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Cidade com Rostos

Mário Silva - BarreiroUm senhor de uma voz com uma sonoridade única
12/03/1929 - 24/02/2001
Por Victor Simões

Mário Silva ara homem de poucas palavras, mas senhor de uma voz com uma sonoridade, como havia poucas. Era um cristal. Podia ombrear com Fernando Maurício ou Francisco Martinho, mas nunca quis, sempre olhando o seu emprego nos serviços públicos, como primeira necessidade e ser daí que tirava o seu principal proveito.

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Mário Silva - Barreiro Um senhor de uma voz com uma sonoridade única 12/03/1929 - 24/02/2001 Por Victor Simões

Por Jornal Rostos

Em 12 de Março de 1929, nasce na Rua Almirante Reis nº 66, Mário Cândido Sande. Fomos então ver, se a casa onde nasceu, tinha alguma placa, se era habitável, inclusive, se a casa ainda existia. Fiquei pasmado, o nº 66 nesta morada, era nem mais nem menos que a nossa Sociedade “ Os Penicheiros”.
Mário Silva tinha nascido ali por que seu pai era na altura contínuo residente, como era costume na altura, nas sociedades musicais.
A sua infância é passada como qualquer criança. Brincando e passando privações, e algumas, tal como ele tanta vez contava, deixaram marcas muito difíceis de apagar.
No Barreiro onde sempre viveu, começou por trabalhar na CMB, guarda do parque, hoje Catarina Eufémia. Na altura havia um recinto com triciclos para as crianças. Era a Ti Gorgina quem tomava conta da moçalhada estando reservado ao guarda as duas casas de banho existentes. Era este o seu emprego até que adoeceu com problemas respiratórios. Retomada a saúde seria colocado no edifício dos Paços de Conselho em serviços indiferenciados, nunca perdendo de vista as casas de fado onde atuava em Lisboa tais como o Luso e mais tarde a Adega Martinho, onde por sua mão lá iria parar também e nesta altura tinha como madrinha uma senhora de famílias barreirenses de nome Berta Cardoso.

Mário Silva ara homem de poucas palavras, mas senhor de uma voz com uma sonoridade, como havia poucas. Era um cristal. Podia ombrear com Fernando Maurício ou Francisco Martinho, mas nunca quis, sempre olhando o seu emprego nos serviços públicos, como primeira necessidade e ser daí que tirava o seu principal proveito.
Fomos cúmplices de ao longo de algumas dezenas de anos o percorrer o país, e o estrangeiro, nomeadamente França, onde cantamos para os emigrantes.
Com ele tive uma relação musical e pessoal como se ele fosse de minha família.

Srªs s Srs., para iniciar a minha atuação, vou cantar Ouvi falar Dê-la. Era só o que dizia ao longo de uma noite.
Bem merecia que se falasse dele não só como benfeitor que foi, ajudando todas as instituições no dentro e fora do da nossa cidade mas também como empregado exemplar na função pública.
Um abraço muito grande, pois tu terás sempre entre nós...
Bem haja, meu querido amigo.

Victor Simões

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