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Cidade com Rostos

Eugénio Fonseca cessa funções na Cáritas Diocesana de Setúbal«Continuarei no exercício das funções cívicas e eclesiais»

Quero deixar claro que continuarei no exercício das funções cívicas e eclesiais que assumi, procurando manter nelas todo o meu empenho, pois nunca me demitirei do combate por condições de maior produção de riqueza, mas, fundamentalmente, pela sua justa distribuição para que possamos viver numa região e num país muito mais próspero, sempre alicerçado num espírito de serviço e não na conquista de qualquer forma de poder.

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Eugénio Fonseca cessa funções na Cáritas Diocesana de Setúbal «Continuarei no exercício das funções cívicas e eclesiais»

Por Jornal Rostos

COMUNICADO

Conforme nota publicada, hoje, pela Vigararia Geral, na página oficial da Diocese de Setúbal reitero a comunicação de que, a meu pedido, cessei funções na Cáritas Diocesana de Setúbal.

Assim, quero, por este meio, agradecer:

1. A Deus, antes demais e acima de tudo, as capacidades que me deu para poder, ao longo de 31 anos, preencher a minha vida no serviço ao bem comum, com total gratuidade, dando bons fundamentos à minha existência. Que me perdoe, se mais esperava de mim e não fui capaz de corresponder em conformidade com os dons que me deu;

2. Aos pobres e excluídos da Região de Setúbal que me ajudaram a compreender, definitivamente, o que é ser autêntico cristão. Que não basta praticar uma religião, no meu caso, nem pertencer a uma Igreja, por muito que a amemos, como eu a amo, conhecendo razoavelmente os Livros Sagrados e a doutrina, praticando todos os ritos litúrgicos e devoções. Que tudo isto só fará sentido e terá coerência se for para se lutar por um mundo mais justo e fraterno, no qual todos se sintam a viver numa casa comum. Meus amigos e amigas, muito amados por Deus, peço-vos perdão por tantas vezes que pude gritar mais alto por maior justiça a vosso favor e não o fiz por recear mais suspeições e maledicências, a maior parte das vezes, de quem tinha a obrigação de juntar a sua voz à minha e à de muitos outros, crentes ou não, que sabem que a vossa condição de vida é fruto de tantas escandalosas injustiças;

3. A D. Manuel Martins por ter sido intermediário de Deus, e pressentido que havia em mim capacidades a potenciar, apesar da minha jovem idade, e? apostou nelas, confiando-me uma missão de grande responsabilidade e num tempo tão dramático para a Região de Setúbal. Obrigado, por isso, mas, fundamentalmente, pelo seu testemunho de cristão e de bispo, que deixou marcas indeléveis nesta Região, no país e em muitas partes do mundo;

4. A D. Gilberto dos Reis por ter continuado a confiar em mim, mesmo lutando contra alguns “ventos e marés”;

5. A D. José Ornelas por ter respeitado a decisão que entendi, com profunda tristeza, tomar agora;

6. A todas e a todos os muitos colaboradores da Cáritas Diocesana, os de ontem e os de hoje, pois sem o seu inexcedível apoio e dedicação não seria possível ter se conseguido o bem que se fez. Ficarão sempre no meu coração pelos felizes momentos que me proporcionaram e pela força estimulante que sempre me deram nas horas mais difíceis. Perdoem-me se nem sempre vos demonstrei a minha gratidão e o muito que vos aprecio;

7. Aos membros do Clero que cooperaram com a Cáritas Diocesana e muito se esforçaram por motivar as suas comunidades para responderem aos diversos desafios que lhe eram lançados. Também não deixo de estar grato aos que se recusaram sempre a fazer parte desta maioria, mas que tiveram o permanente cuidado de me recordar que por mais bela que seja a rosa ela tem sempre espinhos;

8. Às Forças Vivas da Região de Setúbal e mesmo fora dela, nomeadamente aos poderes central e locais, instituições públicas e privadas de todos os âmbitos, pela estima que nutrem pela Cáritas e os apoios que lhes têm proporcionado, demonstrando a confiança que depositam nela;

9. A todos os órgãos de comunicação social da nossa Região, a todos os de âmbito nacional e mesmo à imprensa oficial de algumas dioceses, o contributo que nunca se recusaram a dar para fazer chegar mais longe as mensagens e práticas da Cáritas Diocesana de Setubal;

10. À população em geral desta bela Península de Setúbal pela sua sempre grande generosidade e estima pela Cáritas, dando provas de que nela depositavam a confiança que necessita para ser credível a sua missão.

Quero deixar claro que continuarei no exercício das funções cívicas e eclesiais que assumi, procurando manter nelas todo o meu empenho, pois nunca me demitirei do combate por condições de maior produção de riqueza, mas, fundamentalmente, pela sua justa distribuição para que possamos viver numa região e num país muito mais próspero, sempre alicerçado num espírito de serviço e não na conquista de qualquer forma de poder.

A todas e todos bem hajam!

Setúbal, 3 de outubro de 2016
Eugénio José da Cruz Fonseca

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