Jorge Espírito Santo, Responsável pela Unidade de Oncologia do Hospital do BarreiroPotencialidades de Oncologia «não deverão ser postas em causa com base em meros critérios numéricos»
“Não penso ser possível o encerramento da Unidade de Oncologia do Hospital do Barreiro apenas por causa do que esta definido neste projecto. Mas a sua aplicação à letra poderia de facto tornar impossível diferencia- la e desenvolve -la, não obstante ter sido a Oncologia considerada como uma área de desenvolvimento estratégico do Hospital desde há cerca de 15 anos e ter sido entretanto autorizada a instalação de um Serviço de Radioterapia no Hospital.” – sublinha Jorge Espírito Santo, Responsável pela Unidade de Oncologia.
Ao nível de Unidade de Oncologia, sublinha, – “em termos de recursos humanos e técnicos, o Hospital do Barreiro é o melhor apetrechado na Peninsula de Setubal e um dos melhores na Região de Lisboa e Vale do Tejo”.

Por Jornal Rostos
A propósito de recente entrevista dada ao «Diário de Notícias», por Jorge Espírito Santo, Presidente Colégio de Oncologia da Ordem Médicos, que divulgámos no «Rostos», diverso leitores comentaram sobre a eventualidade do encerramento da Unidade de Oncologia do Hospital do Barreiro.
Nesse sentido procurámos obter, sobre esta matéria, junto ao Conselho de Administração do Hospital do Barreiro, informações concretas, sobre a veracidade do eventual encerramento da Unidade de Oncologia.
Recebemos o esclarecimento que editamos na íntegra, o qual nos foi enviado por Jorge Espírito Santo, Responsável pela Unidade de Oncologia. Segundo o próprio nos informa, o seu esclarecimento foi formulado a pedido da Directora Clínica Ana Abel.
Divulgamos o texto integral do esclarecimento :
Relativamente à noticia publicada no jornal Diário de Noticias, entendo chamar a atenção para o seguinte:
1 - O documento agora posto à discussão pública é ainda um texto de trabalho, ou seja, pode ser modificado pelos aportes que forem dados pelas instituições e entidades competentes e pelo publico em geral.
2 - De facto, trata - se de um documento muito bom no plano dos conceitos e da filosofia de abordagem do problema mas que pode ser completamente desvirtuado pelos limiares de actividade mínima que lhe foram incorporados.
3 - No caso destas regras virem a ser aplicadas no terreno sem qualquer alteração em relação à sua actual formulação, de facto isso implicaria não apenas o encerramento de Serviços como a "despromoção", digamos assim, de outros, por força da tipologia definida no documento em apreço.
4 - Assim seria com o Hospital do Barreiro, que veria, por força do critério numérico apenas, ser - lhe coarctada a possibilidade de manter uma Unidade de Oncologia com as actuais características e gama de serviços prestados aos doentes.
5 - Não penso ser possível o encerramento da Unidade de Oncologia do Hospital do Barreiro apenas por causa do que esta definido neste projecto. Mas a sua aplicação à letra poderia de facto tornar impossível diferencia- la e desenvolve -la, não obstante ter sido a Oncologia considerada como uma área de desenvolvimento estratégico do Hospital desde há cerca de 15 anos e ter sido entretanto autorizada a instalação de um Serviço de Radioterapia no Hospital. O que representaria na pratica uma perda da capacidade de prestação de cuidados diferenciados e certamente que se traduziria na limitação do investimento em meios humanos, técnicos e logísticos.
6 - De facto, em termos de recursos humanos e técnicos, o Hospital do Barreiro é o melhor apetrechado na Peninsula de Setubal e um dos melhores na Região de Lisboa e Vale do Tejo, contando com 5 Oncologistas e 1 Hemato-oncologista e 9 Enfermeiros especializados, Hospital de Dia com 11 postos de tratamento e Internamento com 11 camas, das quais 2 em regime de isolamento, prevendo - se que as obras para instalação do novo Serviço de Oncologia, localizado no piso 5, se venham a iniciar na próxima semana. Para além disso, a Unidade de Oncologia do Hospital do Barreiro tem idoneidade para o Internato da Especialidade de Oncologia Médica, estando neste momento 5 Internos em formação, e mantém actividade na área da investigação clínica, quer na desenvolvida em Portugal quer em ensaios internacionais.
Por isso, existem fundadas esperanças de que as expectativas de desenvolvimento e de concretização das potencialidades do Hospital nesta área tão diferenciada e relevante para a comunidade não deverão ser postas em causa com base em meros critérios numéricos e que o bom senso e equilíbrio ira prevalecer, sendo os critérios alterados e adaptados à realidade nacional
Contudo, a decisão final, como é óbvio, pertencerá sempre à Srª Ministra da Saude.
Com os meus cumprimentos
Dr. Jorge Espirito Santo
Responsavel pela Unidade de Oncologia













