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Cidade com Rostos

Embebedei-me com os teus sonsAté sempre, Obrigado Pedro Barroso
Por António Sousa Pereira
Barreiro

Senti nas tuas palavras cantadas a beleza do estar aqui e viver, o sublime de viver em comunidade, o orgulho de ser humano, a alegria de sentir família, o prazer de sentir amizade, a paixão de viver amor.

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Embebedei-me com os teus sons Até sempre, Obrigado Pedro Barroso Por António Sousa Pereira Barreiro

Por Jornal Rostos

Quantas vezes me reencontrei ao encontrar-me perdido por dentro do teu canto, na sonoridade da tua voz, vinda do fundo do peito, esse lugar onde bate o coração. A saudade. O amor.

Encontrei-me na serenidade da tua melodia, caminhando por estradas, onde, senti a florir, o teu, o meu, o nosso país.
Encontrei-me na energia dos poemas com palavras a nascer nos nervos, assim como quem canta, a viver, e, aqui e agora, recordo, em lágrimas a rasgar este tempo real, todos esses instantes que me reencontrei cantando perdido na solidão de mim, navegando na ternura, feita amor, essa, que está inscrita no nosso ser, essa que nos faz únicos. Foi lindo esse encontro de ser e sons, num cântico de interioridade. Vivido.

Embebedei-me com os teus sons nos dias da troika, sim, nesses dias de angústia e ansiedade, quantas vezes recuperei forças aquecendo-me na chama da tua voz. Cumprir Portugal. Ser capaz. Voar.
Cantei, chorei, escutei teus sons nos cânticos que ecoavam nas ondas do Tejo. Escrevi poemas. Senti a criança que está dentro de mim a renascer. Ironicamente.

Imaginei com os teus sons, tudo o que sempre consegui sonhar e sonho, tudo que sou, tudo que fui, tudo que guardo na memória, beijos, paixões, cravos a florir. Eu e os outros. Eu. Tu. Nós.
Abracei os meus braços nos teus sons, afagando as palavras cantadas, e, nesses instantes, dentro delas agarrei os nervos. Acreditando. Sonhando.

Senti nas tuas palavras cantadas a beleza do estar aqui e viver, o sublime de viver em comunidade, o orgulho de ser humano, a alegria de sentir família, o prazer de sentir amizade, a paixão de viver amor.

Encontrei nesses teus sons os sonhos, o lugar onde estão guardados os sonhos vivos, esses que são sonhos dentro do sonho, porque a vida é para sonhar, esse sonho de criança, a eterna criança, onde construímos essa vontade de nunca desistir. Fazer.

Encontrei-me, tantas vezes a cantar esse desejo e esse sonho de ser que nos deslumbra quando nos reencontramos, alegremente, dentro de tudo o que fomos e somos. Ser apenas ser, sem outro destino, se não esse que dá forças para viver. Acordar.

É isso, Pedro, contigo desbravei as matas por desbravar, naveguei por mares de ondas constantes, umas vezes turbulentas, tempestades de solidão, outras vezes suaves, mergulhos de felicidade, sabendo que é preciso sempre, mas sempre, navegar, navegar de uma forma inteligente, levando no coração essa mensagem nobre, potente e lúcida que nunca, mesmo nunca, será tarde para viver e para acordar.
Até sempre! Obrigado!

António Sousa Pereira
17 de Março de 2020

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