Moita - Baixa da BanheiraHermínia Barão - Uma proposta toponímica na Baixa da Banheira
Por Pedro Ventura

Por Jornal Rostos
Foi recentemente proposto à denominada União de Freguesias da Baixa da Banheira e Vale da Amoreira que submetesse à apreciação do órgão competente, a Comissão Municipal de Toponímia, o nome da falecida D.ª Hermínia Barão para umas das vias do município da Moita, designadamente na Baixa da Banheira (tendo em conta o interesse e projecção local).
Originária do Algarve, mulher e pioneira, Hermínia da Conceição Barão, pelo seu exemplo e aplicação, foi e é merecedora de público reconhecimento. Foi a primeira professora na Baixa da Banheira e ensinou várias gerações de banheirenses.
Vale a pena recordar e citar sem aspas... O rápido crescimento da Baixa da Banheira, ainda na primeira metade do século XX, foi derivado a grandes migrações internas de famílias inteiras que aqui se fixaram vindas de todas as regiões portuguesas e ainda mais além. Aqui radicados, e apesar das muitas dificuldades económicas e da vida tantas vezes insalubre (o crescimento da localidade fizera-se inicialmente sem quaisquer «regras» urbanísticas), a sua situação progrediu sensivelmente em relação à que haviam deixado de onde tinham partido. Ainda assim, um dos problemas que ao longo dos anos afligiu o povo banheirense foi o ensino. As colectividades desta localidade mantiveram durante largo tempo uma escola pré-primária ou primária para crianças e alguma até mesmo escola nocturna para adultos (resultante de na Baixa da Banheira não existir, durante muitos anos, qualquer escola do ensino primário). Somente em 6 de Maio de 1941, em Sessão de Câmara, o município moitense deliberou dotar a Baixa da Banheira com um posto escolar que funcionou, no ano lectivo seguinte, numa casa de Manuel Moreira da Silva (Manuel Custódio) de que foi gerente Hermínia da Conceição Barão». O primeiro aluno, leccionado pela D.ª Hermínia, como era conhecida, a concluir a instrução primária na Baixa da Banheira foi José Lito Valente, que pouco depois viria a falecer, filho do comerciante local Henrique Valente. Mais tarde, num, estabelecimento de ensino de que era proprietária continuou a formar e a apoiar escolarmente gerações seguidas de banheirenses, transmitindo-lhes a importância do estudo, do esforço e do conhecimento. Figura destacada, possuía ainda a Casa Barão, negócio de livraria (raro na Baixa da Banheira), papelaria e material escolar (no nº 95 da Estrada Nacional, estabelecimento que ficou nas mãos da funcionária que ali então trabalhava e que encerrou no Verão passado).
Relembre-se que a Junta de Freguesia da Baixa da Banheira, no dia 25 de Abril de 1987, homenageou então nove munícipes com mais de 25 anos de residência na localidade, que por variadas razões se tornaram dignos dessa distinção, com a placa «A Vila da Baixa da Banheira agradecida pelo seu exemplar desempenho nas suas actividades sociais e irrepreensível conduta de cidadão»; entre eles a D.ª Hermínia Barão, que ainda então, e desde 1941, leccionava na Baixa da Banheira.
Viveu muitos anos num primeiro andar do nº 104, também na Estrada Nacional. Já retirada, viria a falecer no dia 14 de Setembro de 1990; os seus restos mortais encontram-se sepultados no Cemitério do Lavradio, junto com os de sua mãe e irmãos sob a parca «À memória de Isabel da Conceição Barão e restos mortais de suas filhas»... A D.ª Hermínia Barão foi e é merecedora de público reconhecimento, sendo que o seu exemplo deve ser estimado num tempo em que a escola, mais do que lugar das aprendizagens da língua e das ciências, aparenta ser, vezes demais, apenas e só, o lugar do «massacre» dos exames e sua nefasta formatação.
Após a recente homenagem póstuma a Joaquim Ortiz e António Coelho, também com públicas propostas para a toponímia local, que a Baixa da Banheira (e o município que integra) continue a homenagear os seus e o melhor de si, continuando dessa forma, mesmo sob as adversidades, a semear o futuro.
Pedro Ventura










