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Barreiro - O Rosto da SemanaSofia Martins - uma autarca que acredita numa cidade para todos

O projecto «Cidade para todos», passa à margem das politiquices locais, e, sem dúvida, por essa razão queremos destacar neste «Rosto da Semana» - Sofia Martins que tem vivido e acompanhado politicamente, desde a primeira hora esta intervenção – que mesmo sendo curta, por dificuldades do país e da autarquia, é merecedora de referência.

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Barreiro - O Rosto da Semana Sofia Martins - uma autarca que acredita numa cidade para todos

Por Jornal Rostos

Um acontecimento que marcou a semana foi a realização do 3º Seminário sobre Regeneração Urbana - “Cidade Sol e Quinta da Mina Cidade para Todos”, que decorreu na Escola Superior de Tecnologia do Barreiro.

Carlos Humberto, presidente da Câmara Municipal do Barreiro, referiu que o trabalho realizado na «Cidade Sol» e «Quinta da Mina» “foi bom” mas “insuficiente para as necessidades”.

O projecto «Cidade para todos» envolve diferentes áreas da Câmara Municipal do Barreiro e diferentes agentes locais.

Um trabalho que tem sido realizado e que, saliente-se, não tem tido um amplo destaque junto da opinião pública, talvez, porque é uma acção que decorre fora da chamada zona urbana da cidade e tecer criticas ou comentários – elogiosos ou depreciativos – não motiva os agentes políticos.

Quando penso sobre este projecto «Cidade para todos», recordo quando nos anos 80, grupos de estudantes de arquitectura se deslocavam ao Barreiro, em visitas de estudo, para conhecer a intervenção urbana e o espaço da «Cidade Sol» como referência modelo de uma nova forma de projectar as cidades.
Ali previa-se de tudo, espaço para escola, creches, cinema, zona comercial moderna, e, acima de tudo, o conceito que a habitação não se limita aos prédios mas tem continuidade no espaço envolvente – estacionamento, zonas verdes.

Recordo, igualmente, como os novos moradores – alguns oriundos das ex-colónias, rapidamente, numa ânsia de sociabilização, interiorizaram as vivências do concelho do Barreiro dinamizando projectos desportivo e culturais, criando a associação - «Juventude da Cidade Sol», que promovia eventos, inovadores e com muita criatividade.

Depois, com o PER, a aquisição das casas à Habidigna, para realojar os moradores das barracas, na Quinta da Mina, sem um plano prévio de integração, colocou em confronto duas realidades sociais e criou-se um clima de conflitos.
Foi, de facto, um erro de planeamento que nem sequer teve em conta experiências vividas no terreno, em Portugal e em outros pontos da Europa.
Ainda hoje está a pagar-se muito caro essa lacuna que, apenas visava deslocar populações – habituadas a um modelo de vida com características especificas, para uma vivência em prédios, sem o devido enquadramento sócio-cultural.
O Pavilhão, que era um equipamento do PER, acabou por ser utilizado para resolver uma carência municipal na área desportiva.

Depois, nos últimos tempos, o empobrecimento do país, aumentou as dificuldades e os problemas, atingindo de forma profunda os moradores da Quinta da Mina e também os moradores da Cidade Sol.
Os anos passaram e, na urbanização modelo, os problemas começavam a avolumar-se. Dificuldades no abastecimento de água. Situações graves nas redes de saneamento.

Um problema que devia ser enfrentado e procurar soluções. Olhar o problema e não desviar os olhos.
Era mesmo isso, como disse Carlos Humberto, não ignorar o problema e procurar soluções.
Nasceu a candidatura «Cidade para Todos». Um projecto que embora envolvendo diferentes actores e tendo ao longo do tempo diversos protagonistas, há, um nome que, desde a primeira hora, tem sido o rosto desta intervenção – Sofia Martins.

O projecto «Cidade para todos» trouxe também outra realidade a importância de se pensar o concelho do Barreiro para além do seu «centro».
O projecto «Cidade para todos», é um exemplo de como o concelho do Barreiro – com 36 Km 2 de área – tem que ser pensado como um todo - «um concelho cidade», um «concelho polinuclear», na sua diversidade urbana.

O projecto «Cidade para todos» permite pensar o concelho do Barreiro para além da Avenida Alfredo da Silva, do território da Baía do Tejo e foi sem dúvida um exemplo de intervenção que, na realidade, não é por mero acaso que se tornou “um caso de estudo».

O projecto «Cidade para todos» para além da sua realidade especifica é, sem dúvida, uma experiência no terreno, que permite clarificar os tais três pilares de intervenção: o social, o espaço urbano e o edificado.
Uma matriz que deve servir de referência para outros planos, ou plataformas estratégicas que possam ser implementadas – Barreiro Velho, Lavradio, Palhais, Coina.

O projecto «Cidade para todos», passa à margem das politiquices locais, e, sem dúvida, por essa razão queremos destacar neste «Rosto da Semana» - Sofia Martins. que tem vivido e acompanhado politicamente, desde a primeira hora esta intervenção – que mesmo sendo curta, por dificuldades do país e da autarquia, é merecedora de referência.

Para finalizar registar que a construção do Centro de Saúde de Santo António da Charneca, como diz Sofia Martins, é um equipamento âncora na Cidade Sol, que contribui para a revitalização do território, deixa em aberto, a necessidade de se aprofundar e potenciar outros equipamentos, e, potenciar estímulos ao comércio local.
O Barreiro está de parabéns com este projecto!

António Sousa Pereira

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