Conversas de Rua - Barreiro- Éh quer ajuda?

Por Jornal Rostos
Quando era novo, o jardineiro dos Franceses andava no colégio Barreirense. Nos anos 60 era adolescente. Recorda-se ter sido um dos muitos voluntários a construir o novo estádio do FC Barreirense. Chegava à obra com os amigos depois das aulas e perguntava. - Éh quer ajuda? E lá ia ele feliz a empurrar o carrinho de mão cheio de pedras. O estádio ficou pronto num instante. Ali jogaram as glórias da I divisão.
Lembra-se do Bento, o Chalana, Carlos Manuel, entre outros. Também viu o Eusébio ao vivo e a vitória contra o Dínamo Zagreb nas competições europeias. O clube com seu belo equipamento alvirrubro media forças com os tubarões do campeonato. O cheiro a relva. Os jogos com a CUF eram uma guerra. José assistia orgulhoso, como verdadeiro barreirense na bancada dos sócios, ou no peão. À beira da linha de cabeceira quando o campo ficava apinhado de adeptos e não havia mais lugares sentados. Ao sol à chuva. Gritava golo e a Avenida Alfredo da Silva estremecia. José coça a barba. Abana a cabeça. Olha triste para o descampado vendido em leilão a uma empresa de imobiliário, por pouco mais de um milhão e meio de Euros. Um péssimo negócio para o clube. Chorou quando o campo veio abaixo. O terreno foi limpo, mas algum entulho ficou para trás. Por ironia do destino é José Sabino que empurra o carrinho de mão e retira as últimas pedras do antigo campo de futebol. Ficam as memórias e a vista para o "seu" jardim dos Franceses.
Armando Seixas Ferreira










