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Cidade com Rostos

Almada - Santiago do Cacém - BarreiroRecordar Manuel da Fonseca

Gostei dos momentos que com ele partilhei a vida, no Barreiro, onde tive a honra de com ele participar na apresentação da sua obra «Crónicas Algarvias», cujo primeiro texto, é dedicado à travessia do Tejo, comentando a chegada do barco ao Barreiro, olhando Alburrica, numa manhã de nevoeiro, com a GNR a treinar seus cavalos nas areias da praia.

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Almada - Santiago do Cacém - Barreiro Recordar Manuel da Fonseca

Por Jornal Rostos

Antes que Seja Tarde

Amigo,
tu que choras uma angústia qualquer
e falas de coisas mansas como o luar
e paradas
como as águas de um lago adormecido,
acorda!

Deixa de vez
as margens do regato solitário
onde te miras
como se fosse a tua namorada.

Abandona o jardim sem flores
desse país inventado
onde tu és o único habitante.

Deixa os desejos sem rumo
de barco ao deus-dará
e esse ar de renúncia
às coisas do mundo.

Acorda, amigo,
liberta-te dessa paz podre de milagre
que existe
apenas na tua imaginação.

Abre os olhos e olha,
abre os braços e luta!

Amigo,
antes da morte vir
nasce de vez para a vida.

Manuel da Fonseca, in "Poemas Dispersos"

Nota - Faleceu a 11 de Março de 1993.

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