Malangatana um homem inscrito na vida do BarreiroAvião da TAP baptizado como o nome do artista moçambicano

Por Jornal Rostos
RECORDAMOS UMA BREVE CONVERSA DE MALANGATANA COM O JORNAL ROSTOS
Malangatana (Valente Ngwenya) nasceu em Matalana, Província de Maputo, a 6 de Junho de 1936. Tem murais pintados ou gravados em cimento em vários pontos do mundo. É um artista de referência internacional.
No decorrer das Festas do Barreiro está a pintar um painel que vai oferecer à cidade do Barreiro.
Na Praça da Paz, junto ao Fórum Barreiro, vai ser colocada no mês de Setembro, a sua escultórica, uma obra que assinala a multiculturalidade e a solidariedade que é uma característica da comunidade barreirense.
Descobrir o Barreiro
Numa breve conversa procurámos saber das suas ligações ao Barreiro, sublinhando o Mestre Malangatana que - “A Minha relação com o Barreiro é uma relação de amizade”
Recorda que foi, nos anos 70, quando o Mestre Augusto Cabrita visitou o seu atellier, em Lisboa que – “Eu vi e ouvi o Barreiro. Foi com aquele homem que eu descobri o Barreiro, para mim, até então, desconhecido.”
“O Augusto Cabrita não me trouxe fisicamente ao Barreiro, mas espiritualmente trouxe-me ao Barreiro. Inspirou-me espiritualmente a importância de um Barreiro que eu não conhecia, dando-me a conhecer a vida do Barreiro, a sua vida industrial, os seus homens. Despertou em mim a curiosidade de descobrir o Barreiro” – sublinha Malangatana.
Sublinha que, tempos depois, fez um passeio pelo Barreiro, sozinho, para descobrir o que era o Barreiro. Nesses idos anos 70.
Uma exposição marcante
Recorda que mais, tarde, encontrou em Moçambique um barreirense – José Henrique. “Foi ele que me convidou para fazer uma exposição no Barreiro. Exposição que aqui realizei no ano 2000.” – sublinha
“Foi uma exposição muito marcante, pela forma como foi organizada e todo o interesse que despertou” – recorda.
Malangatana, refere que quando da realização da sua exposição no Barreiro, ficou a sugestão de um dia fazer uma escultura na cidade do Barreiro.
“A ideia ficou e não morreu. Agora estou a construir o monumento à paz e à amizade, que vai ficar frente ao Fórum Barreiro” – sublinha Malangatana.
Imagem da Paz e da Amizade
“A minha obra procura dar uma imagem da vida de Moçambique, de toda a vida humana, da sua intimidade, dos seus ritos, da sua mitologia. Procuro abordar tudo o que faz parte da vida do ser humano.” – sublinha.
Refere que a sua peça que vai ser colocada na Praça da Paz, junto ao Fórum Barreiro, é composta de 12 módulos – “é uma imagem da Paz e da Amizade, que eu quero dar ao Barreiro”.
Trazer África para o Barreiro
Malagantana, conversou com “Rostos” num breve momento de paragem da sua pintura ao vivo, que está a realizar durante as Festas do Barreiro.
“Não sei ainda o que vai ser. Só sei que vou oferecer ao Barreiro” – disse-nos.
“Estou a tentar trazer nesta tela África para o Barreiro, porque penso que tem que haver um diálogo permanente entre os povos de todo o mundo” – sublinhou Malangatana.
Reconheço o esforço que o Barreiro
“Eu não me defino como artista. Eu defino-me com um homem com uma certa militância. Uma militância que tem a ver com o meu estar, com a minha maneira de ser, no assumir as obrigações que eu tenho como homem da cultura, de servir não só Moçambique, mas também servir outros povos.
Para mim, servir o Barreiro, tem um significado muito grande, porque reconheço o esforço que o Barreiro, ao longo de anos fez, para criar homens que têm muita responsabilidade em fazer Portugal” – sublinhou Malangatana.
S.P.
Foto - Monumento de Malangatana no centro do Barreiro. Uma obra de arte que ficará como uma referência dos princípios do Século XXI
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https://www.rostos.pt/postais/30458-malangatana-a-minha-relacao-com-o-barreiro-e-uma-relacao-de










