Deputados do PCP - SetúbalQuestionam Governos sobre situação da empresa VISTEON no concelho de PALMELA
"A Visteon tem, pelo menos desde 2003, anos apresentado resultados líquidos positivos que somaram na totalidade os 178,8 milhões de euros até 2008, prevendo um aumento na sua produção de 8,3% para 2010, mas no entanto, como acima referimos, tem procedido ao despedimento dos trabalhadores e prepara-se, após o despedimento colectivo de 72 trabalhadores em 2009, para despedir mais 25 no corrente ano. " - sublinha os deputados do PCP.

Por Jornal Rostos
Divulgamos o texto integral da pergunta colocada na Assembleia da República pelos deputados do PCP:
A situação que se vive na Visteon tem, desde a Legislatura passada, sido objecto de intervenção do Grupo Parlamentar do PCP quer em reuniões plenárias da Assembleia da República, quer através de perguntas escritas ao Governo, em que se denunciam várias situações de violação dos direitos dos trabalhadores.
A Visteon é uma multinacional ligada ao fabrico de componentes para automóveis sedeada em Palmela desde 1990, que chegou a empregar cerca de 2000 trabalhadores. Esta empresa tem vindo a despedir progressivamente os seus trabalhadores, ora através de despedimentos colectivos, do recurso às ditas rescisões amigáveis, aumentando, simultaneamente, o número de trabalhadores temporários ou contratados a termo.
A Visteon tem, pelo menos desde 2003, anos apresentado resultados líquidos positivos que somaram na totalidade os 178,8 milhões de euros até 2008, prevendo um aumento na sua produção de 8,3% para 2010, mas no entanto, como acima referimos, tem procedido ao despedimento dos trabalhadores e prepara-se, após o despedimento colectivo de 72 trabalhadores em 2009, para despedir mais 25 no corrente ano.
Ora, o principal cliente da Visteon, a Ford, decidiu, recentemente, equipar os veículos automóveis que fabrica com um novo tipo de compressor, diferente do actualmente produzido na unidade de Palmela. Ora, a fábrica de Palmela dispõe dos equipamentos, tecnologia e conhecimento para a fabricação do novo compressor, sendo que emprega mais de 160 trabalhadores, tendo um peso significativo no volume de facturação e resultados da empresa. Não obstante, a administração da empresa ainda não anunciou se o fabrico será feito em Portugal ou nas unidades congéneres na Hungria ou China, tendo iniciado o processo de “negociação” com vista ao despedimento de 25 trabalhadores.
Ora, e de acordo com informações do Ministério da Economia e Inovação, além dos apoios que esta empresa tem vindo a receber desde 1990 através do PEDIP I e II, esta terá recebido dos contratos referentes ao Prime (Sime A e Sime D) valores que ascendem, respectivamente a 63 milhões de euros e 11 milhões de euros, tendo recebido do QREN 5 milhões de euros com um incentivo de 0,5 milhões de euros, totalizando, desde 1990 cerca de 200 milhões de euros.
Assim, e com este volume de investimento por parte do Governo que, inclusive, reconheceu a importância desta unidade industrial através de resposta do Ministério do Trabalho ao PCP na Legislatura passada, é de todo o interesse que a fabricação dos compressores se mantenha em Portugal.
Assim, ao abrigo do disposto na alínea d) do Artigo 156º da Constituição da República Portuguesa e da alínea d), do n.º 1 do artigo 4º do Regimento da Assembleia da República, solicito ao Governo que, por intermédio do Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social me sejam prestados os seguintes esclarecimentos:
1. Qual o conhecimento e acompanhamento desta questão por parte desse Ministério?
2. Quais os fundamentos para as negociações tendentes ao despedimento de 25 trabalhadores
Que medidas, nomeadamente inspectivas, pretende esse Ministério tomar quanto à situação relatada supra e à manutenção dos postos de trabalho?













