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Cidade com Rostos

Barreiro - Tomar o café com... Anabela Carreira>Sem o elemento humano a fotografia não tem alma

. Vai ser editado Livro sobre 20 anos da Escola de Jazz do Barreiro

“O Barreiro tem muito bons fotógrafos”, mas “alguns acham mesmo que não são suficientemente bons para expor no AMAC”, refere Anabela Carreira, numa conversa com jornal «Rostos».

6 min de leitura
Barreiro - Tomar o café com... Anabela Carreira> Sem o elemento humano a fotografia não tem alma

Por Jornal Rostos

Ali, no Parque da Cidade, ao meio da tarde, foi o nosso encontro, no café, junto ao lago, aquele lugar, hoje, de árvores frondosas, uma das centralidades de uma cidade que se sonha polinuclear, afinal, o Parque da Cidade, é um dos pólos das dinâmicas da vida cultural, promovidas pela acção municipal.

Clube de Fotógrafos do Barreiro está bem

Anabela Carreira, é presidente do Clube de Fotógrafos do Barreiro, e, talvez, por essa razão, começámos este nosso encontro falando do clube, que disse-nos – “o clube está bem”, mas, há actividades que estão paradas devido à pandemia do COVID, vamos reunindo por via on line, e, de facto não têm havido as actividades de grupo de maior dimensão – “é complicado ¼ dos nossos associados são pessoas com mais de 60 anos, que fazem parte do grupo mais vulnerável ao COVID”.

Parada a criação do estúdio de fotografia analógica.

Referiu que um dos projectos que, neste momento está parado è a criação do estúdio de fotografia analógica.
Agora já não não há o «Mês da Fotografia», como não há outros meses, a autarquia acabou com este projecto dos meses dedicados a uma temática, porque não quer centralizar as actividades sobre uma temática num mês, optou por, ao longo do ano, ir sempre realizando actividades sobre os diversos temas.
Na conversa, deambulamos um pouco numa troca de opiniões sobre a vida cultural no Barreiro, o modelo, os modelos, as formas, o papel do municipio, a visibilidade das iniciativas. Conversa, daquelas que palavra puxa palavras e, é assim, as conversas são como as cerejas.

Duas exposições no AMAC até fevereiro

Anabela Carreira, fala sobre a realização de exposições no AMAC. Interrogo porque não existe uma presença regular de exposições de fotógrafos do clube naquele espaço cultural.
Refere que – “o Barreiro tem muito bons fotógrafos”, mas “não alguns acham mesmo que não são suficientemente bons para expor no AMAC”, recorda que já foram feitas exposições colectivas.
Discordo dessa opinião. Podia muito bem existir naquele espaço, um pequeno recanto, onde de forma permanente fosse dada visibilidade a fotografias de barreirenses, que vivem a fotografia com grande paixão, nomeadamente os membros do Clube de Fotografia do Barreiro, mas há outros.
Anabela Carreira salienta nomes de barreirenses que considera de referência no mundo da fotografia – Vera Marmelo, Guta ou Nuno Cabrita.
Recorda que no AMAC – Auditório Municipal Augusto Cabrita, vão estar patentes duas exposições de fotografia, uma de Nuno Cabrita, com o tema «Altera Natura» – ‘ele é cá do Barreiro, é muito bom fotógrafo’, comenta.
A outra exposição tem o tema «Loreto», é de Luisa Ferreira, que com as suas fotografias dá uma visão sobre Lisboa nos tempos de pandemia.
Refira-se que estas exposições foram inauguradas ontem, dia 28 de Novembro, e pode ser visitadas até ao próximo dia 28 de Fevereiro.

Duas paixões - a fotografia e o Jazz

Anabela Carreira refere que tem duas paixões - a fotografia e o Jazz. A pandemia tem condicionado realizar essas suas paixões, não há concertos.
Recorde-se que, as suas fotografias do Jazz já mereceram destaque em diversos festivais ao nível nacional e internacional.
No Seixal Jazz realiza este seu sonho, e, por Lisboa está em todos os concertos que permitem unir esta suas duas paixões – Salvador Sobral e muitos outros.
Recorda que, aqui no Barreiro, estão a decorrer concertos de Jazz, um por mês, no Auditório da Biblioteca Municipal, o próximo é dia 4 de Dezembro, às 21 horas, com Isabel Rato, depois, a 8 de Janeiro, à mesma hora, com Luis Cunha. ‘Um barreirense, é o Maestro da Big Band do Hot Club, filho do Maestro Alberto Cunha’, refere.

Barreiro é hoje a minha terra

Anabela Carreira, não é natural do Barreiro – “adoptei o Barreiro como a terra do meu coração, é como se fosse a minha terra, encontrei aqui as vivências que vivi, nos anos 70 e 80, no meu bairro de Campo de Ouriqie, em Lisboa. O Barreiro é hoje a minha terra”.
Fala do Barreiro com paixão e ternura- ‘tenho pena que exista tanta falta de limpeza, tanta erva nas ruas, sempre existiu, mas agora está muito pior. A ideia que tenho é que se preocupam apenas em intervir nas ruas principais’.
“Vejo o Barreiro com algum futuro. É preciso que avance a ponte que vai ligar o Barreiro ao Seixal, é preciso que se concretize a Terceira Travessia do Tejo. Espero que não venha para cá o Terminal de Contentores, e que não avance o aeroporto do Montijo. O Barreiro é um sitio agradável para viver”, sublinha.

Livro sobre 20 anos da Escola de Jazz

No decorrer da nossa conversa, Anabela Carreira, revelou que vai editar um livro, sobre os 20 anos da Escola de Jazz do Barreiro, que terá o arranjo gráfico do designer Carlos Guerreiro.
Recorda que viveu o nascer deste projecto com a plena entrega do seu fundador, José Batata, o seu companheiro.

Barreiro tem sitios muito bonitos para fotografar

A fotografia volta como tema para encerrar a nossa conversa, sublinha – “o elemento humano na fotografia é fundamental, sem o elemento humano a fotografia é um postal, não tem alma” , refere, e, expressa o sentimento profundo que coloca na presença do ser humano nas suas fotografias.
Recorda que gosta de fotografar o Barreiro – ‘ tem sitios muito bonitos para fotografar’, mas de preferência opta por jardins, zonas verdes e pelas zonas ribeirinhas.
Saleinta que fotografou o Bairro Operário da CUF, durante quatro meses, todos os dias pela manhã, com as pessoas, nos seus movimentos - “não podiam faltar as pessoas”.

O tempo hoje é todo meu

Foi uma conversa que, de facto. este texto não traduz, que se prolongou pela tarde, por dentro de memórias e no sonhar futuro, com avanços e recuos por dentro do tempo, e, sobre o tempo disse Anabela Carreira – “o tempo hoje é todo meu, mas o tempo passa mesmo a fugir”. Sorrimos.

António Sousa Pereira

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