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Setúbal - Voto de pesar pelo falecimento de José Casanova«Sabia em todos os momentos abrir novas perspetivas na luta»

A Câmara Municipal de Setúbal apresentou ontem, em reunião pública, um voto de pesar pelo falecimento de José Casanova, antifascista e militante comunista que dedicou a maior parte da sua vida à luta pela democracia.

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Setúbal - Voto de pesar pelo falecimento de José Casanova «Sabia em todos os momentos abrir novas perspetivas na luta»

Por Jornal Rostos

José Casanova, falecido a 14 de novembro, “tinha uma personalidade que se distinguia por ser uma pessoa afável sem nunca perder o norte dos princípios”, salienta o texto do voto de pesar, ao realçar a “paixão e dedicação revolucionárias” e a “vastíssima cultura”.

A Câmara Municipal destaca que José Casanova “sabia em todos os momentos abrir novas perspetivas na luta” com ações de “notável empenho e compreensão da dimensão política”, em particular na área cultural, a qual considerava “uma frente de primeiro plano para todos os que lutam pela causa da transformação revolucionária do mundo e da vida”.

José Casanova nasceu no Couço, uma vila de transição entre o Ribatejo e o Alentejo, terra de proletários rurais, “conhecida por em quase todas as famílias haver alguém que tinha sido preso, alguém que estava preso, alguém que poderia vir a ser preso pela PIDE, a tenebrosa polícia política”, indica o voto de pesar.

Na adolescência, aderiu ao Partido Comunista Português, no qual rapidamente se distinguiu na atividade de militante. Ainda em jovem, mergulhou na clandestinidade, onde, sucessivamente, lhe foram atribuídas tarefas de maior complexidade e responsabilidade.

“Foi preso, suportou torturas brutais. Ficou mais de seis anos nas masmorras fascistas, sujeito às medidas de segurança que podiam triplicar a pena a que tinha sido condenado”, recorda o texto do voto de pesar.

Em liberdade, voltou à clandestinidade e emigrou. No período de exílio, destaque para a intensa atividade junto dos núcleos da emigração e nos contactos internacionais, nomeadamente com os movimentos de libertação das colónias portuguesas.

Depois do 25 de Abril, voltou a Portugal para ocupar cargos de direção no PCP, nomeadamente no Comité Central, na Comissão Política e no Secretariado, assim como na direção do jornal Avante!.

“A morte de José Casanova é uma perda pesada para o seu partido, que vê partir um dos militantes mais destacados”, e para Portugal, “que perde um revolucionário e homem de cultura”, neste caso, realça a Autarquia, de que resultaram três romances com “um profundo humanismo e uma aguda e luminosa visão política”.

À família enlutada, a Câmara Municipal de Setúbal endereça sentidos pêsames.

Fonte - CMS

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