Vítor Ramalho, Presidente da Federação de Setúbal do PS«Não serei novo candidato, apesar de estatutariamente o poder ser»
Cumprirei o que afirmei porque o pior que um político pode fazer é dar o dito por não dito." - sublinha em comunicado Vítor Ramalho, Presidente da Federação de Setúbal do Partido Socialista.

Por Jornal Rostos
COMUNICADO DO PRESIDENTE DA FEDERAÇÃO
Há três mandatos sucessivos que os militantes do PS do distrito de Setúbal me confiaram a liderança.
Ao reler três moções que subscrevi, “UM DISTRITO, UM PROJECTO” (2006), “SERVIR SETÚBAL PELAS CAUSAS DO SOCIALISMO” (2008) E “NOVOS DESAFIOS, NOVAS RESPOSTAS” (2010) orgulho-me do trabalho amplamente participado sem cedências nos valores e nos princípios, suportando nestes a unidade na ação. Em articulação com as equipas que escolhi procurei honrar o PS e os militantes, priorizando as ideias, a importância da organização, a relação com a sociedade, a necessidade da revisão do estatutos, neste caso em defesa do ideário e de causas, nomeadamente contra os sindicatos de voto, que ainda há dois meses me levaram a colocar duvidas sérias sobre inscrições de candidatos a militantes em varias secções do distrito. Procurei ainda não ceder em tacticismos de meros interesses pessoais, a deserções dos combates nacionais em eleições autárquicas e legislativas, ou à utilização da injúria como arma de arremesso inclusive contra camaradas. Chamei à atenção para a crise que aí vinha, crise essa que qualifiquei de estrutural, salientando ser importante “precaver-nos a tempo contra os riscos políticos, económicos, financeiros e sociais” a que neoliberalismo e o pragmatismo nos estavam a conduzir.
Infelizmente no caso português com consequências gravíssimas, como a ação do governo atual o demonstra, cego perante tecnocratas da TROIKA, governo esse que prossegue uma politica de desmantelamento do Estado, com efeitos perversos sobre quem mais precisa.
A política prosseguida por ele é errada e decorrente também da atual conceção dos dirigentes da U.E. Temos de contribuir para a alterar.
A análise que fizemos da crise foi acertada e por o ser promovemos inúmeras iniciativas, chamando ao distrito personalidades dos mais variados quadrantes para nos ajudarem a refletir para a ação quer a nível nacional quer a nível distrital.
Darei em breve informação detalhada do trabalho desenvolvido, como sempre sucedeu no final de cada mandato com textos que designei por “PRESTAR CONTAS”.
Face à proximidade dos atos eleitorais internos no PS queria reiterar, mais uma vez, que não serei novo candidato, apesar de estatutariamente o poder ser.
À data em que me apresentei como candidato no último ato eleitoral afirmei que não me recanditaria. Antes já havia voluntariamente tomado posição idêntica quando recusei ser candidato a deputado, apesar dos apelos a que o fosse.
Entendo enquanto dirigente dever demonstrar desapego aos lugares porque é assim que interpreto as responsabilidades cívicas e pedagógicas que me confiaram.
Cumprirei o que afirmei porque o pior que um político pode fazer é dar o dito por não dito.
Cumprirei as minhas obrigações até ao termo do atual mandato, assumindo-me depois como um militante que não abdica de ser interveniente. Por ora queria expressamente dar conta que perante os candidatos que se apresentarem ficarei equidistante dessas candidaturas como a meu ver deve ocorrer neste caso, em que não sou candidato.
Tenho como é público convicções firmes que manifesto, independentemente dos lugares que ocupo, e que sempre deixei claras, não renegando o que fiz e porque o fiz, mas o meu objetivo agora é que os atos eleitorais decorram com elevação, no debate de projetos e de ideias, valorizando a autonomia da federação perante as demais estruturas partidárias, sem subserviências, uma vez que o presidente tem legitimidade própria decorrente do voto direto de todos os militantes do distrito. Nunca devemos aceitar ser condicionados pelo que quer que seja, como é próprio de um partido livre, de homens e mulheres livres e estruturante da nossa democracia, embora conscientes que a promoção da unidade do partido é sempre suportada em valores e não na arregimentação de militantes.
Setúbal, 2012.02.20
Presidente da Federação,
Vítor Ramalho













