Barreiro - Voto de Pesar recorda José Caro ProençaNunca prescindiu de intervir, de perguntar, de afirmar, de contrapor
Todos estamos reconhecidos a José Caro Proença.

Por Jornal Rostos
Na Reunião Ordinária Pública de 18 de maio, da Câmara Municipal do Barreiro, foi aprovado o Voto de Pesar a José Caro Proença
VOTO DE PESAR
José Caro Proença
Pode-se dizer muito de José Caro Proença.
Pode-se dizer muito de uma vida de quase um século (1922-2016), multifacetada, plena de atividade.
Pode-se dizer muito mais do que caberia numa sessão de qualquer órgão.
Mas talvez, acima de tudo, importe hoje dizer o exemplo de quem assumiu como seu todo o tempo entre o primeiro e último dias da sua vida.
O exemplo de quem nunca prescindiu de intervir, de perguntar, de afirmar, de contrapor.
O exemplo de quem, incansavelmente, refletiu de forma critica sobre a sua terra e o seu país.
O exemplo de quem, para lá de momentos e conveniências, assumiu as referências e os alicerces que fundavam a sua intervenção e as suas perspetivas.
São inesquecíveis, a este título, as suas intervenções sobre o Barreiro, sobre as suas origens ribeirinhas, sobre o seu papel nos descobrimentos portugueses, sobre a sua dimensão fundacional no quadro da cultura e experiência ferroviária portuguesas.
De igual modo, é inesquecível o seu papel no aprofundamento do conhecimento e divulgação da figura de Álvaro Velho do Barreiro, cronista e autor do diário da viagem de Vasco da Gama de descoberta do caminho marítimo para a Índia.
Retém-se o vigor da sua intervenção, sempre elaborada, cozendo fontes e ideias múltiplas num discurso pronto e inconfundível.
Retém-se a imagem do engenheiro, radialista, jornalista, historiador, professor, conferencista, académico, cidadão ativo e participativo, do Barreirense que soube ser tudo isto sem deixar de ser o que era e sem deixar de afirmar donde vinha.
Ainda em 2011, à beira de completar 90 anos e tendo decidido doar o seu espólio ao Município do Barreiro, afirmava: “o Barreiro não tem que me estar reconhecido, sou eu que estou reconhecido ao Barreiro”, nascido no Barreiro Velho, foi “através dessas sementes que me fiz no que sou hoje, me fiz civilizado.”
O espólio de José Caro Proença, parte da sua memória e da sua história, está hoje depositado no Município do Barreiro, posto ao serviço da comunidade, das escolas, dos investigadores, prosseguindo o esforço que conduziu à sua formação, desenvolvimento e preservação.
Todos estamos reconhecidos a José Caro Proença.
O seu exemplo, ao lado de outros, marca o nosso caminho. Cabe a cada um de nós esse “procurar e descobrir algo de novo” a cada dia.
Por isto, e pelo muito que não cabe em qualquer documento, saudamo-lo, saudando a vida que soube afirmar até ao último momento.
A José Caro Proença, à sua memória, e à sua família, a Câmara Municipal do Barreiro endereça (como ele próprio diria) um abraço forte e lhano.
Fonte - CMB










