Saltar para o conteúdo
Bastidores

Falência da Cooperativa Agrícola de PalmelaPCP afirma ser «mais uma consequência das políticas de direita»

"Para este trágico fim da Cooperativa Agrícola de Palmela, foram decisivas as politicas de direita levadas a cabo pelos diversos governos em total desrespeito pela Constituição da República Portuguesa, que tudo têm feito para deixar livre caminho aos grandes grupos da distribuição agro-alimentar, destruindo todos os meios com que os pequenos e médios agricultores se dotaram para defender os valores dos produtos do seu trabalho, assim como o seu escoamento. De notar que 80% do emprego na agricultura reside na agricultura familiar." - sublinha um comunicado da Comissão de Agricultura da DORS do PCP.

5 min de leitura

Por Jornal Rostos

Divulgamos o texto integral da Comissão de Agricultura da DORS do PCP:

Falência da Cooperativa Agrícola de Palmela
– mais uma consequência das políticas de direita.

Aumentam assim as dificuldades para os pequenos e médios agricultores e a agricultura familiar do nosso Concelho, especialmente no que concerne ao escoamento da produção.

Esta nova dificuldade vai acrescentar-se à já difícil situação do sector causada pelos aumentos dos preços dos factores de produção (combustíveis, electricidade, rações, adubos, e fertilizantes, entre outros) que nos últimos dez anos aumentaram 24%, fazendo cair o Produto Agrícola Nacional em mais de 20%, aumentando assim a dependência do exterior. Com o aprofundamento da crise diminui o consumo interno, mais dificuldades nos esperam no escoamento dos produtos que produzimos, agora sem este necessário utensílio que é a Cooperativa. Ficamos assim mais expostos e fragilizados perante os tubarões das grandes superfícies.
Para este trágico fim da Cooperativa Agrícola de Palmela, foram decisivas as politicas de direita levadas a cabo pelos diversos governos em total desrespeito pela Constituição da República Portuguesa, que tudo têm feito para deixar livre caminho aos grandes grupos da distribuição agro-alimentar, destruindo todos os meios com que os pequenos e médios agricultores se dotaram para defender os valores dos produtos do seu trabalho, assim como o seu escoamento. De notar que 80% do emprego na agricultura reside na agricultura familiar.

Uma outra contribuição para este triste desfecho, pelo que é dado conhecer, terá a ver com as más gestões das anteriores administrações, particularmente desligadas dos associados no que respeita aos reais problemas do Cooperativa, não promovendo nem a discussão, nem a participação.
Este quadro de evidente perda para a pequena e média agricultura da Região de Palmela, não deixa de estar em linha com a opção que, em tempos idos, conduziu a Cooperativa Agrícola para a filiação na CAP.

Sendo a CAP uma organização mais vocacionada para a defesa dos interesses dos grandes agrários e da agro-indústria, que sempre esteve conivente com as políticas agrícolas mais gravosas para o sector e para o País – tenham sido oriundas dos governos de direita, ou tenham sido definidas pela Política Agrícola Comum – e que actualmente mais se confunde com a orientação e a actividade do Ministério da Agricultura do Governo de Passos Coelho e Paulo Portas, não seria, nem será possível, esperar um bom futuro para a agricultura portuguesa e para as organizações representativas das pequenas e médias estruturas agrícolas.

Assinalamos o facto de que esta estrutura associativa dos Agricultores de Palmela, tendo sido usada até há relativamente pouco tempo para acções de divulgação e de propaganda das orientações ideológicas da política agrícola dominante, no momento de suprema dificuldade que atravessou, não contou, nem com a CAP, nem com o Ministério da Agricultura, que não mexeram uma “palha” para encontrar uma solução plausível para salvar a Cooperativa da insolvência.
Sobre esta situação, acabou por ser o Grupo Parlamentar do PCP na Assembleia da República a questionar e a reclamar do Governo a urgência de medidas a tomar no plano do apoio técnico que permitissem, em tempo útil, validar o necessário financiamento para salvar a Cooperativa. As respostas que vieram foram lacónicas e friamente dirigidas para as soluções que já se tinham revelado irresolúveis.

Cabe aos pequenos e médios agricultores do Concelho, sócios e não sócios, encontrar o caminho em unidade e acção no sentido das soluções que preencham o vazio causado por esta falência, que vem aumentar as dificuldades de todos, no escoamento dos seus produtos.

Nesta Região existe outra cooperativa orientada para os interesses da agricultura – a Uniãonovense – que tem resistido a esta ofensiva politica contra o sector agrícola, que, como diz o Povo: “a união faz a força” e este será seguramente o caminho para a defesa dos interesses de classe dos agricultores de Palmela.
A agricultura é um sector determinante para o desenvolvimento económico e social e para a soberania alimentar portuguesa. Este é mais um exemplo a que chegou os País com o prosseguimento das políticas de direita. É urgente pôr fim a esta política de desastre Nacional, exigindo a demissão do Governo!

É preciso esclarecer que só com um governo que cumpra a Constituição da República, poderão ser defendidos e apoiados os pequenos e médios agricultores e as suas organizações de classe assim como os rendimentos do seu trabalho.

É preciso esclarecer que para levar a cabo essa tarefa é necessário criar condições, exigindo eleições e a formação de um governo Patriótico e de Esquerda, que retome os caminhos que Abril abriu!

É preciso esclarecer que no presente quadro, também os agricultores só pela luta é que se poderão fazer ouvir! Que a oportunidade imediata dos agricultores de Palmela de se fazer ouvir e de juntar a sua voz à de milhares de agricultores do País, passa pela sua participação na Manifestação Nacional da Agricultura Portuguesa agendada para o próximo dia 17 de Abril (quinta-feira), às 15h00, em Lisboa, em defesa do Mundo Rural e do País, promovida pela CNA, com o apoio da Associação dos Agricultores do Distrito de Setúbal.

Contando connosco, contamos convosco!

Setúbal, 12 de Abril de 2013.

Publicidade

Notícias relacionadas

Publicidade

Notícias por secção