. Que pode Jesus Cristo, representado na grandiosa imagem que encima o Monumento, dar a este mundo que, na busca legítima do progresso, da felicidade e de paz, tantas vezes desanima, entra em crise e cai no caos?

Destacarei três mensagens e desafios que nascem do Monumento a partir de três afirmações de Jesus no Evangelho acabado de ser proclamado.

Na primeira palavra “Como o Pai me amou, também Eu vos amei”, vê-se o amor de Jesus pelo homem: amor único e grande que nos precede e chama à existência; amor fiel e renovado em cada dia; amor que enche o coração de esperanças e de alegria; amor que, ao criar-nos à imagem e semelhança de Deus, dá a cada pessoa uma dignidade inalienável.

Do alto do Monumento, Cristo revela o mistério do Seu amor a cada homem, oferece-se para o acompanhar na busca de felicidade e na organização da cidade, convida-o a deixar-se envolver pelo amor de Deus e previne-o contra a tentação de procurar a vida fora de Deus ou de criar falsos deuses: não será da fuga de Deus que nascem as crises?

A celebração das Bodas de Ouro do Monumento desafia-nos, pois, a acolher e a permanecer no amor de Jesus e a oferecê-lo de forma credível, como dom essencial, a cada homem e à cidade, como o fez a confidente de Jesus, Santa Margarida de Maria de Alacoque, cujas relíquias estão aqui. Aceitamos o desafio?

Na segunda palavra do Evangelho de hoje: “É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros, como Eu vos amei”, Jesus dá-nos o mandamento do amor.

Também no Monumento, Jesus, de braços em crus, nos manda amar. Fá-lo porque o amor do próximo é essencial à realização do homem e ao progresso harmónico da sociedade. Fá-lo porque pela incarnação Deus está presente em cada homem e considera feito a Si mesmo o que se faz ao homem. Fá-lo porque o egoísmo corrompe tudo de dentro para fora: o coração e a mente, as relações entre pessoas e povos e finalmente as estruturas. A crise que sofremos não tem muito a ver com o egoísmo que
nos impede de descobrir o outro como graça de salvação?

Mas Jesus não dá apenas a Lei do Amor. Amando-nos primeiro, capacita-nos para amar pondo em nós o Seu amor: um amor capaz de ir até ao fim no propósito de querer bem, de perdoar, de ajudar, de reinventar a comunhão e a solidariedade; um amor que se esquece de si para ajudar, que dá o primeiro passo, que sonha novas formas de organização.

A festa dos cinquenta anos do Cristo Rei desafia-nos, por isso, a cultivar o amos do próximo e a ensiná-lo aos outros, começando pelas crianças e jovens, como algo essencial a uma vida sadia e a um novo padrão de vida.

Felizes os que cultivam e ensinam o mandamento novo do Amor.

A última palavra do Evangelho que sublinho é esta: “Eu (...) vos escolhi e
destinei para que vades e deis fruto e o vosso fruto permaneça”.

Jesus, nela, pede aos discípulos que vão pelo mundo e que o encham com os frutos do Amor de Deus para que os homens tenham vida e alegria em abundância.

Isto mesmo é pedido por Cristo Rei, dia e noite, à Igreja: que vades e deis fruto e o vosso fruto permaneça.
Esta celebração desafia-nos, pois, a ser na comunhão da igreja um monumento vivo de Cristo Rei, ou seja, convida-nos a ser testemunhas de Cristo Rei em toda a parte: testemunhas do amor que encontram em Cristo Ressuscitado; testemunhas prontas a dar razão da sua fé; testemunhas que dão à cidade humana os frutos da permanência em Cristo: vida sadia, paz, justiça, alegria, verdade, serviço, perdão e bondade; testemunhas que se aproximam das pessoas magoadas e injuriadas pela solidão, doença, fome de sentido, desemprego ou outra pobreza qualquer – e há tanta gente neste estado! – para lhes darem esperança verdadeira.

Vamos, os peregrinos de Cristo Rei, ser estas testemunhas?

Vamos trabalhar com novo entusiasmo para que o Santuário seja, mais e mais, lugar de encontro dom Deus, com os outros, consigo mesmo e com a natureza?

Nossa Senhora veio convidar-nos, como em Fátima, a abrir o coração a Cristo Rei, de par em par, pela oração e pela conversão sincera.

Episcopado presente nas cerimónias

 Arcebispo de Évora, D. José Francisco Sanches Alves;
 Bispo de Braga, D. José Ferreira da Costa Ortiga;
 Bispo do Algarve, D. Manuel Neto Quintas;
 Bispo de Portalegre/Castelo Branco, D. António Eugénio Fernandes Dias;
 Bispo de Leiria/Fátima, D. António Augusto dos Santos Marto;
 Bispo de Santarém, D. Manuel Pelino Domingues;
Bispo de Coimbra,/Guarda D. Albino Mamede Cleto;
 Bispos Auxiliares de Lisboa, D. Tomaz Nunes, D. Joaquim Mendes, D. Carlos Azevedo, D. Anacleto Oliveira;
 Bispo de Bragança/Miranda, D. António Montes Moreira;
 Bispo de Vila Real, D. Joaquim Gonçalves;
 Bispo do Porto, D. Manuel José Macário do Nascimento Clemente, e Bispos Auxiliares do Porto, D. António Taipa, D. João Lavrador, D. João Teixeira;
 Bispo de Viana do Castelo, D. José Augusto Martins Fernandes Pedreira.

Foto : CMA

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