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Bastidores

Saúde: Encontro inéditoOrdem de Enfermeiros da Zona Norte reúne com 18 Associações Enfermagem

A Secção Regional do Norte da Ordem dos Enfermeiros e 18 associações de enfermagem reuniram-se no passado fim-de-semana num encontro inédito em Portugal, alertando para o défice de enfermeiros em exercício e a deficiente articulação entre mercado de trabalho e oferta formativa.

4 min de leitura
Saúde: Encontro inédito Ordem de Enfermeiros da Zona Norte reúne com 18 Associações Enfermagem

Por Jornal Rostos

O encontro que aconteceu numa unidade hoteleira da cidade do Porto, e que contou com a presença do secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Manuel Pizarro, entrou “pela primeira vez na história da enfermagem portuguesa” e foi promovido pela Secção Regional do Norte da Ordem dos Enfermeiros, tendo-se juntado 18 associações do sector, das 22 existentes em Portugal.
Em termos de balanço, Germano Couto, presidente da Secção Regional do Norte da Ordem dos Enfermeiros, disse que a reunião foi muito profícua da qual resultou um comunicado que agora será entregue ao Governo (através da secretária de Estado da Saúde), ARS Norte e outras estruturas políticas.
Entre as principais conclusões o presidente do Conselho Directivo da Secção Regional do Norte da Ordem dos Enfermeiros salientou “a preocupação quanto às dotações de enfermagem nos contextos de prática”.
“Nos hospitais, nos centros de saúde, nos lares, na rede nacional de cuidados continuados integrados há um grande défice de enfermeiros e isto pode pôr em causa a qualidade dos cuidados de enfermagem e a segurança dos pacientes”, alertou.
Segundo Germano Couto, os estudos sobre este défice “são muito contraditórios” mas o Ministério da Saúde – “que é quem tem estudos mais recentes” - indica que há um défice de cerca de três mil enfermeiros.
“Se o próprio ministério chega a essa conclusão e não os contrata, algo está mal neste país e quem sofre não são apenas os enfermeiros mas sim a população em geral”, declarou.
Segundo este responsável da Ordem dos Enfermeiros, é ainda fundamental que “o poder político perceba que as intervenções de enfermagem têm que ser contratualizadas à semelhança do que acontece com os actos de outros profissionais – nomeadamente os médicos”.
“Não pode continuar a ser apenas o acto médico a ser potenciador para o financiamento de uma instituição”, defendeu.
Germano Couto alertou ainda para a “deficiente articulação” entre o mercado de trabalho e a oferta formativa que tem potenciado o desemprego crescente na profissão.
“Tem que haver concertação entre os ministérios da Ciência e do Ensino Superior e o da Saúde para que o número de enfermeiros formados e o número de enfermeiros que são contratados seja semelhante”, afirmou.
Outra das questões levantadas está relacionada com a questão do enfermeiro especialista, considerando que este tem ser mais valorizado.
“Hoje em dia os enfermeiros especialistas formam-se por sua auto-iniciativa, gastam do seu dinheiro e depois o retorno que têm é quase nenhum porque as instituições ou não os valorizam ou não os colocam a exercer as suas funções”, condenou.

Conclusões
1. Necessidade de implementação urgente de dotações de Enfermagem com vista à garantia da qualidade
2. Usurpação de funções de Enfermagem, por outros que não Enfermeiros, colocando em risco a
3. Necessidade de contratualização das intervenções de Enfermagem.
4. Não reconhecimento do perfil do Enfermeiro Gestor, pelo poder político, como garante na obtenção de
5. Desvalorização e privação de cuidados de Enfermagem prestados por Enfermeiros Especialistas à
6. Risco de diminuição da qualidade dos cuidados de saúde prestados à população associado à desmotivação dos Enfermeiros perante o não reconhecimento político.
7. Desvalorização do papel do Enfermeiro na promoção da saúde e prevenção da doença, determinante para a qualidade de vida da população com consequente redução da despesa em saúde.
8. Deficiente articulação entre o mercado de trabalho e a oferta formativa em Enfermagem.

9. Discriminação, em função do posto militar, da licenciatura em Enfermagem nas Forças Armadas e limitação do seu exercício nas funções de chefia, planeamento e avaliação.

Secção Regional do Norte da Ordem dos Enfermeiros

Associação Católica de Enfermagem e Profissionais de Saúde

Associação Contemporânea de Enfermagem Neurocirúrgica

Associação de Enfermagem Oncológica Portuguesa

Associação de Enfermeiros de Salas de Operações Portuguesas

Associação de Enfermeiros de Saúde Infantil e Pediátrica

Associação Nacional dos Enfermeiros do Trabalho

Associação Portuguesa de Enfermagem Gerontogeriátrica

Associação Portuguesa de Enfermeiros de Cuidados de Saúde Primários

Associação Portuguesa de Enfermeiros de Diálise e Transplantação

Associação Portuguesa de Enfermeiros de Emergência Pré-Hospitalar

Associação Portuguesa de Enfermeiros de Estabelecimentos Prisionais

Associação Portuguesa de Enfermeiros de Reabilitação

Associação Portuguesa dos Enfermeiros Gestores e Liderança

Federação Nacional de Associações de Estudantes de Enfermagem

Sociedade Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental

Sociedade Portuguesa de Enfermagem Oncológica

Associação Portuguesa de Enfermagem Militar

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