Eurídice Pereira, eleita pelo PS pelo Círculo Eleitoral de Setúbal«O povo não vai suportar este caminho, custe o que custar. Não vai! Não vai mesmo!»

Por Jornal Rostos
Divulgamos a intervenção – Declaração Política - da Deputada Eurídice Pereira, do Grupo Parlamentar do PS/Círculo Eleitoral de Setúbal, realizada em Plenário da Assembleia da República, ontem, dia 14 de fevereiro:
Senhora Presidente
Sras e Srs Deputados
Ontem e hoje fomos invadidos por números catastróficos e esses números arrastam consequências de sofrimento.
Compete-me, pois, enquanto deputada eleita pela Nação vir dar aqui voz à nossa gente que sofre.
E é já muita gente.
Muita gente que sofre muito.
Muita gente que sofre muito e não merece.
Muita gente que sofre muito e não merece ter sido tão gravemente enganada.
Sofrem os que não aceitamos que sejam ‘predestinados’ para o sofrimento, os mais pobres;
Sofrem os ‘improváveis’, aqueles que conhecemos como ‘remediados’;
E já começaram a sofrer os ‘impensáveis’, a chamada ‘classe média’.
E muitos - demasiados - sofrem calados. Calados pelo medo! Calados pela vergonha!
Calados pelo medo do que podem perder, de que podem ser o alvo seguinte…
Calados pela vergonha do que já perderam e lhes trocou as voltas à vida.
Mas também é minha obrigação, neste quadro difícil e duro para os portugueses, reforçar a voz de quem, em coro, pelas praças de Portugal, diz basta mas não é ouvido.
E dar voz a esta nossa gente é dizer, com o fôlego da resistência, que é preciso mudar de políticas.
Políticas que respeitem compromissos, sendo o primeiro dos quais, e que a todos se sobrepõe, o compromisso de garantir aos portugueses dignidade da condição humana o que significa travar o desastre social em curso.
Mas, como fazer ver isto a quem foi entregue o mando há 604 dias se estão impregnados pela insensibilidade, pela teimosia, pelo preconceito ideológico?
Como fazer ver a esta maioria que o caminho que está a ser seguido está a dar e continuará a dar mau resultado?
Diz o povo que “o pior cego é o que não quer ver” e dizem uns escritos, por sinal sagrados, “se um cego guiar outro, ambos cairão na cova”. Que premonitório para a maioria!
Como dizer a esta coligação que o povo português não escolheu cair com ela?
E não quer cair porque não escolheu … ter dois orçamentos de Estado consecutivos com normas lesivas da lei fundamental, o último dos quais mais gravoso que o anterior, com penalizações inaceitáveis sobre as pensões de quem, hoje indefeso, trabalhou uma vida inteira acreditando que o Estado como pessoa de bem honraria os compromissos que assumiu;
E não quer cair porque não escolheu …ver minguar as prestações sociais ao nível próximo da caridade e a estabilidade do direito à habitação ser agora posta em causa;
E não quer cair porque não escolheu… empurrar os portugueses para a emigração, ao nível dos anos 60, como confirmou há duas semanas um membro do Governo, e fazer, em consequência, da pátria, madrasta.
E não quer cair porque não escolheu… ter escolas transformadas em cantinas sociais, locais onde muitas crianças tomam as únicas refeições diárias porque á família foi inviabilizada a assunção de responsabilidades básicas.
E não quer cair porque não escolheu … criar mecanismos que põem em causa os princípios que estão no ADN do Serviço Nacional de Saúde.
E não quer cair porque não escolheu …que o aumento do desemprego seja instrumento de pressão para a diminuição de salários, por alegadas razões de competitividade.
E não quer cair porque a opção que fez em 5 de Junho de 2011 foi com base em programas e promessas absolutamente contrários à maioria das políticas atualmente seguidas.
Quem não se lembra da resposta do agora Primeiro Ministro, entre muitas outras, a propósito dos cortes dos subsídios de férias e de Natal.
Quem não se lembra do agora terceiro membro na hierarquia do Governo a propósito da defesa dos contribuintes e do desenvolvimento da lavoura.
Engodos. Muitos engodos. Foram os craques dos engodos.
Mas já não há engodo que o povo engula!
O Governo ficou hipnoticamente fixado ao transformar um objetivo na única razão da sua existência : a consolidação das contas públicas.
Mas como quer esta maioria ter as finanças em ordem se não tem economia?
Mas como ter economia se não tem política para ela?
E se não tem politica económica como garante a estabilidade social?
Passaram 604 penosos dias . O povo não vai suportar este caminho, custe o que custar.
Não vai! Não vai mesmo!
E não vai porque eu, ou um de nós da oposição o diga.
Não vai porque o povo português não se identifica com estas pegadas neoliberais. E quem o diz é a nossa história democrática













