Comissão Justiça e Paz da Diocese de SetúbalIgreja muitas vezes «desfigurada» por atitudes que lhe tiraram parte da sua pureza original
A Comissão sublinha que se congratula com as iniciativas do Papa Francisco, e pede - "a todos os cristãos uma colaboração consciente, sejam quais forem as suas convicções".

Por Jornal Rostos
Comissão Justiça e Paz
Diocese de Setúbal
UM SÍNODO EXTRAORDINÁRIO
Reflexões da Comissão Justiça e Paz
1) Entrou no conhecimento público o documento de preparação para a III Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos intitulado Os Desafios Pastorais Sobre a Família no Contexto da Evangelização enviado pelo Papa Francisco às paróquias de todo o mundo, através das conferências episcopais. Este documento aborda problemas que “afligem” muitas famílias no momento presente como a “Educação dos filhos no contexto de situações matrimoniais irregulares”; “Matrimónio segundo a lei natural”, “União de pessoas do mesmo sexo” são alguns dos assuntos do inquérito de 38 perguntas que foi convocado pelo Papa Francisco para debater as fragilidades que vive a instituição família, central na cultura, na moral e na vivência dos cristãos e na sociedade em geral. Tal inquérito é precedido duma exposição emanada dos valores do Evangelho e do pensamento da Igreja sobre a família como comunidade de amor, continuadora do poder criador de Deus, verdadeiro caminho de santidade, e apontando a sua verdadeira centralidade numa sociedade baseada na solidariedade, na liberdade e no afecto.
2) Louva-se a iniciativa do Papa Francisco como um sinal de preocupação e aproximação com a vida real dos cristãos num mundo cuja prática é, cada vez mais, oposta aos ensinamentos da Igreja católica.
3) Louva-se a iniciativa pelo sinal inequívoco dado pelo nosso Papa de querer ouvir o “Povo de Deus” que verdadeiramente deve ser a origem de um diálogo aberto e permanente da Igreja com um Mundo que tem evoluído com rapidez, - mas nem sempre percorrendo os melhores caminhos – é um sinal da tentativa de abertura da “fortaleza” que foi criada pela Igreja ao longo dos últimos tempos, numa “hipotética” defesa das agressões do meio envolvente.
4) Ao destinar o inquérito a todos os cristãos católicos, o Papa quer tomar conhecimento das situações variáveis, certamente de local para local, o inquérito foi enviado aos Bispos de todo o mundo com a finalidade de ser distribuído pelos párocos de cada paróquia. Como referiu um dos distintos sacerdotes portugueses o “Papa Francisco quer voltar a dar a palavra a todos os católicos e ouvir todas as pessoas de boa vontade” e assim sair do monolitismo hierárquico enraizado, desde Trento, na vida eclesial.
Saudamos, por isso, as Igrejas diocesanas que já fizeram chegar às comunidades cristãs o inquérito e criaram possibilidades informáticas para ampliarem a participação, porque o prazo termina já no próximo dia 8 de Dezembro. Esperemos como vai ser posta em prática esta intenção do Papa Francisco.
5) Não queremos manifestarmo-nos sobre os temas desafiadores que versam o citado inquérito, queremos sim incentivar todos os cristãos a darem o seu contributo e o seu apoio às iniciativas que os párocos certamente vão tomar para dar satisfação aos desejos do Papa e ao pedido do nosso Bispo.
Só assim os Bispos no Sínodo Extraordinário estarão bem informados das situações reais, dos problemas candentes, e dos sofrimentos de muitos, em virtude dos temas versados no inquérito e dos complexos desafios que se colocam à da decadência da instituição “família” no mundo actual.
6) É uma questão indubitável que a Igreja necessita encarar de frente muitos problemas, não só das famílias, mas igualmente da sua organização, muitas vezes “desfigurada” por atitudes que lhe tiraram parte da sua pureza original.
Esta Comissão congratula-se com estas iniciativas do Papa Francisco, nosso actual Papa, e pede a todos os cristãos uma colaboração consciente, sejam quais forem as suas convicções
Setúbal, Novembro de 2013













