Francisco Nogueira – ArtesferaApreensões com vida cultural do Barreiro

Por Jornal Rostos
Francisco Nogueira no texto que edita no catálogo do IX Salão Anual da sua associação expressa algumas inquietações sobre o papel das artes plásticas e dos artistas no meio social onde participam, foi este o ponto de partida da nossa conversa, dizendo-nos que o sentimento que ali expressa reflecte – “a falta de diálogo com alguns parceiros e principalmente com a Câmara Municipal do Barreiro”.
Refere o presidente da direcção da Artesfera que – “em termos das parcerias que existem não há qualquer tipo de problema, falta é um diálogo que possa integrar em termos de projecto, de forma a que possa haver uma parceria de projecto, do ponto de vista de projecto cultural para o Barreiro e nós participarmos nesse projecto. Falta um diálogo enquanto projecto, não enquanto parceria”.
Segundo Francisco Nogueira a actividade da Artesfera no Centro de Artes, que funciona no Parque da Cidade – “aí continua tudo normal, não temos é encontrado a melhor forma de trocar ideias”.
Uma das preocupações expressas foi a eventual alteração de “funções” de alguns espaços ao dispor dos artistas plásticos, nomeadamente a actual Galeria Municipal de Arte, onde consta poderá vir a nascer o “Centro de Imagem”, alteração essa que o presidente da Artesfera comenta com alguma “apreensão” pois poderá reduzir potencialidades existentes ao serviço dos artistas plásticos do concelho.
Como vai a Artesfera?
“A Artesfera está com uma grande actividade no Centro de Artes Plásticas a desenvolver a formação no âmbito da pintura, escultura, cerâmica e fotografia, fundamentalmente, dirigida a cerca de 40 –50 alunos por ano. É esse, talvez, o grande polo aglutinador da Artesfera. Aqui contamos com a parceria e apoio da Câmara Municipal do Barreiro, de infra estruturas e de manutenção dessas infra estruturas, para dar continuidade do nosso projecto.
A par deste temos a nossa actividade, não só de formação, aberta ao público em geral, que é destinada aos artistas da associação, como é o caso do Salão que está agora a decorrer, assim como temos viagens, como a que fizemos à FIAC, em Paris, tal como continuamos a manter junto aos artistas da associação e de outros artistas, porque continuamos a ser uma associação aberta, mantemos uma acção de divulgação da nossa actividade e de reflexão sobre as artes plásticas em geral”.
Mas a ideia que fica é que o presidente, no catálogo do salão, escreve um discurso de despedida ?
“O presidente está numa fase em que a sua vida pessoal o limita, por via de outros projectos pessoais em que vou estar envolvido, também no âmbito da actividade cultural. Mas isto não implica um vazio da Artesfera. Há pessoas a desenvolver um trabalho, há uma equipa que vai, certamente, dar continuidade a este projecto. O que me parece mais é que há algumas preocupações para que a Artesfera continue a desempenhar um papel importante como aquele que tem vindo a concretizar, neste últimos dez anos, sempre no sentido de um maior prestigio, tanto da actividades de artes plásticas, quer dos seus associados, quer da população em geral, no âmbito desta actividade”.
Como observa a Artesfera, neste momento, a vida cultural no Barreiro?
“Nós temos reflectido sobre isso, parece-nos que a vida cultural no Barreiro, por via de alteração da autarquia, de alguns responsáveis da autarquia, tem outros projectos, ligados à vida cultural do Barreiro, nomeadamente à vida artística, e temos alguma preocupação que ainda não é fundamentada, em questões concretas ou em falta de colaboração, mas que temos alguma apreensão e alguma expectativa, se no futuro a actividade da Artesfera e a actividade das artes plásticas, no sentido como nós temos vindo a desenvolver, de abrir à população em geral, ou seja mais eclética e não tão elitista, ou tão concentrada em alguns autores, essa perspectiva estamos a ver com alguma apreensão se será na continuidade do que nós temos vindo, ou se terão aceitação as nossas propostas e das perspectivas que nós temos nesta área cultural e artística”.
Têm dialogado com a Câmara Municipal do Barreiro sobre isso?
“Temos dialogado. Continuamos como eu disse na expectativa de que esse diálogo possa ter algumas reacções positivas, tendo em vista darmos continuidade aos Workshops, às conferências de alguma reflexão e trazer ao Barreiro valores de arte a nível nacional e criação de novos espaços de exposição e atellier’s. Essa é a nossa perspectiva, mas, no entanto, estamos convencidos que não haverá interrupção dessa actividade”,
Não há portanto qualquer ruptura?
“Ruptura não existe. Existe esta expectativa se o nosso posicionamento, destes últimos dez anos, se terá, ou não apoio”.
Mas há diferenças de tratamento entre a actual vereação e a anterior vereação?
“Nesta perspectiva sentimos. Sentimos, pelo menos neste período, que possivelmente é um período de sensibilização, dos próprios responsáveis autárquicos, sentimos que as nossas propostas, o desenvolver de algumas coisas que já vinham anteriormente, sublinhadas e referidas, possam não estar a ter o seguimento que vinham a ter mas, no entanto, estamos em crer, pelo diálogo que temos tido e com a abertura com que esse diálogo tem sido feito, estamos em crer que as expectativas não serão más.”
Em aberto fica agora quem irá exercer, a curto prazo, a presidência da Artesfera – Willian, Pedro Miranda da Silva, Etelvina, Florinda, Cabrita Ramos – que são das pessoas mais activas que irão dar todo o seu empenhamento para que a Artesfera continue a ser uma referência cultural na cidade.
Francisco Nogueira referiu ainda que o IX Salão Anual e o VIII Prémio Artesfera, cujos trabalhos estão patentes ao público na Galeria Municipal de Arte – “é um dos salões que integra do ponto de vista de qualidade, um bom grupo de trabalho”.










