Barreiro - Bar da Mila conseguiste algo único no Barreiro24 anos de convívio ininterrupto no mesmo espaço
Foi na Mila que aprendi a gostar de gin. E qd estava mais na merda precisava de algo mais forte: metade whisky, metade drambuy. Deus! Que maravilha.

Por Jornal Rostos
Texto editado no Facebook
Estou triste. Deveria estar no bar da Mila, isto é, no "Água e Sal". Mas ñ consigo. Em 24 anos só deixei de lá ir nos últimos 6. A crise.
Desde o início daquele bar que senti sempre ser o meu espaço.
Junto ao lugar onde vivi depois de voltar de França, no lugar onde moravam as nossas avós, as minhas e a da Mila. Costumava brincar chamando-lhe prima. O tio dela foi casado com a minha tia. Temos em comum um primo. Mas ñ chegámos à parte do "prima".
Ali no bar sentia-me aconchegada em todos os sentidos, desde o espaço que me rodeava às pessoas presentes, com quem fiz grandes amizades.
Hoje provavelmente iria ver alguns. Mas ñ tenho coragem.
Tanta conversa, tanto riso, tb choro, casada e descasada, aniversários, despedidas de solteiros(as).
A minha bebida preferida, "maçãzinha", julgo ser uma aguardente mt doce de maçã que eu bebia em doses duplas com mt gelo. Maravilhoso. Ñ era schnapps.
Eu e a Ana fomos tantos anos, conhecemos tanta gente, gente bem mais nova que nós.
Mas era essa uma das características daquele bar. As pessoas eram todas simpáticas, abertas e qd aparecia malta nova ao "recinto" imediatamente eram tomadas pelo espírito e tinhamos conversas porreiras com risos e gargalhadas.
Ali vi mts casais começarem a namorar, casarem, terem filhos, os putos irem nas noites de Verão para o Bar, vi-os crescer e depois, tristemente, vi os pais separarem-se.
Havia Verões que aquele bar parecia um infantário e a Mila adorava os putos e os putos adoravam a Mila.
Que saudades.
Se choro agora o que seria lá, a fechar mais uma porta da minha vida.
Foi na Mila que aprendi a gostar de gin. E qd estava mais na merda precisava de algo mais forte: metade whisky, metade drambuy. Deus! Que maravilha.
Pagava as minhas despesas ao fim do mês. Como antigamente, nas antigas mercearias, ela tinha o rol e qd eu recebia fazíamos as contas.
E depois havia as tostas. Únicas no Barreiro. Uma maravilha para ser acompanhado por vodka laranja.
Por vezes ia lá à tarde, qd ela abria, e logo que podia ela fazia-me uma bruta tosta.
Logo que soube do que tinha acontecido à Mila fiquei meio-parva. Andei sempre em dia mas com o tempo pensei que ñ havia hipóteses para a Mila. Felizmente estava enganada.
Poderia ir ver-te Mila. Mas ñ consigo. Sou uma maricas. Ñ quero que sejas tu a dizer-me: pronto, pronto Teresa, tem calma. Isto já aconteceu uma vez e foi uma vergonha.
Vou viver das recordações do bar da Mila. E das minhas conversas com a minha "quase" prima Mila.
Recordo os vivos, como a minha querida amiga Ana, o Vitor Almeida, o Carlinhos, o Tó, pessoas que ñ me lembro do nome, o Pedro, a Neta, o Miguel Eusébio, a Fatinha e o marido, o Miguel Nicolau, o João Borrega, o Tó Caboz, o Zé Batista, o Kira e tantos outros
Recordo os que já partiram, como por exemplo, o meu querido Emídio.
Recordo os que ñ estão em Portugal como o Bi.
Conseguiste algo único no Barreiro, 24 anos de convívio ininterrupto no mesmo espaço e sob a mesma gerência. Cerca de 2 gerações.
Bom, vou fechar as portas. É difícil. Mas são só as portas. Lá dentro ficam as minhas recordações.
Mila, para ti um abraço do tamanho do mundo.
Um grande beijo "prima".
Teresa Damásio










