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Bastidores

Distrital de Setúbal da JSD“Exames Nacionais – As Estatísticas do Facilitismo”

"Começa esta semana o primeiro grande momento de definição da carreira académica de mais de 156 000 alunos.
Uma nota menos conseguida num exame pode ditar toda uma reviravolta, forçando uma alteração na Faculdade de destino, no curso ou até mesmo a repetição do ano para conseguir a tal colocação." - sublinha a JSD de Setúbal, acrescentando que - "Por o momento ser demasiado importante para ser tratado de forma leviana, importa alertar para o dever moral que o Ministério da Educação tem de não repetir os erros dos últimos dois anos".

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Distrital de Setúbal da JSD “Exames Nacionais – As Estatísticas do Facilitismo”

Por Jornal Rostos

As Bibliotecas estão cheias, os Espaços J também e as mesas de restauração dos centros comerciais vêm-se compostas de livros fora dos horários das refeições: está aí a época dos Exames Nacionais de 12º Ano.
Começa esta semana o primeiro grande momento de definição da carreira académica de mais de 156 000 alunos.
Uma nota menos conseguida num exame pode ditar toda uma reviravolta, forçando uma alteração na Faculdade de destino, no curso ou até mesmo a repetição do ano para conseguir a tal colocação.
Tudo pode mudar nestes meses, sendo agora definido como vai ser o Setembro e também os próximos anos dos aspirantes a licenciados, mestres ou doutores.
Por o momento ser demasiado importante para ser tratado de forma leviana, importa alertar para o dever moral que o Ministério da Educação tem de não repetir os erros dos últimos dois anos, em que o grau de exigência dos exames decresceu escandalosamente, conduzindo a uma melhoria irreal e ilusória das médias de acesso.
As estatísticas e o Ministério rejubilaram, mas a Educação saiu claramente a perder.
O facilitismo proporcionado, denunciado por professores, pela SPM (Sociedade Portuguesa de Matemática) e pelos próprios alunos, teve como consequência:
1) um imenso defraudar de expectativas, pois os melhores alunos viram as suas notas ficar relativamente mais baixas, com o seu esforço e dedicação a serem pouco compensados face ao aluno mediano;
2) a inutilidade daquele que era o principal indicador na hora de escolher os cursos/ Faculdades de candidatura: a média de entrada do último colocado nesse curso no ano transacto, já que houve médias a escalar vários pontos;
3) e descredibilização dos exames nacionais enquanto ferramenta de selecção dos alunos.

Este ano, ainda para mais com eleições à porta, será tentador para o Governo voltar a criar condições para poder apresentar estatísticas fantásticas sobre os resultados dos Exames.
A continuar esta política, teremos um grave problema de incentivos com resultados muito nefastos no médio prazo.
Assistiremos ao agravar do fosso entre o Secundário e a Universidade, aumentando o número de reprovações e abandonos no primeiro ano de Faculdade, e o processo de candidatura aos cursos ficará mais próximo de uma lotaria, já que a informação disponível é menos exacta, criando-se mais casos de desajustamento entre a procura de cursos por parte dos alunos e a oferta por parte das Universidades.
Em suma, caminharemos para um sistema mais injusto e ineficaz, para uma Educação menos exigente que, obviamente, irá formar pior alunos, defraudar os projectos de muitos jovens e contribuir para termos um nivelamento por baixo das capacidades e das competências das novas gerações.

A JSD, como sempre, não deixará de estar atenta e de levantar a voz sempre que os interesses dos jovens estiverem em causa.
Os Exames são algo sério e não uma arma de propaganda, pelo que não poderemos tolerar estas “Estatísticas do Facilitismo”.
O futuro do País depende da Educação que hoje seja proporcionada às camadas jovens
sendo que a exigência, o rigor e a meritocracia terão sempre de estar presentes em todas
as fórmulas aplicadas.

Setúbal, 15 de Junho de 2009
P’la Comissão Política Distrital de Setúbal da JSD
Tiago Miguel Alves

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