Setúbal - Falecimento de Álvaro DiasAutarquia reconhece contributo no associativismo, na política e no poder local
Por Jornal Rostos
Além de expressar publicamente um profundo agradecimento por tudo o que fez pela sua terra e endereçar à família sentidos pêsames, a Autarquia propõe que seja atribuído o nome de Álvaro Dias a uma das artérias da cidade. “Álvaro Dias foi um dos grandes homens que nasceram na nossa cidade e que a ajudou a ser melhor, mais justa, mais solidária”, assinala o voto de pesar.
Nascido em Setúbal a 28 de fevereiro de 1924, fundou o Armazém Papéis do Sado, “empresa gráfica de referência na região de Setúbal”, indica o texto, e “ajudou, nos duros tempos de repressão fascista, a fundar o Clube de Campismo de Setúbal e o Cine Clube de Setúbal”.
O seu envolvimento ativo na luta contra o fascismo “por uma vida melhor e por um país mais justo” levou-a às prisões políticas de Salazar, nomeadamente Caxias, onde foi sujeito à tortura do sono durante nove dias e nove noites.
Logo após o 25 de abril de 1974, no âmbito das comissões administrativas nomeadas para gerir as autarquias, foi, como militante do MDP – Movimento Democrático Português, presidente da extinta Junta de Freguesia de Santa Maria.
Prosseguiu a carreira no Poder Local Democrático como vereador do Executivo municipal saído das primeiras eleições autárquicas realizadas em democracia, em 1976, cargo que ocupou até 1982 como eleito das coligações FEPU – Frente Eleitoral Povo Unido e da coligação partidária que lhe sucedeu, a APU – Aliança Povo Unido.
Mais tarde inscreveu-se no Partido Comunista Português, que militou ativamente até à morte.
Na vida associativa, Álvaro Dias desempenhou, durante mais de duas décadas, na APPACDM – Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental, cargos dirigentes com um empenho que valeu a atribuição do seu nome à mais importante estrutura de acolhimento desta instituição.
Foi um apaixonado pelas artes gráficas, área em que foi empresário e comerciante, com o Armazém Papéis do Sado, com uma tipografia e uma das mais antigas lojas da Baixa comercial da cidade, e pela fotografia, arte que deixou publicada no livro “Em Terras de Rio Feito de Mar”.
“As suas fotografias foram, aliás, o pretexto para a última homenagem de que foi alvo, a 11 de janeiro de 2014, com a inauguração de uma exposição de imagens da sua autoria na Casa da Cultura intitulada ‘Percursos’, a que só não compareceu porque tinha adoecido na véspera”, refere o voto de pesar.
Fonte - CMS










