Viegas Piteira, licenciado em SociologiaAs mudanças no Barreiro são «sobretudo os efeitos da desindustrialização»
Numa breve conversa de rua, Viegas Piteira sublinha que sente as mudanças no Barreiro “sobretudo os efeitos da desindustrialização”.
“E, os custos ambientais ficaram por conta do Barreiro estão à espera. O ónus da indústria teve este efeito negativo” – acrescenta.
“Outro efeito, mais devastador foi no emprego, a mudança da composição social do Barreiro. Hoje vejo demasiada urbanização” - refere.

Por Jornal Rostos
Viegas Piteira, licenciado em Sociologia, actualmente, exerce funções docentes na Escola Superior de Educação de Beja, nos Cursos de Animação Sócio-Cultural e Serviço Social.
Viegas Piteira, já exerceu actividade profissional em Cabo Verde, Moçambique, e, mais recentemente esteve em Arraiolos e Nisa.
Viegas Piteira, foi vereador da Câmara Municipal do Barreiro, nos anos 80, responsável pela área Cultural.
Apesar de estar afastado do Barreiro, desde os anos 80, quer por razões familiares, quer por razões afectivas, sempre acompanhou as vivências e a evolução do concelho do Barreiro.
Custos ambientais ficaram por conta do Barreiro
Numa breve conversa de rua, Viegas Piteira sublinha que sente as mudanças no Barreiro “sobretudo os efeitos da desindustrialização”.
“E, os custos ambientais ficaram por conta do Barreiro estão à espera. O ónus da indústria teve este efeito negativo” – sublinha.
“Outro efeito, mais devastador foi no emprego, a mudança da composição social do Barreiro. Hoje vejo demasiada urbanização.
Sinto que o Barreiro em termos estratégicos perdeu” – refere Viegas Piteira.
Barreiro está a perder com a suspensão da construção da ponte
“Agora, o Barreiro está a perder de novo com a suspensão da construção da ponte.
Mas, no meio disto tudo, acredito que existam outras potencialidades, que podem ser aproveitadas, que estão ligadas a áreas da Educação, das experiências de vida, ou, até, pelos avanços que esta terra teve quer em termos culturais, quer em termos desportivos, em termos políticos, tendo em conta os movimentos sociais que aqui ocorreram, penso, que tudo isso, pode ser uma grande potencialidade.
Porque, hoje, existem outros domínios, outros segmentos e novos recursos tecnológicos, como a internet, que podem ser geradores de outras alavancas, já não tanto industriais, mas ligadas à Educação, às novas tecnologias” – refere Viegas Piteira, neste seu breve olhar sobre o Barreiro nos dias de hoje.
Beja - há muita miséria escondida
“Beja não é aquele paraíso que as pessoas imaginam. Há muita miséria escondida. Mas, sinto que há uma grande resistência, sobretudo dos mais jovens que querem ficar na terra.
Mas, é cada vez mais difícil os jovens permanecerem em Beja, porque, de facto, não há trabalho, não há emprego.
Noto que há uma grande falta de investimento público e também de investimento privado.
Mas, sinto que há esperanças. O aeroporto de Beja lentamente já está em funcionamento. Há um voo semanal para Londres e um voo quinzenal para Cabo Verdes, é poucochinho” - refere Viegas Piteira.
Agricultores portugueses passaram à frente dos agricultores espanhóis
“Mas, temos projectos estruturantes como o Alqueva, sempre atrasado, mas que começa a ter efeitos, pois, agora, pela primeira vez os agricultores portugueses passaram à frente dos agricultores espanhóis, no aproveitamento do Alqueva.
Há, aqui, algum empreendedorismo a aparecer em termos económicos, mas, de facto, uma grande miséria, uma grande pobreza, uma grande dificuldade das classes médias, e, também, uma falta de empreendedorismo de muitas delas, porque decidem mais facilmente comprar uma casa no Algarve, do que investirem na sua própria terra” – salienta Viegas Piteira.
Portugal é dos melhores sítios para viver
No final, desta nossa conversa de rua, perguntámos se tinha esperança em Portugal – “Claro que tenho, porque Portugal não é dos piores sítios do mundo para viver, antes pelo contrário, penso que Portugal é dos melhores sítios para viver.
Aqui, por exemplo, não é como em Moçambique, ali, ao fim de semana, quer se seja pobre ou rico, com os poucos recursos que se tem festeja-se, está-se com os amigos, estabelece-se uma comunicação permanente, aqui, é só mais durante as férias.
Mas, de qualquer maneira Portugal é um bom sítio para se viver.”
Viegas Piteira esteve de férias no Barreiro. Hoje, por coincidência, é o seu último dia de férias, agora, volta a Beja, de novo, para recomeçar a sua actividade no Ensino Superior…abrindo aos jovens as portas ao futuro.
S.P.










