Encontro em Setúbal assinalou Dia Internacional do VoluntariadoPensar a actividade do voluntariado em Portugal para que possa ser agente de transformação

Por Jornal Rostos
Apesar de desconhecermos o número de voluntários em Portugal, Eugénio da Fonseca, Presidente da Cáritas Portuguesa, considera que temos, no nosso País, uma realidade muito marcante que é “a capacidade que os portugueses têm de agir”. Essa característica, refere, “tem resquícios de uma cultura muito forte que existia, que é o chamado voluntariado de vizinhança e nós sabemos a importância que este tipo de voluntariado tem na solução e na prevenção de problemas”.
Reforçando a necessidade de mobilizar-se os mais jovens “para esta motivação do bem comum” e de se proporcionar “condições realistas para o voluntariado”, Eugénio da Fonseca lembrou hoje, no IPJ de Setúbal, que o que “nos deve fazer acreditar que estes desafios estão ao nosso alcance é, efectivamente, o reconhecimento social do papel do voluntariado no desenvolvimento e no progresso da sociedade”.
“É preciso continuarmos a pensar a actividade do voluntariado em Portugal para que possa ser agente de transformação”, acrescentou.
O Governador Civil, Manuel Malheiros, destacou a importância do voluntariado no nosso Distrito e prestou homenagem às instituições que todos os dias, nas mais diversas áreas, promovem o voluntariado e aos dirigentes que assumem a responsabilidade de dinamizar as associações.
“O voluntariado no nosso Distrito é muito importante, desde logo pelas Associações Humanitárias de Bombeiros, que representam uma forma de voluntariado tradicional na nossa região. Devemos lembrar, também, as Filarmónicas, as Associações de Socorros Mútuos, que no séc. XX foram uma forma de voluntariado importante e útil. A estas devem-se juntar outras, da área do ambiente, do social e os clubes culturais. Nos voluntários, ainda, temos de distinguir aqueles que assumem a responsabilidade da sua associação. Para eles vai o meu reconhecimento pessoal”, afirmou Manuel Malheiros.
Perante uma plateia composta por muitos jovens, a presidente do IPJ, Helena Alves, debruçou-se sobre a especificidade do voluntariado jovem.
“A nossa preocupação com a dinamização do voluntariado jovem prende-se com o facto de o voluntariado jovem ter uma característica específica. Para além do benefício que é todo o processo de participação e de crescimento, todo o processo de dádiva, transversal em todo o voluntariado, o voluntariado jovem tem objectivos que transcendem este objectivo e que se prende com o desenvolvimento pessoal. O voluntariado é, antes de mais, um compromisso”, disse, acrescentando: “Ser voluntário é assumir compromissos durante algum tempo, porque as actividades ficam dependentes desse acto. Por outro lado, tem uma exigência de formação. Depois tem outra vantagem que é um grande contributo para a formação para a cidadania, é um despertar para a participação em causas”, explicou.
Ser voluntário na Europa
De acordo com Joel Hasse Ferreira, ex-eurodeputado, calcula-se que haja 100 milhões de voluntários na Europa.
O economista, que integrou a comissão específica para a constituição do grupo de trabalho para promoção do Ano Europeu do Voluntariado, acredita que em 2O11 abrir-se-á espaço para uma melhor compreensão da actividade do voluntariado na Europa e no Mundo.
“Espero que este Ano Europeu do Voluntariado sirva para sensibilizar as pessoas para o valor e importância do Voluntariado, para dar mais meios às organizações de voluntariado, para o reconhecimento generalizado das associações e para uma cada vez maior qualidade das acções desenvolvidas”, disse.
A sessão terminou com o testemunho de vários voluntários estrangeiros em Portugal. Através do Serviço Voluntário Europeu, Justyna Kukla, da Polónia, fez durante um ano voluntariado em Portugal, na Associação RATO. Gostou da experiência e acabou por optar por viver no nosso País.
“Depois do Serviço Voluntário Europeu a minha vida mudou completamente. Descobri que já não queria tirar o curso que estava a tirar. Queria fazer voluntariado. Agora sou responsável pelos voluntários que vêm para Portugal e também promovo o voluntariado europeu junto dos portugueses”, afirmou.













