Saltar para o conteúdo
Bastidores

Movimento Democrático das Mulheres de Setúbal«É preciso pôr fim aos massacres no Acampamento da Liberdade»

De acordo com as notícias divulgadas por vários órgão de comunicação social, o Exército marroquino entrou às 6h00 de hoje, dia 8 de Novembro de 2010, no recinto do Acampamento da Liberdade onde se refugiaram cerca de 20 000 pessoas, em luta contra a repressão marroquina.

O Movimento Democrático de Mulheres apela às instâncias portuguesas e à comunidade internacional que interceda junto do governo de Marrocos, para pôr fim a este massacre e exigir que a ONU, através da sua missão (MINURSO), interceda rapidamente para o organizar o referendo naquela região.

4 min de leitura
Movimento Democrático das Mulheres de Setúbal «É preciso pôr fim aos massacres no Acampamento da Liberdade»

Por Jornal Rostos

Divulgamos o texto integral do comunicado da Direcção Nacional do MDM:

Apelo ao Governo Português e à comunidade internacional

É preciso pôr fim aos massacres no Acampamento da Liberdade
É urgente organizar o referendo pelo direito à autodeterminação do povo saharaui

De acordo com as notícias divulgadas por vários órgão de comunicação social, o Exército marroquino entrou às 6h00 de hoje, dia 8 de Novembro de 2010, no recinto do Acampamento da Liberdade onde se refugiaram cerca de 20 000 pessoas, em luta contra a repressão marroquina.

Lançando gás lacrimogéneo, com as ruas ocupadas pelas forças marroquinas, tendas a arder e no meio de vozes pedindo através de megafones para que as mulheres e as crianças abandonassem o local, ter-se-á instalado o terror, provocando um número incalculável de mortes e feridos.
Este acampamento, que tinha já mais de sete mil tendas, nasceu há quatro semanas a 15 quilómetros da capital saharauí, El Aaiún. Foi montado por habitantes do Sahara Ocidental que reivindicam melhores condições de vida, nomeadamente empregos e habitações.

Depois de as forças de segurança marroquinas terem bloqueado o acesso de pessoas e de água ao campo, e cortado a rede de telemóveis, o protesto não se fez esperar. Jovens e adolescentes saharauís ergueram barricadas e queimaram pneus no centro de El Aaiún. As forças anti-motim desmantelaram as barricadas e seguiu-se uma hora de confrontos, o que levou os activistas a acreditarem que o assalto ao acampamento estava iminente.

O Sahara Ocidental foi ocupado há 35 anos por Marrocos através de uma designada Marcha Verde, no dia 6 de Novembro de 1975. A forma de Marrocos comemorar o aniversário de força ocupante é a de reiterar a opressão que servilisa o povo saharaui, que mais não faz que reivindicar e lutar justamente pelo direito à autodeterminação. Longe de estar calculado o alcance desta terrível ocupação, o Movimento Democrático de Mulheres apela às instâncias portuguesas e à comunidade internacional que interceda junto do governo de Marrocos, para pôr fim a este massacre e exigir que a ONU, através da sua missão (MINURSO), interceda rapidamente para o organizar o referendo naquela região.

A Direcção Nacional do MDM
Lisboa, 8 de Novembro de 2010

Para memória:

Christopher Ross, o enviado pessoal do secretario geral de la ONU para o Sáhara Ocidental, desenhou recentemente no seu Relatório un panorama negro da situação em que vive aquele povo e dirigiu-se às grandes potencias, para desbloquearem as conversações de paz novamente interrompidas. Instava Marrocos a debater a proposta de referendo da Frente Polisario, defendendo que se devem também aqui respeitar os direitos humanos, nessa antiga colonia espanhola. Ross afirma que Marrocos actua sobre os sarauis com uma enorme pressão e impede a sua libertade de movimentos e de expresão sendo os direitos humanos no Sáhara "o aspecto mais polémico em discussao no Conselho de Segurança"... No seguimento deste relatório, o Secretario Geral das Nações Unidas, decidiu prolongar a missão da MINURSO (missão designada para o efeito em 1991) até 30-4-11, para dar corpo ao processo da organização de um Referendo, em cumprimento da Resolução 1871 de 30 de Abril de 2009 que previa a sua efectivação até 30-4-2010.

A Direcção Nacional do MDM
Lisboa, 8 de Novembro de 2010

Publicidade

Notícias relacionadas

Publicidade

Notícias por secção