Assinalar os 35 anos da Intervenção na Mundet - SeixalEm defesa da produção nacional, contra as privatizações!
A Organização de Freguesia do Seixal do PCP convida os visitantes das Festas a conhecer a exposição sobre esta fábrica da indústria corticeira e a luta dos seus trabalhadores, que marcaram a história do Concelho.

Por Jornal Rostos
A fábrica Mundet & Cia. Lda. instalou-se em 1905 na vila do Seixal.
Em 1917, a empresa abriu uma segunda fábrica no Concelho (em Amora), que laborou até 1964.
A história do Concelho do Seixal passa pela importante comunidade corticeira, constituída por diferentes gerações
de trabalhadores e operários de variadas proveniências geográficas.
A indústria corticeira no Seixal distinguiu-se por concentrar uma importante percentagem de mão-de-obra em poucas
unidades.
A mão-de-obra feminina ganhou uma importância crescente a partir da década de 1930. Na década de ’40, o Concelho do Seixal representava um terço da mão-de-obra corticeira em todo o distrito de Setúbal e cerca de 15% a nível nacional. Foi uma década de desenvolvimento muito expressivo desta indústria, com o estabelecimento de 12 empresas corticeiras no Concelho.
Na década de 1970 apenas se encontravam em funcionamento as fábricas da Mundet no Seixal e Montijo, num total de cerca de 700.
A partir da Revolução de Abril de ’74, assistiu-se a um forte processo de luta dos trabalhadores pela recuperação e viabilização da empresa, dificultado por sucessivos problemas de administração e estratégias de anos anteriores.
O dia 31 de Maio de 1974 é uma data de referência, na luta dos trabalhadores, assim como o período de Julho de 1975 a Setembro de 1977, durante o qual o Estado participou na Comissão Administrativa da empresa, e os anos seguintes até 1988, período marcado por incessante luta dos trabalhadores contra o encerramento da empresa.
A actividade e existência da empresa Mundet terminaram em 1988, mesmo com uma carteira encomendas bastante significativa.
Das oficinas da Amora até à década de 1960 e das do Seixal até aos anos 80 saíram alguns dos produtos que mais prestigiaram a indústria corticeira nacional (rolhas para garrafas de champanhe, discos de cortiça natural, papel para pontas de cigarros, o corkskin, o aglomerado branco em folhas, os aglomerados duros e os discos para cápsulas coroa, entre muitos outros). O chamado papel de cortiça, produto obtido a partir da laminagem da cortiça, em máquinas de grande precisão, foi uma das produções mais emblemáticas da Mundet, desde os primeiros anos de funcionamento.
Em 1996, a Câmara Municipal do Seixal adquiriu o património imóvel e móvel da Mundet.













