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Bastidores

«A Governação Económica na Europa» em debate no Governo Civil de SetúbalJoel Hasse Ferreira sustentou não «precisamos dos ‘talibans’ do mercado»

O Governo Civil do Distrito de Setúbal promoveu, na quinta-feira, na sua sala de reuniões, uma sessão de reflexão/debate sobre o tema “A Governação Económica na Europa”, que teve como orador Joel Hasse Ferreira, Ex-Eurodeputado.

De acordo o Governador Civil, Manuel Malheiros, com esta sessão pretendeu-se debater as questões europeias e reflectir, a propósito do problema da Golden Share do Estado Português na PT, sobre a “existência ou inexistência de um governo económico”.

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«A Governação Económica na Europa» em debate no Governo Civil de Setúbal Joel Hasse Ferreira sustentou não «precisamos dos ‘talibans’ do mercado»

Por Jornal Rostos

Joel Hasse Ferreira, com um vasto conhecimento sobre estas matérias, defendeu, durante a sua intervenção, que a União Europeia, no que toca ao conjunto das áreas económicas e financeiras, continua extremamente dependente de um mecanismo moroso e, extraordinariamente, complicado de tomada de decisões.

“Qualquer decisão económico-financeira relevante, com implicações monetárias e sociais, tem de ter em conta a posição do Banco Central Europeu, a do Conselho ECOFIN, a do Conselho de Chefes de Estado e de Governo, a do Conselho de Ministros do Euro Grupo, a posição da Comissão Europeia e eventualmente, pelo menos em certos casos, a posição que nesse assunto específico seja dominante quer no Parlamento Europeu, quer no Conselho de Ministros para a Competitividade”.

O Ex-Eurodeputado referiu, ainda, que os mecanismos existentes não são capazes de reagir rapidamente a situações de crise financeira e económica.

“Será claro que estes mecanismos existentes para se exercer uma governação económica digna desse nome, são demasiadamente complexos para se poderem tomar decisões em tempo útil e, portanto, não permitirão reacções rápidas às diferentes evoluções que uma crise possa ter. Poderão ser úteis para dois tipos de actuações: Em primeiro lugar, as grandes definições estratégicas como a Estratégia de Lisboa e poderá ser a nova estratégia Europa de 2020. Em segundo lugar, a proposta, discussão e decisão sobre estratégias sectoriais para o mercado interno europeu e para o Comércio Internacional. Mas não são, certamente, capazes de reagir rapidamente a situações de crise financeira e económica nem de ponderar devidamente novas soluções criativas que se integrem no que um dia deverá ser uma efectiva, séria e eficaz Governação Económica na Europa, que respeite a autonomia e os poderes dos Estados membros, as competências (eventualmente revistas e aperfeiçoadas) do Banco Central Europeu e que possa ombrear com outros espaços económicos na competência e na velocidade de decisão”.

Referindo que o mercado não é tudo e o Banco Central Europeu não é o Alfa e o Ómega das políticas monetárias, Joel Hasse Ferreira sustentou que, também, não “precisamos dos ‘talibans’ do mercado”.

Precisamos, sim, “de gente que respeite as suas regras e, também, que compreenda as suas falhas, de quem queira estratégias europeias eficazes nos domínios do desenvolvimento económico, das políticas financeiras, monetárias e orçamentais, bem como das políticas sociais, ambientais e de solidariedade. E que esses responsáveis disponham de mecanismos eficazes de Governação Europeia, sujeitos ao controlo democrático, nos seus mais variados níveis. Dessa forma, as populações europeias poderão entender a eficácia da União e sentirem-se mais motivadas para uma maior participação na construção democrática e no desenvolvimento solidário da Europa”, afirmou.

Numa sessão muito participada, onde estiveram presentes, entre outros, o presidente da Administração do Porto de Setúbal e Sesimbra, Carlos Lopes, o director do Centro de Formação Profissional de Setúbal, Carlos Costa, e a Directora do Centro Distrital de Segurança Social, Fátima Lopes, Joel Hasse Ferreira defendeu a criação urgente de uma Agência de Notação Financeira europeia, desde que seja privada.






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